EUA na esperança de reformar a China gerou rivalidade e interdependência econômica

José Raimundo
32 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro
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A capacidade de Pequim em diversificar projetos de quinta geração. O avanço chinês aposta em vantagem geográfica local, mísseis de longo alcance (como o PL-15) e forte integração com defesas em terra, enquanto que os EUA alcançam uma capacidade global de confronto acima de qualquer rival.
Em contraponto o avanço e a estratégia da China na expansão naval, a levou ser a maior do mundo em número de cascos, contando com porta-aviões avançados como o Fujian (equipado com catapultas eletromagnéticas) e projetos de super porta-aviões nucleares em andamento. A estratégia A2/AD foca em mísseis hipersônicos anti-navio projetados especificamente para ameaçar e tentar neutralizar grupos de ataque de porta-aviões estadunidenses perto de sua costa. Na guerra eletrônica e de detecção alocou investimentos pesados em radares de longo alcance e contramedidas para rastrear ou desafiar a invisibilidade de caças furtivos rivais.Toda esta análise mostra como há diversidade no confronto EUA e China , em paralelo, uma interação em suas economias e disputa do mercado. Neste sentido, pode-se declarar que o inimigo não mora ao lado,mas participa globalmente das disputas, além de ser fornecedor e comprador de insumos, produtos e serviços do adversário.
Conclusivamente ,mas ainda sem final, ao analisar 250 anos de contato,em vez de evoluir gradualmente da amizade para a rivalidade, vive-se uma relação que tem oscilado repetidamente entre extremos de otimismo e medo. A realidade do equilíbrio depende da manutenção das relações abertas, mesmo com o aumento das tensões políticas. Sem troca, não há nada, pois a cadeia produtiva exige um do outro. Desde terras raras, até chips.
A ideia de que a China e os Estados Unidos deveriam se tornar grandes aliados não aparenta ser plausível. A China e os EUA se colocaram como rivais, inimigos, parceiros e colaboradores ao atravessar os dois séculos. Vale lembrar que a história é mutável, mas em patamares distintos, as duas nações continuam sendo necessárias, uma para a outra, e desse equilíbrio se forma a paz possível ao mundo
A relação comercial entre os Estados Unidos e a China começou com a viagem do navio Empress of China em 1784. O relacionamento passou por séculos de comércio inicial, um hiato de isolamento após a revolução comunista de 1949, uma reaproximação na década de 1970 e forte integração econômica em 2001, antes de se transformar em uma intensa disputa comercial e tecnológica por hegemonia global.Raízes históricas e o comércio inicial. O primeiro contato comercial ocorreu em fevereiro de 1784, quando o navio estadunidense partiu de Nova York rumo a Cantão. pelo período do século XIX e início do século XX, os EUA viam o mercado chinês com otimismo comercial, mas a relação era limitada.
A vitória comunista de Mao Tsé-Tung em 1949 cortou os laços diplomáticos e econômicos diretos.O ponto mais crítico da hostilidade ocorreu na Guerra da Coreia (1950-1953), quando os dois países lutaram em lados opostos.A reaproximação veio com a visita do presidente Richard Nixon à China em 1972, assim se reiniciou os diálogos estratégicos para conter a União Soviética. A entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 impulsionou o país asiático como a principal fábrica do mundo.Os EUA lucraram com produtos baratos, mas perderam postos de trabalho industriais locais, gerando um crescente déficit comercial.A transição para o conflito econômico. O otimismo dos EUA de que o comércio transformaria a China em uma democracia de livre mercado falhou. A partir de 2018, governos dos EUA impuseram pesadas tarifas alfandegárias sobre produtos chineses para proteger a indústria nacional. A disputa atual redefine as cadeias de suprimentos globais e marca a competição direta entre as duas maiores potências do mundo. Mas a história delineia melhor este processo e amplia os olhos aos capítulos que incluem uma diversidade de campos de atuação das duas maiores potências atualmente .

Os Estados Unidos adotam uma postura de forte contenção e concorrência direta contra a China, utilizando barreiras comerciais, restrições tecnológicas e cobranças alfandegárias para tentar frear a expansão econômica e geopolítica de Pequim no cenário global.As frentes de confronto econômico e comercial por meio de tarifas e sanções que o governo dos EUA impõe taxas elevadas a produtos da China para proteger a indústria local e reduzir o déficit comercial. na questão de controle de rotas, abordagens recentes de Washington acusam dezenas de países — incluindo o Brasil — de participarem de redes de triangulação para desviar mercadorias chinesas e burlar tarifas dos EUA.
