Venezuela retalia o Brasil

José Raimundo
3 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro

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A Venezuela elevou em 11% a tarifa de importação sobre carros brasileiros, medida que entrou em vigor em 5 de maio de 2026. A decisão ocorreu sem um anúncio oficial e suspende os benefícios tarifários do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), que garantia tratamento preferencial aos veículos do Brasil.

Para o setor automotivo, o problema não está apenas no tamanho atual do mercado, mas no sinal que a medida transmite. A Venezuela ainda compra veículos brasileiros.

Principais detalhes da medida: Aumento de Alíquota: Estimativas indicam que a taxa sobre os carros brasileiros subiu de 9% para 20%.Perda de Competitividade: Com o fim da preferência tarifária, os modelos brasileiros passam a ser tributados como produtos de países sem acordos comerciais com a Venezuela.Modelos Afetados: Veículos populares exportados para o mercado venezuelano, como o Fiat Argo e Pulse, o Toyota Corolla e o Volkswagen T-Cross, perdem vantagem competitiva.São modelos de volume, com apelo urbano e posicionamento de preço sensível. Com o aumento da tarifa, parte da competitividade se perde.Na prática, produtos do setor automotivo entram com desconto tarifário expressivo. Ao elevar a tarifa de 9% a 20%, a Venezuela corrói o valor real desse benefício para o setor automotivo, encarecendo os produtos brasileiros frente aos concorrentes estrangeiros.

O problema é que a decisão venezuelana não surge isolada. No ano passado, as relações comerciais entre os dois países já haviam se deteriorado depois que a Venezuela suspendeu totalmente o ACE 69. Após uma queixa brasileira, os dois governos iniciaram negociações, ainda sem conclusão.

Contexto Diplomático e Econômico: Retaliação Política: Analistas do setor e fontes governamentais veem a medida como uma resposta ao veto do Brasil à entrada da Venezuela no grupo BRICS e ao não reconhecimento das eleições venezuelanas pelo governo brasileiro. Renegociação do Acordo: A suspensão ocorre em meio ao processo de renegociação do ACE 69. Em 2025, a Venezuela já havia suspendido integralmente o acordo, retomando as isenções dias depois após pressão brasileira. Impacto Financeiro: Embora o volume de exportações seja relativamente pequeno — cerca de US$ 34 milhões em 2024 — a medida gera insegurança jurídica para exportadores e importadores. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já busca esclarecimentos oficiais sobre a decisão para tentar reverter o impacto ao setor automotivo.

O entrave que chegou ao governo brasileiro por meio de de representantes do setor dos dois lados: exportadores brasileiros e importadores venezuelanos. O movimento é visto nos bastidores como uma “retaliação silenciosa” após o veto do Brasil à entrada da Venezuela no Brics e as tensões diplomáticas recentes.

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