A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) rejeita acordo e segue detida por forças israelenses na prisão de Ketziot, localizada no deserto de Neguev, ela nega a assinar uma documentação de deportação acelerada que é a prática em Israel, a informação foi transmitida por sua assessora no sábado (4). O modelo de documento faz parte de um paradigma comum no procedimento usado por Israel para expulsar estrangeiros de forma simplificada, sem a necessidade de audiência judicial.
Ela não era a única brasileira, um grupo de 14 formava dos que eram nascidos no Brasil, inclusive a vereadora do Psol de Campinas (SP), mariana Conti. A parlamentar integrava a flotilha internacional que tentou furar o bloqueio naval e terrestre feito por Israel com o objetivo de impedir o contrabando de armas para o grupo terrorista Hamas em Gaza. O objetivo do grupo de ativistas seria levar comida e mantimentos para a população civil. Israel publicou um vídeo em que no barco principal, não havia alimentos para doação , apenas muitas garrafas de bebidas alcoólicas abertas e comida de consumo usual.
Mas para Luizianne, o documento imposto pelas autoridades israelenses é “abusivo” e decidiu não assiná-lo por solidariedade aos demais brasileiros que também rejeitaram a deportação.
“Por sua trajetória na defesa dos direitos humanos, entendeu que sua responsabilidade ia além de sua própria situação — estando em solidariedade e unidade com os demais membros da delegação brasileira que não assinaram o documento”, afirma nota divulgada pela assessoria da deputada.
As audiências judiciais que analisam as prisões dos estrangeiros detidos estão previstas para ocorrer ainda neste sábado. O comunicado da parlamentar cobra a libertação imediata dos brasileiros: “Exigimos que o governo de Israel liberte imediatamente as brasileiras e os brasileiros detidos ilegalmente.”
Em postagens na sua rede social no dia 30 de setembro, a deputada afirmou que saiu da Sicília no dia 13 de setembro com destino a Gaza. Após ser detida por militares israelenses em uma embarcação, na última quarta-feira (1º), a deputada afirmou ter sido vítima de um suposto sequestro. Por sua vez, as forças israelenses afirmaram que os navios foram interceptados e os ativistas detidos sem que ninguém ficasse ferido. Os integrantes da flotilha foram levados para portos israelenses e aguardam serem deportados do país.
Por Tulio Ribeiro