No que tange a inteligência artificial na fiscalização, órgãos de fronteira dos Estados Unidos usam ferramentas digitais avançadas para rastrear a origem exata de componentes e produtos importados. Esta seara assemelha-se a disputa tecnológica e estratégica. Bloqueio a empresas: Os EUA restringem a atuação de grandes corporações de tecnologia da China no Ocidente. Em setores de ponta, a corrida envolve o domínio de áreas vitais como inteligência artificial, semicondutores e redes de telecomunicações de nova geração. Neste contexto, Pequim rejeita as acusações e as barreiras comerciais impostas pela Casa Branca, apontando que o uso do poder estatal para prejudicar empresas viola regras do livre mercado global.
Bebendo nas fontes de historiadores e abordagem da imprensa e intelectuais chineses mostram como as esperanças dos EUA em relação ao comércio, à reforma e à amizade deram lugar à rivalidade com a potência que outrora buscavam transformar.
Como citado, foi numa manhã de fevereiro de 1784, que um navio corsário chamado Imperatriz da China zarpou do porto de Nova York. Seu destino era um país que quase ninguém a bordo jamais vira – a China, então governada pela dinastia Qing.Seis meses depois, lançou âncora em Cantão, o único porto onde o governo Qing permitia o comércio marítimo ocidental. Posicionando historicamente , a Declaração de Independência tinha menos de uma década, e o Tratado de Paris, que reconhecia a independência americana, havia sido assinado menos de um ano antes. A recém-nascida república não tinha marinha e tinha pouca influência no mundo. O que ela tinha, porém, era um sonho da China.
Debruça em registros históricos , a ideia que a primeira viagem marcou o início de uma relação na qual os Estados Unidos reinventaram ao seu modo, repetidamente o que a China representava – de mercado cobiçado a civilização admirada, de projeto missionário a rival estratégico. Mas a cada reinvenção, se tratava tanto sobre os Estados Unidos quanto sobre a China.
Vale ressaltar que ainda durante sua visita a Pequim em maio, o presidente dos EUA, Donald Trump, invocou a Imperatriz da China durante o banquete de Estado oferecido pelo presidente Xi Jinping, relembrando o primeiro navio mercante americano a chegar à costa chinesa.
Superados os 250 anos, o país que anteriormente ascendia a ambição de comerciantes dos EUA através do Pacífico tornou-se o principal concorrente de Washington. Os Estados Unidos e a China, agora as duas maiores economias do mundo, estão travando uma disputa em torno do comércio, da tecnologia, da segurança e da configuração da ordem global.
Como verbaliza Xu Guoqi para a imprensa chinesa, o professor de História Chinesa da Universidade de Hong Kong (HKU), é fácil esquecer a importância da ideia da China para a fundação dos Estados Unidos. O chá que foi despejado no porto de Boston em 1773, ato de desafio que ajudou a desencadear a revolução, era chá chinês.
“O sonho de independência para os futuros estadunidenses surgiu, em certa medida, do sonho deles com o mercado chinês”, disse Xu. O chá, que os estadunidenses chamavam de “ouro verde”, era efetivamente uma moeda forte, destacou .“Parecia que todo mundo ficou obcecado com o chá chinês depois que os britânicos o trouxeram para o Ocidente.”

Ele avança em mostrar uma China milenar e com vocação à liderança. Essa fascinação antecede os próprios Estados Unidos, acrescentou Xu. “Os europeus sonhavam em encontrar uma rota para a China desde os tempos de Marco Polo, uma busca que, como se sabe, levou Cristóvão Colombo a atravessar o Atlântico em 1492”, disse Xu. “Essa é a ironia da história compartilhada entre a China e os Estados Unidos – elas estiveram interligadas desde o princípio.” Assim, é de fácil conclusão que quando o navio Empress of China navegou para Cantão em 1784, ele personificava a crença de que o acesso ao mercado chinês poderia ajudar a garantir o futuro da América. Essa crença perdurou por mais de dois séculos, em sua opinião.
