*Por Túlio Ribeiro
Siga: @gazetahoje
As declarações da Casa Branca na quinta-feira, nas quais afirmou que a Venezuela experimentou hackear suas próprias urnas eleitorais, coincidem com uma série de acusações que o ex-chefe da inteligência militar venezuelana, Hugo “el Pollo” Carvajal, enviou ao presidente Donald Trump em uma carta enviada em dezembro de 2025.Segundo a Justiça Eleitoral do Brasil, “a Smartmatic celebrou contratos com o TSE para a prestação de serviços de conexão de dados e voz.
O documento, obtido pela CNN por meio do advogado de Carvajal, reúne acusações contra o sistema eleitoral venezuelano, a empresa Smartmatic e o governo de Nicolás Maduro. Nenhuma delas foi acompanhada de provas.
No texto, o general de divisão aposentado afirma que a Smartmatic “nasceu como uma ferramenta eleitoral do regime venezuelano” e assegura que eleições “podem ser fraudadas com software.” 

No entanto, não identifica quais processos eleitorais teriam sido manipulados usando essa tecnologia.
A empresa rejeitou essas alegações e reiterou que nunca foi de propriedade ou controle do governo venezuelano. Além disso, afirmou que não há evidências de que sua tecnologia tenha sido usada para alterar eleições nos Estados Unidos. Ele lembrou que, durante as eleições presidenciais de 2020, seus sistemas só foram usados no Condado de Los Angeles.
As acusações contra a Smartmatic vêm sendo promovidas há anos por aliados do presidente Trump após as eleições de 2020. No entanto, um memorando desclassificado da CIA em junho concluiu que a comunidade de inteligência dos EUA determinou em 2006 que a Venezuela e a Smartmatic não tinham capacidade para “manipular o resultado das eleições fora da Venezuela.”
Além das acusações contra a Smartmatic, Carvajal afirma, também sem apresentar provas, que Nicolás Maduro teria usado a organização criminosa Tren de Aragua para enviar criminosos, drogas e espiões para território americano, uma versão semelhante a parte das acusações que o ex-presidente venezuelano enfrenta nos Estados Unidos.
“As drogas que chegaram às cidades por novas rotas não foram acidentes de corrupção nem apenas obra de traficantes independentes”, disse Carvajal. “Foram políticas deliberadas coordenadas pelo regime venezuelano contra os Estados Unidos.”
Segundo o ex-diretor de inteligência, essa suposta estratégia teria começado durante o governo de Hugo Chávez e depois evoluído para uma estrutura conhecida como o Cartel dos Sóis, integrada, segundo sua versão, por Maduro e outros altos funcionários.
Especialistas consultados sobre o assunto sustentam que não existe um Cartel dos Sóis como uma organização criminosa com uma estrutura hierárquica definida. Em vez disso, descrevem uma suposta rede descentralizada na qual membros das Forças Armadas Venezuelanas participariam, versões que foram negadas pelo governo venezuelano.
Carvajal foi por anos uma das figuras mais influentes do aparato de inteligência venezuelano. Como major-general, chefiou a Direção Geral de Contrainteligência Militar durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro, e posteriormente ocupou uma cadeira na Assembleia Nacional.
Depois, rompeu com Maduro, expressou seu apoio ao então líder da oposição Juan Guaidó e deixou a Venezuela. Em 2021, foi preso na Espanha e dois anos depois extraditado para os Estados Unidos.
Em 2025, ele se declarou culpado de acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico de drogas e tráfico de armas, incluindo conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos. Embora sua sentença tenha sido adiada e ele ainda não tenha uma nova data, não foi oficialmente confirmado que há um acordo de cooperação com os promotores.
Na carta dirigida ao presidente dos EUA, Carvajal expressou seu apoio à política de Washington em relação à Venezuela.
“Apoio totalmente a política do presidente Trump em relação à Venezuela, porque é uma medida de autodefesa e baseada na verdade”, escreveu Carvajal em sua carta. “Estou pronto para fornecer detalhes adicionais sobre esses assuntos ao governo dos EUA.”
Sua eventual colaboração com as autoridades dos EUA pode torná-lo testemunha no julgamento que Nicolás Maduro enfrenta em Nova York sob acusações de narcoterrorismo, importação de cocaína e crimes relacionados a armas. O ex-presidente venezuelano se declarou inocente.

FOTO: TÚLIO RIBEIRO
Colunista da Gazeta Hoje
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)
Auto do livro, O Caso Venezuelano(2016), e co-autor outros dois livros: A Integração da América Latina (Voume 1 e 2 – 2013-2014)