A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, prometeram cooperar com o governo de Donald Trump antes da prisão de Nicolás Maduro pelas forças armadas dos EUA no sábado, 3 de janeiro, revelou o The Guardian.
Segundo fontes citadas pelo veículo de comunicação, Delcy e Jorge transmitiram secretamente, por meio de intermediários, a representantes dos Estados Unidos e do Catar, sua disposição em aceitar a saída de Maduro e em trabalhar com eles. Essas comunicações com o governo americano começaram no outono de 2025 e continuaram após uma ligação telefônica entre Trump e Maduro no final de novembro, na qual o republicano pediu ao ditador que deixasse a Venezuela. Maduro rejeitou a exigência.
Em dezembro de 2025, um estadunidense envolvido nas comunicações revelou ao The Guardian que Delcy Rodríguez disse ao governo dos EUA que estava preparada para agir. Segundo essa testemunha, a presidente venezuelana afirmou que ” Maduro tem que sair “. Outra fonte familiarizada com essas conversas acrescentou que ela declarou que apoiaria qualquer medida tomada após a saída dele.
As mesmas fontes indicam que Marco Rubio, Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional do governo Trump, mudou de ideia sobre a colaboração com figuras do regime chavista. Embora inicialmente duvidasse da viabilidade, acabou se convencendo de que as garantias oferecidas por Rodríguez eram a melhor maneira de evitar que o país mergulhasse no caos após a saída de Maduro do poder.
Até então, não havia relatos sobre a promessa de Delcy Rodríguez e seu irmão Jorge de cooperarem com os Estados Unidos antes da operação contra Maduro. Em outubro, o jornal Miami Herald noticiou que, em negociações mediadas pelo Catar que acabaram fracassando, Delcy havia proposto liderar um governo de transição caso Maduro concordasse em renunciar.
A Reuters, por sua vez, também informou que até mesmo Diosdado Cabello , o poderoso Ministro do Interior da Venezuela, que controla a polícia e as forças de segurança, manteve conversas com representantes dos EUA meses antes da operação militar.
Entretanto, todas as fontes consultadas apontam para uma diferença importante no compromisso de Delcy: embora ela e sua família tenham prometido apoiar os EUA assim que Maduro deixasse o poder, não concordaram em participar ativamente de um plano para derrubá-lo. Segundo essas fontes, a intenção dos irmãos Rodríguez não era orquestrar um golpe contra o ditador.
Assessores próximos a Trump realizaram conversas oficiais com Jorge e Delcy Rodríguez para discutir questões práticas, como a coordenação dos voos quinzenais nos quais os Estados Unidos repatriavam venezuelanos deportados, disseram duas pessoas ao The Guardian. Entre os assuntos que precisavam ser resolvidos estavam os aeroportos onde esses voos pousariam, a situação dos venezuelanos presos em El Salvador e o destino daqueles considerados presos políticos.
Ao mesmo tempo, Delcy mantinha uma relação pessoal muito próxima com pessoas do governo do Catar, onde alguns membros da família real a consideravam uma amiga. O Catar, um importante aliado dos EUA, havia presenteado Trump com um jato de luxo avaliado em US$ 400 milhões — um gesto sem precedentes de um país estrangeiro para um presidente. Essa boa relação com a Casa Branca facilitou o acesso de Rodríguez às negociações, nas quais ela participou discretamente, segundo duas das fontes. Somente um informante poderia ter dito a hora que Maduro e a esposa estavam prestes a entrar no bunker para dormir, o aviso partiu da atual presidenta Delcy Rodriguez.
Por Túlio Ribeiro