Apresenta-se no século XIX, esta manifestação no comércio com a China e, posteriormente, na Política de Portas Abertas – o apelo de Washington por igualdade de acesso comercial à China, em vez de permitir que potências estrangeiras a dividissem em esferas de influência exclusivas. Foi uma época em que um império Qing enfraquecido, abalado pelas guerras do ópio e por tratados desiguais, estava sendo forçado a se abrir pelas potências imperiais.Um século depois, a mesma aspiração reapareceu na linguagem da reforma e do engajamento. A conjuntura debilitou a China, numa negociação em que o objetivo era se manter unida.
Numa visão primária, quando a China se inseriu na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, a maioria em Washington bem como em Wall Street tinham convicção que a abertura da economia chinesa não só criaria um dos maiores mercados de exportação do mundo, como também reforçaria as premissas do sistema econômico global liderado pelos Estados Unidos.
A visão majoritária foi clara nas declarações do então presidente dos EUA, Bill Clinton, em 2000, em apoio à adesão da China à OMC. “Economicamente, este acordo equivale a uma via de mão única. Ele exige que a China abra seus mercados – que representam um quinto da população mundial e são potencialmente os maiores mercados do mundo – tanto para nossos produtos quanto para nossos serviços, de maneiras inéditas”, afirmou.
Entretanto o caminho foi outro , em vez de submissão ao modelo econômico estadunidense, a China inseriu um modelo liderado pelo Estado que Washington passou a encarar cada vez mais como um desafio estratégico, em vez de uma oportunidade. Diante do revés, foi no primeiro governo Trump, que implementou uma guerra comercial em 2018 e que agora no segundo providenciou ampliar em 2025, concluindo um novo paradigma, que a própria China havia se tornado o desafio.
Entretanto, se imaginaram a China como apenas um mercado, deveriam visitar a história e compreender como uma das grandes civilizações do mundo. Mas o gigante asiático que admiravam era, muitas vezes, uma China que mal conheciam e logo não entendiam sua vocação e pragmatismo. Cabe abrir citação para mais acadêmico chinês:
“Hoje em dia, os EUA esquecem facilmente que os Estados Unidos eram um país muito pequeno naquela época, quando tudo estava apenas sendo fundado”, declarou Wang Yuanchong, professor associado de história da Universidade de Delaware.“No início, a China era forte e os Estados Unidos eram pequenos, e essa situação só se inverteu gradualmente”, disse Wang.
Quando o navio Empress of China chegou, disse Wang, sua tripulação portava uma “carta marítima”, uma espécie de passaporte genérico, endereçado a ninguém em particular e que simplesmente listava todos os títulos que seus portadores conseguiam imaginar.
“Isso prova, na verdade, que eles não sabiam de nada”, disse ele.“Eles desconheciam completamente o sistema administrativo da China, sua sociedade, sua história e cultura. Simplesmente chegaram.”
É verdade afirmar que os burocratas da dinastia Qing, por sua vez, pouco sabiam sobre a nova república. Eles viam os visitantes estrangeiros através das antigas lentes imperiais de tributo e comércio.Dois séculos depois, a ignorância não é mútua , disse Wang. Segundo ele, um chinês comum consegue citar vários presidentes dos EUA, enquanto muitos norte-americanos “não conseguem citar um único líder chinês”.
Reportam historiadores para a imprensa do gigante asiático, que ao imaginarem a China, os estadunidenses também estavam construindo uma imagem de si mesmos. Em sentido inverso dos impérios europeus que dividiram a China Qing, a jovem república preferia se ver como uma potência mais progressista.Um dos motivos foi a presença relativamente discreta dos Estados Unidos na China durante o século XIX. Como título de exemplificação, ao contrário de outras potências ocidentais, como a Grã-Bretanha e a França, os EUA não anexaram colônias em território chinês e defenderam a Política de Portas Abertas, que preconizava igualdade de acesso comercial em vez de esferas de influência exclusivas.
