*Por Túlio Ribeiro
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O Psol mostra na eleição de 2026 que abandonou o projeto de poder que todo partido com ética e propósito deveria ter como objetivo. No Rio de Janeiro, Estado onde ele tinha mais força, ele alcança apenas 1% (instituto Quaest de 29/9), que pode ser zero na margem de erro da pesquisa. Em Pernambuco ele repete 1% com o jornalista Ivan Moraes, enquanto na Bahia 0,6% com ambientalista Mansur.
O partido aposta em candidatos satélites do lulismo, nunca conseguiu reeleger um dos prefeitos que eventualmente teve nos seus quadros. Sua vocação não é administrar. E a população fluminense, que em outros tempos abraçou o partido, agora rejeita ao perceber que os quadros que disputam as majoritárias, são apenas candidatos para cumprir uma cartilha burocrática. O objetivo está em fazer uma bancada mínima que garanta recursos do fundo partidário.
No estado petroleiro, o Psol indicou o vereador William Siri. Ele se apresenta como economista, mas não se encontra um livro nem dados sobre a seara teórica que supostamente deveria elaborar para Brasil ou estado, a visão se limita a conhecer seu bairro ou semelhante à Campo Grande, e discursar sobre questões metropolitanas da capital. No debate para candidatos ao governo do Estado da Rede Globo (29/9), apenas se limitou a criticar o trem que, segundo ele, demorava quatro horas para chegar na universidade gratuita às 7;20 da manhã. inexiste projeto com embasamento e planejamento de desenvolvimento, que é mínimo de se esperar de um economista. A cada citação de buracos ou a conta de água mais cara, ele concluía clamando por estatização. Será que não chega ao diretório do Psol que alcançamos uma dívida pública de 82,9% do PIB, onde cada brasileiro ao nascer recebe um compromisso de responsabilidade monetária de 51 mil reais? Claro que não, por sua escolha leviana de prometer, sem responsabilidade de gerar os recursos!

O Psol usa a eleição apenas para conseguir alcançar votos através da propaganda eleitoral pública e plantar futuros deputados. Pouco para quem usa recursos do contribuinte. Os eleitores não se sentem representados, permitindo um patamar próximo de zero por cento. É um partido parlamentar de minorias, portanto recorrentemente minoritário.
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) nasceu em 2004 como resultado da maior dissidência interna da história do Partido dos Trabalhadores (PT), motivada pela insatisfação com os rumos do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente voltou a ser um apêndice do PT, seu quadro maior é o ministro Boulos, aliado incondicional do mesmo Lula da Silva, o mais petista dos psolistas. Ao se anular no antigo líder, ele se limita a ser uma dezena de votos na Câmara dos Deputados e cargos públicos. O que negaram no passado, praticam atualmente.
O PSOL surgiu com a promessa de resgatar a “essência” que, segundo seus fundadores, o PT havia abandonado ao chegar ao poder. Suas principais promessas e bandeiras eram o Socialismo Democrático com a construção de uma alternativa socialista que rejeitasse tanto o capitalismo quanto o modelo burocrático soviético.
A Coerência de Esquerda, ou seja, manter-se fiel às pautas históricas da classe trabalhadora, recusando alianças com partidos de centro e de direita (o chamado “fisiologismo”). Hoje o Psol divide cargos com o ‘Centrão’ no governo Lula da Silva. Convive na administração com quem combatia
Outra vertente era o combate às reformas neoliberais: prometiam barrar privatizações e reverter reformas que retirassem direitos trabalhistas e previdenciários. O PT comumente pratica as PPA’s, que na prática é um modelo de privatização.
Na questão financeira, defendia ‘auditoria da dívida pública’. Questionar e auditar o pagamento dos juros da dívida pública, argumentando que esses recursos deveriam ir para saúde, educação e reforma agrária. atualmente não há nenhuma ação sobre isso, ficou nos discursos.

Entretanto, a mais aparente contradição está na ética na política, portanto, adotar uma postura de tolerância zero com a corrupção e com o modelo de governabilidade baseado no “toma lá, dá cá”. Hoje, empresta apoio ao governo do PT (com inúmeras denúncias de corrupção), por participação de cargos e ministérios. Toda essa desconstrução do paradigma resultou na baixa capilaridade eleitoral, que se tornou um partido de nichos do identitarismo, com quadros sem experiência administrativa, portanto sem capacidade para ser governo e propositivo atuante. Esta é a razão de ter perdido todas as prefeituras que alcançou, e foram poucas.
O PSOL no Rio de Janeiro é o exemplo. Ele enfrenta num cenário de desafios nas campanhas executivas e debates internos sobre suas alianças com o Partido dos Trabalhadores (PT). Assim como os brasileiros que voltam para casas dos pais por não conseguirem se sustentar frente à crise de renda, o Psol volta ao lulismo para ser mais do mesmo, fracassou em ser diferente e submerge em votações paliativas.

FOTO: TÚLIO RIBEIRO
Colunista da Gazeta Hoje
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)
Auto do livro, O Caso Venezuelano(2016), e co-autor outros dois livros: A Integração da América Latina (Voume 1 e 2 – 2013-2014)
Graduação Economia UFBA
Pós graduação em contemporânea IUPERJ
Mestre em história PUC
Doutorado em geopolítica ( UBV Caracas)