Banco Mundial destaca Argentina e fala num Brasil sem dinamismo

José Raimundo
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*Por Túlio Ribeiro

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O Banco Mundial (BM) prevê um crescimento económico do Brasil de 1,6% em 2026, uma desaceleração face aos 2,3% no ano anterior e a menor dos últimos cinco anos.

As informações constam no relatório “Panorama Económico da América Latina e o Caribe – Revisitando a política industrial: opções estratégicas para a atualidade” divulgado esta quinta-feira, 9.

O BM prevê ainda que a América Latina e as Caraíbas cresçam 2,1% este ano, três décimas menos do que em 2025, devido a um “contexto macroeconómico desafiante”, que implica elevados níveis de endividamento, procura externa fraca e pressões inflacionistas provocadas pela guerra no Médio Oriente.

Neste cenário, o organismo internacional elenca que a economia da Argentina se destaca, ao mesmo tempo em que o Brasil e o México “sofrem com a perda de dinamismo em meio a condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza em relação à política comercial”.

No relatório, o BM projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% para a Argentina já em 2026, contra os 4,4% do ano passado e o tombo de 1,3% em 2024, primeiro ano de gestão de Javier Milei.

Sobre o Brasil, a maior economia da América Latina, o Banco Mundial prevê que o país “desacelere ainda mais em relação a 2025, à medida que as condições financeiras restritivas—com as taxas de juros permanecendo elevadas até o início de 2026—e o ambiente externo fraco pressionam o crédito, o investimento e o comércio”.

“Consequentemente, uma melhora mais perceptível deverá ocorrer apenas se as condições monetárias se normalizarem e as pressões globais diminuírem”, informa o relatório.

No fim do mês de março, o Banco Central brasileiro manteve a projeção de crescimento em 1,6% para este ano, no entanto, a instituição monetária afirmou que a atual previsão está sujeita a “maior incerteza” diante dos efeitos da guerra no Médio Oriente.

Também à época, um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado apontou que o Brasil é uma das poucas economias mundiais que conseguem absorver o ‘stress’ do mercado por causa do conflito no Médio Oriente.

“Economias avançadas com mercados de capitais domésticos profundos e alguns exportadores de matérias-primas com reservas significativas — como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, ou produtores latino-americanos de matérias-primas como o Brasil e o Equador — conseguem absorver melhor o ‘stress’ do mercado, mesmo não estando imunes a prémios de risco mais elevados”, frisou o FMI.

No seu relatório de abril sobre os prognósticos econômicos para a América Latina e o Caribe, divulgado nesta semana, o Banco Mundial afirmou que mantém perspectivas “limitadas” para o crescimento da região em 2026 e fez diagnósticos antagônicos sobre Brasil e Argentina, respectivamente a primeira e a terceira economias latino-americanas.

“As perspectivas de crescimento da América Latina e do Caribe (ALC) para 2026 permanecem limitadas, apesar de condições de financiamento global ligeiramente mais favoráveis ​​e preços de commodities ainda sustentados. A falta de melhora em relação a 2025 traduz perspectivas mais fracas para muitas economias e implica em ganhos de renda per capita praticamente nulos”, afirmou o Banco Mundial.

O banco destaca que “a Argentina emergiu como a principal exceção positiva, visto que a estabilização e as reformas melhoraram as expectativas e as condições financeiras”.

Neste contexto, o Banco Mundial disse que o Brasil e o México (segunda maior economia latino-americana) “enfrentam um ritmo de crescimento mais lento em meio a condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incertezas em relação à política comercial”.

Sem esquecer  Argentina, o Banco Mundial elogiou “focos de dinamismo” entre economias menores da América Latina e do Caribe, ao afirmar que o Paraguai “continua a superar a média regional” e que Costa Rica, El Salvador, Guatemala e Honduras “mantêm um crescimento comparativamente robusto”.

Já o país destaque em segurança pública, El Salvador, governado pelo presidente Nayib Bukele, teve exaltado também seu positivo momento mencionado no relatório.“Em El Salvador, as melhorias no ambiente de segurança coincidiram com uma maior atividade no turismo, no comércio varejista e nos investimentos em setores voltados ao comércio exterior, ainda destacou  a entrada robusta de remessas que impulsionaram a liquidez interna, amenizando restrições de longa data à atividade econômica”, disse o Banco Mundial.

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