*Por Túlio Ribeiro
Siga: @gazetahoje
O ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, anunciou na quinta-feira(23) que mais de 12 mil policiais foram demitidos por suposto envolvimento em corrupção, em uma ação que ele descreveu como parte de um processo de expurgo dentro do sistema de segurança do Estado.
O anúncio foi feito durante a posse da Comissão Nacional para a Reforma do Sistema de Justiça Criminal, onde o funcionário também descreveu uma série de irregularidades que, segundo ele, têm afetado o funcionamento do sistema judiciário e penitenciário há anos.
Cabello afirmou que as demissões fazem parte de uma política contínua contra práticas como extorsão e abuso de poder dentro das forças de segurança.
“Demitimos mais de 12 mil policiais envolvidos em atos de corrupção”, afirmou. Como exemplo, mencionou um caso recente no estado de Lara, onde agentes em uma blitz policial teriam roubado o dinheiro de um cidadão.
“Os policiais que fizeram isso, que na verdade não merecem ser chamados de policiais, estão presos e foram levados à justiça”, disse ele.
Além das estatísticas, o ministro ofereceu uma avaliação crítica do sistema penal venezuelano, reconhecendo que, durante anos, este operou sob práticas distorcidas e irregulares. Ele explicou que, em muitos casos, os centros de detenção provisória — localizados em delegacias de polícia e instalações militares como a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e a CICPC — abrigavam mais pessoas do que as próprias prisões do país.
Nesse contexto, ele observou que havia atrasos prolongados nos processos judiciais, com detidos permanecendo por até seis anos sem serem levados a julgamento por delitos menores.
“O sistema prisional é muito perverso. Muito perverso”, admitiu ele.
Cabello também descreveu o que chamou de esquema para “reciclar” detidos, sustentado por práticas corruptas dentro do sistema judicial. “Eu levo você ao tribunal se você pagar. E é isso que temos desmantelado. Vários promotores e juízes foram demitidos e presos”, afirmou.
Outro ponto levantado foi o controle exercido pelas estruturas internas das prisões . Segundo o relatório, alguns detentos — identificados como “pranes” (líderes de gangues prisionais) — condicionavam a presença em audiências judiciais ao pagamento de suborno.
“Isso já não existe. Foi corrigido porque as pessoas que realizavam essa atividade estão sujeitas a um regime diferente”, assegurou ele.
Em relação às medidas adotadas, o ministro mencionou a implementação de audiências telemáticas como mecanismo para reduzir as demoras processuais, bem como o aumento da formação de novos agentes de segurança através da Universidade Nacional Experimental de Segurança (UNES), cujo número de candidatos — indicou ele — passou de 7.900 para mais de 32.000.
Ele também destacou a expansão dos chamados “quadrantes da paz”, um esquema de segurança territorial que, segundo suas declarações, já abrange mais de 80% do país com a participação de diversos atores institucionais e comunitários.
Apesar dos progressos observados, Cabello reconheceu que ainda persistem falhas estruturais no sistema. “Ainda há um longo caminho a percorrer”, admitiu, apontando que fragilidades permanecem em vários níveis dos sistemas judiciário e prisional.