Como relata Wang: em 1868, a corte Qing convidou o ministro estadunidense que estava de partida para a China, Anson Burlingame, para representar a China em uma missão ao Ocidente. Burlingame atuou como mediador entre a China e os países ocidentais e conquistou a confiança das autoridades chinesas.O Tratado de Burlingame que se seguiu reconheceu que os dois povos poderiam viajar entre os países em igualdade de condições e estudar no país um do outro.Posteriormente, os EUA devolveram parte da indenização da Rebelião dos Boxers para financiar escolas e bolsas de estudo para chineses estudarem na América, beneficiando a predecessora da Universidade de Tsinghua.
Mas os historiadores alertam que essa imagem de uma América mais benevolente omite muita coisa, lembra Xu, da Universidade de Hong Kong, argumentando que a diferença dos Estados Unidos refletia um genuíno senso de excepcionalismo. Tendo rompido recentemente com a monarquia britânica, os EUA se viam como fundamentalmente diferentes das potências imperiais europeias.“Os Estados Unidos menosprezavam os antigos países europeus”, disse Xu. “Eles os consideravam corruptos.”
Voltando à abordagem de Wang, da Universidade de Delaware, ao longo do século XIX, “o principal foco dos Estados Unidos na China era o comércio”. Não possuía guarnição na China como a Grã-Bretanha, e até tomar as Filipinas da Espanha em 1898, tinha pouca força armada real no Pacífico Ocidental, de acordo com Wang. “Era apenas um país que veio para compartilhar os despojos”, continua Wang. “Os que estavam na linha de frente eram principalmente a Grã-Bretanha, a França, a Rússia e a Alemanha.”
Já Gordon H. Chang, professor titular da cátedra Olive H. Palmer de Humanidades na Universidade de Stanford, fez um alerta semelhante contra a romantização do papel dos Estados Unidos.“É um mito que os Estados Unidos tenham concedido a indenização aos Boxers para favorecer a China”, disse ele, acrescentando que o cálculo do ex-presidente Theodore Roosevelt “era o de promover a influência de seu país na China”.
A visão de uma América inocente também não se encaixa bem com a experiência dos imigrantes chineses dentro dos próprios EUA. Milhares de trabalhadores chineses ajudaram a construir a ferrovia transcontinental, concluída em 1869. Outros milhares trabalharam na mineração, na agricultura e em pequenos negócios, disse Chang. Mas a sua contribuição foi rapidamente soterrada pelas políticas de exclusão.“O fato de ter sido esquecido, negligenciado ou acobertado faz parte dessa história de discriminação”, disse Chang. Se o comércio foi o primeiro sonho chinês da América, a transformação tornou-se sua ambição mais duradoura.
“A ideia de que os Estados Unidos devem moldar, transformar ou mudar a China é bastante arraigada”, disse Chang – primeiro transformando a China em um país cristão por meio de missionários, depois em um país capitalista e agora em um país não comunista.
Segundo ele, a ambição sempre foi seguida de frustração, porque “a China continua sendo o que é, independentemente do que os Estados Unidos desejam”.
A viagem de Richard Nixon à China em 1972 é recorrentemente abordada como uma virada realista, uma abertura estratégica destinada a equilibrar a União Soviética. Mas a normalização das relações diplomáticas em 1979, a visita de Deng Xiaoping aos EUA e a reforma e abertura da China logo incentivaram em Washington a ideia de que o próprio engajamento poderia transformar a China.
Assim sendo, os defensores da inserção argumentavam que o comércio, o investimento e a integração da China às instituições globais não apenas expandiram o comércio, mas também incentivaram gradualmente a liberalização política.A entrada da China na OMC tornou-se a expressão mais clara dessa crença.
A verdadeira estratégia que os estadunidenses verbalizaram como engajamento era possível de ser interpretada como uma tentativa de remodelar o sistema político da China. Essa suspeita foi reforçada pelo conceito da Guerra Fria de “evolução pacífica”, a ideia de que os governos comunistas poderiam eventualmente ser transformados pela disseminação gradual dos valores políticos ocidentais, em vez da força militar.
É uma dúvida profundamente enraizada na mente de gerações de líderes chineses, que repetidamente alertaram que o mesmo poderia acontecer na China – embora tanto o governo Biden quanto o governo Trump tenham assegurado a Pequim que não buscam uma mudança de regime.
Chang manteve-se cauteloso em relação a essas garantias.”Se Donald Trump pudesse estalar os dedos, é claro que ele gostaria de promover mudanças na China”, disse ele.
