Católicos abandonam nas urnas ex-padre averso a defesa do celibato

José Raimundo
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*Por Túlio Ribeiro

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O deputado pelo PT do Rio de Janeiro, Reimont Otoni, viu o fracasso eleitoral em 2026. O mineiro, estabelecido no Estado fluminense, não conseguiu renovar o mandato, fruto das pautas da defesa da igreja católica e a questão de os direitos humanos não terem sido identificadas pelo eleitor e nenhum avanço via sua atuação. Embora Reimont possua uma base construída ao longo de sua trajetória como vereador na cidade do Rio de Janeiro, às dinâmicas de votação no Estado exigem uma ampla distribuição de votos para garantir vagas diretas nas bancadas partidárias.

Como teólogo, franciscano, verbalizou ser defensor dos direitos humanos e das pautas ligadas aos movimentos populares. Reimont historicamente disputava o eleitorado progressista que dizia transitar por pautas sociais e religiosas no Rio de Janeiro. No entanto, o cenário atual mostra uma forte concorrência interna e externa nesse campo, com outras lideranças e frentes religiosas de esquerda conquistando espaço e atraindo fatias expressivas desse eleitorado. A disputa por votos dentro da federação partidária do PT e de partidos aliados é intensa no Estado. Com vagas limitadas pelo quociente eleitoral, as estratégias de concentração de votos em nichos específicos ou o apoio de máquinas partidárias majoritárias impactam diretamente na distribuição de cadeiras na Câmara dos Deputados.

Os católicos migraram para Chris Tonietto (PL) que foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro nas Eleições 2026, com 81.966 votos, o equivalente a 0,93% dos votos válidos no Estado; e na ALERJ Márcio Gualberto (PL) foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, com 50.804 votos, o equivalente a 0,58% dos votos.

Ao assumir o único mandato federal, Reimont não alcançou o protagonismo nem para searas que apontava defender. Sua maior exposição neste período foi de tentar impedir, na prática, uma mãe amamentar.

Em agosto de 2025, o parlamentar, na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, acionou o Conselho Tutelar de Brasília contra a deputada Júlia Zanatta (PL-SC). O motivo da representação foi o fato de a deputada ter levado sua filha bebê para o meio de um protesto de deputados da oposição, que ocupavam a mesa diretora do plenário da Câmara.

De acordo com a representação enviada por Reimont, a ação teve como foco zelar pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O deputado alegou que levar uma criança de colo para um cenário de tensão institucional, “baderna” e potencial risco físico configurava uma exposição indevida da integridade do bebê. A intenção do deputado de chamar os holofotes, não deu certo. Alcançou apenas 46.688 votos, o que não permite retornar em 2027. O eleitor gerou a perda da renovação de mandato por não se sentir representado.

Por sua vez, Júlia Zanatta rebateu na época as acusações nas redes sociais. Ela ressaltou que estava em licença-maternidade e foi chamada às pressas por colegas de bancada, necessitando levar a filha por estar em fase de amamentação exclusiva. A parlamentar acusou a esquerda e o deputado do PT de tentarem usar a situação politicamente para inviabilizar o exercício profissional de uma mulher e mãe.

A deputada Júlia Zanatta (PL) já foi eleita duas vezes para a Câmara dos Deputados. Nas Eleições de 2026, ela recebeu exatamente 560.223 votos em Santa Catarina. Com esse resultado oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 4 de outubro de 2026, ela conquistou o seu segundo mandato e se tornou a deputada federal mais votada da história de Santa Catarina, superando o recorde anterior do Estado. Sua primeira eleição havia ocorrido em 2022, quando obteve 111.588 votos. O alpinismo do petista não deu certo, ele sempre dependeu do coeficiente da legenda para se eleger, mesmo para vereador. No PT ele nunca foi identificado como um puxador de votos, era considerado um baixo clero eleitoral.

Quando o presidente Lula da Silva esteve preso 580 dias, nunca o visitou na detenção da PF. A história dos dois se cruzaram neste ano, veio de Lula, ao atacar os dogmas do celibato na igreja católica, uma situação ímpar para o parlamentar se restabelecer com os fiéis. Mas o deputado preferiu o partido do que apresentar uma defesa da fé católica e a escolha de suas normas dogmáticas. Outra vertente de sua história, foi exatamente a falta de adotar o celibato que provocou sua saída da instituição milenar.

O deputado federal Reimont (PT-RJ), envolvido em um relacionamento, abriu mão do celibato e deixou o exercício do sacerdócio na Igreja Católica. Ele foi padre franciscano capuchinho e atuou na Paróquia de São Sebastião, na Tijuca (Rio de Janeiro), até o ano de 2002. Reimont decidiu deixar a batina aos 42 anos de idade com o objetivo de ‘constituir família’.

Apesar de ter deixado o clero e hoje está casado, ele mantém a questão religiosa como seara eleitoral, embora sem autorização do oficialismo eclesiástico. Manifestava frequentemente se auto definindo como um “padre casado” e um teólogo franciscano que pauta seu mandato nos valores de fraternidade da fé católica. Os eleitores cristãos parecem que revogaram a crença em seu discurso.

FOTO: TÚLIO RIBEIRO

Colunista da Gazeta Hoje
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)

Auto do livro, O Caso Venezuelano(2016), e co-autor outros dois livros: A Integração da América Latina (Voume 1 e 2 – 2013-2014)

Graduação Economia UFBA
Pós graduação em contemporânea IUPERJ
Mestre em história PUC
Doutorado em geopolítica ( UBV Caracas)

 

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