*Por Túlio Ribeiro
A realidade nos mostra que iniciada a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, a guerra continua sem nenhum progresso concreto rumo a um cessar-fogo. A ofensiva contra a infraestrutura energética está exacerbando a crise humanitária e, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), o número combinado de vítimas russas e ucranianas pode chegar a 1,8 milhão e subir para 2 milhões até meados de 2026.
A população de Kiev, Dnipro e Odessa enfrentam prolongados cortes de água, aquecimento, internet e eletricidade, além de danos à infraestrutura civil após recentes ataques com mísseis e drones. Em pleno inverno, quando as temperaturas podem despencar para -14°C, segundo o Centro Hidrometeorológico da Ucrânia, o governo de Volodymyr Zelensky está realizando operações emergenciais para restabelecer os serviços e reparar a rede elétrica.
Outra verdade é mesmo o governo de Vladimir Putin afirme que suas forças atacam apenas instalações militares, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, denuncia que as operações afetam deliberadamente a população civil.
Nos últimos meses, os Estados Unidos lideraram o apoio internacional a Kiev com assistência financeira e equipamentos estratégicos, além de coordenar o apoio da OTAN e de parceiros europeus. No entanto, as tensões internas na União Europeia (UE) estão reacendendo o debate sobre a eficácia da estratégia conjunta contra Moscou.
Ao mesmo tempo, os EUA procuram contatos diplomáticos. Negociações trilaterais foram realizadas em Abu Dhabi e Genebra, com foco em questões territoriais e de segurança, mas sem resultados definitivos. Kiev indicou que uma nova rodada poderá ocorrer esta semana e prevê outra troca de prisioneiros, maior que a anterior, quando 157 detidos foram devolvidos por cada lado.
Na abordagem da Anistia Internacional a invasão russa desencadeou uma crise humanitária que viola os direitos humanos e a Carta da ONU. A organização alerta que o conflito gerou a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com milhões de pessoas deslocadas.
Em parecer conclusivo, Alonso Cárdenas, professor de ciência política da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, ressaltou que, apesar das múltiplas rodadas sem resultados concretos, a continuidade do diálogo demonstra que a diplomacia permanece ativa, embora o caminho para um acordo de paz seja complexo e lento. Em que pese a força russa e a resiliência europeia por receio do avanço do gigante euroasiático, o conflito chegou um patarmar que só as negociações poderiam encurtar uma provável derrota ucraniana com custos ainda maiores para os ambos lados.
Segundo o analista internacional Ramiro Escobar, uma solução negociada acarretaria um “alto custo político e territorial” para ambos os lados. Andrés Fernández Sanguza concordou que nenhum dos lados alcançou seus objetivos estratégicos: a Rússia busca consolidar sua esfera de influência e conter a expansão da OTAN, enquanto a Ucrânia se recusa a ceder território ou garantias de segurança. Nesse cenário, a diplomacia avança, mas não altera os interesses estruturais dos Estados envolvidos.
A guerra também teve repercussões econômicas e energéticas globais. A União Europeia (UE) reduziu sua dependência do gás russo e diversificou seus fornecedores, enquanto os Estados Unidos e o bloco europeu impuseram sanções financeiras e comerciais contra Moscou.
O custo para Europa é grande por ambição de inserir Ucrãnia nos seus limites para ameçar Moscou. Assim, vários países europeus aumentaram seus orçamentos de defesa e mantiveram o apoio militar à Ucrânia, numa mudança estratégica que redefine a segurança do continente.Milhões de pessoas continuam deslocadas e vastas áreas da infraestrutura ainda estão danificadas. Organizações internacionais estimam que a reconstrução custará centenas de bilhões de dólares e que a guerra tenha interrompido o comércio global. Os recursos desperdiçados para quitar vida é fruto da visão expancionista da OTAN, este termo é usado para descrever políticas, ações ou pessoas que visam a expansão territorial, econômica ou de influência de um estado ou nação. Mas ao final, vai gerar uma insegurança maior para Europa.