Se a intenção dos EUA era formatar a China, a história reservava outro sentido de realidade: o próprio equilíbrio de poder não permaneceria imutável. Quando os dois países se encontraram pela primeira vez no final do século XVIII, a China era a civilização mais antiga, rica e estabelecida. Os EUA eram uma república jovem e frágil, buscando seu lugar no mundo.
Atualmente, segundo a abordagem acadêmica oriental, muitos chineses veem a história como se estivesse dando mais uma volta. Em janeiro de 2021, poucos dias após os tumultos no Capitólio dos EUA, Xi Jinping defendeu o argumento de que “o Oriente está em ascensão e o Ocidente em declínio”, sinalizando a crescente confiança da China em seu modelo de desenvolvimento e em sua posição internacional. Neste início, a teoria tem sido propagada em todo o discurso oficial e popular chinês. Essa reviravolta também mudou a forma como Washington via o mundo.
Antes das duas guerras mundiais, e especialmente antes da segunda, disse Wang, os EUA nunca tiveram um rival global fixo. Tratar primeiro a União Soviética e depois a China como seu principal adversário, afirmou, foi uma lógica estratégica que surgiu somente depois que os EUA se tornaram uma potência global.Ele afirmou que definir outro país como um “inimigo principal” a ser administrado a longo prazo não tem sido uma constante em mais de dois séculos de contato sino-americano.
Se os EUA reinventaram a China repetidamente, a China também reinventou os EUA. Foi um contraponto, que levou as duas economias a uma integração e dependência mútua que gera conflitos e negociações periódicas.
Reportando a tempo presente, a realidade que se apresenta é que EUA e China travam conflitos globais, que estão longe de uma guerra tradicional. Por um lado, interesses opostos convivem com uma integração econômica real. As duas potências têm uma diversidade de searas que disputam, numa estratégia de golpear o adversário. Mesmo que seja impensável uma guerra no modelo conhecido de conflito aberto, deve-se relatar os pontos mais sensíveis que postam os Estados Unidos ainda como a nação mais poderosa do planeta que encontrou um força contra hegemônica na China.
Uma questão relevante como ferramenta de confronto está na seara financeira mundial. A vantagem do domínio do dólar e da rede SWIFT confere aos Estados Unidos uma posição de avanço estrutural e geopolítica significativa sobre a China. Esse poder permite a Washington monitorar fluxos financeiros globais e impor sanções severas — como o congelamento de reservas e a exclusão de bancos rivais do sistema internacional. Vantagens do Sistema dos EUA de controle de infraestrutura, se apresenta com ampla presença na maior parte das transações globais e compensações em dólar passa obrigatoriamente por bancos correspondentes nos EUA, dando jurisdição legal a Washington. Este paradigma permite um uso geopolítico, no que tange o acesso restrito ao sistema financeiro ocidental funciona como uma arma de coerção econômica sem o uso de força militar. Outro fator deste tema é a liquidez e confiança, para análise mundial,o mercado de capitais estadunidense e seus títulos do Tesouro ainda são vistos globalmente como o principal ativo de refúgio e estoque de valor.
Mesmo que os chineses tenham evoluído na tentativa de respostas a seu favor como a desdolarização, ainda perdura limitações. Pequim tenta mitigar essa vulnerabilidade incentivando o uso do yuan (renminbi) em acordos bilaterais de comércio exterior além de incentivar aliados do Brics a usar pagamentos ou transações em moedas nacionais, como efeito diminuindo a demanda de compra de dólares para utilizar em pagamentos transnacionais. Em alternativa, a China desenvolveu o sistema CIPS (Cross-Border Interbank Payment System) para transações em sua moeda, embora ele ainda dependa em parte de padrões da rede ocidental.Barreiras estruturais: O controle de capitais de Pequim e a falta de total conversibilidade do yuan impedem que ele desbanque o dólar no curto prazo.
A questão bélica, seja em qual momento da história, significa o poder de controlar nações e boa parte do planeta. Nesta questão, por mais que a Rússia e China se desenvolvam, são os Estados Unidos os poderosos num mundo revolto em conflitos. Não apenas é o poder militar, mas o controle tecnológico define quem pode comprar da nação estadunidense aparelhos, unidades e conjunções de armamentos que definem um guerra, ou em segunda hipótese, se defender do inimigo.Esta vantagem se mostra enorme , e se localiza no setor bélico de conglomerados de companhias com desenvolvimento muito elevado em relação aos concorrentes aos concorrentes europeus, chineses ou russos.
