Sauditas desafiam China e EUA, investem na América Latina para dominar o mercado mundial de cobre e lítio

José Raimundo
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A gigante do petróleo está acelerando sua expansão em minerais críticos — cobre, lítio e níquel — como parte de sua estratégia “pós-petróleo” e de seus esforços para construir cadeias de suprimentos industriais para veículos elétricos e baterias. Nesse empreendimento, o país tem se concentrado particularmente na América Latina, uma região com importantes depósitos e significativa capacidade de mineração, em um momento em que a transição energética está remodelando o poder global sobre matérias-primas estratégicas.

Evolução árabe ocorre em meio a disputas entre potências como os Estados Unidos e a China: garantir o fornecimento de minerais tornou-se uma prioridade para a economia e a segurança nacional. Naquele país latino-americano, as negociações com a estatal Codelco refletem essa competição pelo acesso à produção, à tecnologia e ao valor agregado, enquanto Riad busca se posicionar como um polo industrial ligado à eletrificação.

Segundo a Click Petróleo e Gás (CPG), a Arábia Saudita escolheu o Chile para avançar investimentos sobre o lítio. Em janeiro de 2025, o presidente da Codelco, Máximo Pacheco, confirmou que a mineradora estatal estava em negociações com as autoridades sauditas e a Manara Minerals — um veículo de investimento ligado à Ma’aden e ao fundo soberano PIF — para explorar oportunidades conjuntas no setor de cobre. Esse sinal é crucial porque a Codelco é a principal empresa de cobre no Chile, e seu envolvimento define o tom para acordos com impacto nacional.

Neste contexto, a mesma autoridade mineira saudita afirmou em 2024 que a Manara estava avaliando diversas opções de investimento na produção de lítio no Chile, reforçando seu interesse além do cobre. O Peru continua sendo uma possibilidade para empresas sauditas investirem em mineração ou energia no futuro, mas, por ora, o foco parece estar nos mercados minerais chilenos, segundo a Reuters.

O investimento no Chile está se configurando mais como uma estratégia de parcerias e joint ventures em projetos de cobre — participação em iniciativas, financiamento e cooperação tecnológica — do que como uma aquisição imediata de ativos existentes. A Reuters informou que as discussões contaram com a presença do ministro de mineração da Arábia Saudita e representantes da Manara, com ênfase na “criação de valor” por meio da colaboração, incluindo a incorporação de tecnologia avançada para as operações de mineração.

No setor de lítio, o interesse da Arábia Saudita está ligado à sua ambição de processar minerais e construir capacidade industrial: o Chile é um fornecedor natural devido às suas reservas e projetos em desenvolvimento. Paralelamente, a Arábia Saudita está avançando com sua própria agenda de maior participação estatal no lítio (por exemplo, por meio da parceria Codelco-SQM aprovada pelo órgão regulador da concorrência chileno), o que torna mais provável a entrada de novo capital estrangeiro no mercado por meio de parcerias estruturadas e não apenas por aquisições diretas.

O desdobramento econômico, nesta realidade que se aproxima seria duplo: financiamento para expansão (em um setor que exige grandes investimentos de capital e longos prazos de pagamento) e diversificação de parceiros em direção ao Oriente Médio, reduzindo a dependência de poucos compradores ou processadores. Em nível macro, o aumento do investimento sustenta o emprego e as cadeias de suprimentos (serviços, tecnologia, logística) e pode impulsionar iniciativas de valor agregado — como o aumento da capacidade de refino ou de indústrias associadas — em um contexto no qual o Chile busca obter mais receita e soberania sobre minerais críticos.

A entrada da Arábia Saudita na mineração latino-americana é interpretada como parte de uma estratégia de segurança de abastecimento: garantir o acesso a minerais para suas indústrias domésticas de baterias, veículos elétricos e metalurgia avançada. A Reuters documentou que a Arábia Saudita assinou acordos bilionários de mineração e metalurgia para consolidar sua transformação produtiva, reforçando a noção de que movimentos externos (como no Chile) fazem parte de uma política de Estado, e não de iniciativas isoladas.

Para a América Latina, o interesse da Arábia Saudita adiciona um novo ator à competição global, aumentando seu poder de barganha — mas também sua pressão — sobre os países que concentram cobre e lítio. No caso chileno, as negociações com a Codelco mostram que o cerne da disputa não é mais apenas “quem compra”, mas quem financia, participa, transfere tecnologia e captura as etapas de maior valor agregado da cadeia de suprimentos.

Além do Chile, a Arábia Saudita está expandindo sua presença no Brasil, mantém laços financeiros e de infraestrutura com a Guiana por meio do Fundo Saudita para o Desenvolvimento e também demonstra interesse no Peru, particularmente na área de mineração. Chile : Codelco e Arábia Saudita negociam cobre; Manara avalia opções de investimento em lítio.Brasil : A Manara concluiu um investimento de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para adquirir 10% da Vale Metais Básicos. Guiana : Empréstimos de US$ 150 milhões do Fundo Saudita para o Desenvolvimento para projetos de habitação e transporte; anúncios de maior cooperação. Peru : acordo de cooperação e investimentos em mineração (via canais oficiais) e expansão energética vinculados ao projeto Peru LNG (MidOcean/Aramco).

Assim se apresenta os produtos do Chile como destacado produtor de minerais essenciais para economias globais:

Cobre : ​​Principal matéria-prima para a fabricação de cabos elétricos e veículos elétricos, especialmente importante para a China e os EUA.

Lítio : Essencial para a produção de baterias para veículos elétricos, com alta demanda na China e nos Estados Unidos.

Molibdênio : Utilizado em ligas de aço e na indústria aeroespacial, sendo relevante para as grandes potências.

Prata : Utilizada em eletrônicos e joias, com grande impacto na China e nos EUA.

Ouro : Importante para as reservas internacionais e para a indústria eletrônica, relevante para as superpotências e para a Arábia Saudita.

Ferro : um insumo fundamental para a indústria siderúrgica, especialmente para a China e os EUA.

Nitratos : fertilizantes utilizados principalmente na agricultura pela China e pelos EUA.

Iodo : Utilizado em produtos farmacêuticos e eletrônicos, com demanda na China e nos EUA, e relevante para a Arábia Saudita.

 Por Túlio Ribeiro

 

 

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