Entretanto,não se pode negar que o rápido avanço militar da China desafia a hegemonia global dos Estados Unidos,mas não sua posição de liderança atual. Enquanto os EUA apostam na superioridade tecnológica de ativos consolidados — como o caça furtivo F-35, o super porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford e o bombardeiro estratégico B-2 Spirit —, Pequim expande sua força naval e mísseis hipersônicos para o domínio regional no Indo-Pacífico. O Poderio Tecnológico dos Estados Unidos do caça F-35 oferece furtividade (stealth) de quinta geração e redes avançadas de dados, embora enfrente auditorias de manutenção e custos logísticos elevados.Porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78) é o maior navio de guerra do mundo, movido a energia nuclear, com catapultas eletromagnéticas (EMALS) e capacidade para mais de 75 aeronaves. O bombardeiro B-2 Spirité uma aeronave furtiva de longo alcance capaz de penetrar defesas aéreas sofisticadas com carga convencional ou nuclear.
Os Estados Unidos mantêm vantagem quantitativa e maturidade operacional com o F-35 Lightning II, somando mais de 1.300 unidades entregues e forte integração aliada. No entanto, a China reduziu essa diferença de forma acelerada ao introduzir caças furtivos de quinta geração como o J-20 e o J-35, desafiando o domínio aéreo dos EUA na região da Ásia-Pacífico. J-20 é um caça focado em longo alcance e superioridade aérea, projetado para negação de acesso regional e ameaçar linhas logísticas.Shenyang J-35 , já se mostra um bimotor, otimizado para operações em porta-aviões, mostrando a capacidade de Pequim em diversificar projetos de quinta geração. O avanço chinês aposta em vantagem geográfica local, mísseis de longo alcance (como o PL-15) e forte integração com defesas em terra, enquanto que os EUA alcançam uma capacidade global de confronto acima de qualquer rival.
Em contraponto o avanço e a estratégia da China na expansão naval, a levou ser a maior do mundo em número de cascos, contando com porta-aviões avançados como o Fujian (equipado com catapultas eletromagnéticas) e projetos de super porta-aviões nucleares em andamento. A estratégia A2/AD foca em mísseis hipersônicos anti-navio projetados especificamente para ameaçar e tentar neutralizar grupos de ataque de porta-aviões estadunidenses perto de sua costa. Na guerra eletrônica e de detecção alocou investimentos pesados em radares de longo alcance e contramedidas para rastrear ou desafiar a invisibilidade de caças furtivos rivais.Toda esta análise mostra como há diversidade no confronto EUA e China , em paralelo, uma interação em suas economias e disputa do mercado. Neste sentido, pode-se declarar que o inimigo não mora ao lado,mas participa globalmente das disputas, além de ser fornecedor e comprador de insumos, produtos e serviços do adversário.
Conclusivamente ,mas ainda sem final, ao analisar 250 anos de contato,em vez de evoluir gradualmente da amizade para a rivalidade, vive-se uma relação que tem oscilado repetidamente entre extremos de otimismo e medo. A realidade do equilíbrio depende da manutenção das relações abertas, mesmo com o aumento das tensões políticas. Sem troca, não há nada, pois a cadeia produtiva exige um do outro. Desde terras raras, até chips.
A ideia de que a China e os Estados Unidos deveriam se tornar grandes aliados não aparenta ser plausível. A China e os EUA se colocaram como rivais, inimigos, parceiros e colaboradores ao atravessar os dois séculos. Vale lembrar que a história é mutável, mas em patamares distintos, as duas nações continuam sendo necessárias, uma para a outra, e desse equilíbrio se forma a paz possível ao mundo.

 

FOTO: TÚLIO RIBEIRO

Colunista da Gazeta Hoje
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)

Auto do livro, O Caso Venezuelano(2016), e co-autor outros dois livros: A Integração da América Latina (Voume 1 e 2 – 2013-2014)

Graduação Economia UFBA
Pós graduação em contemporânea IUPERJ
Mestre em história PUC
Doutorado em geopolítica ( UBV Caracas)

 

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