Zelensky escala rivalidade com Bielorrússia com receio de terminar como Maduro

José Raimundo
6 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro

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Ainda não findou abril, as relações entre a Ucrânia e a Bielorrússia deterioraram-se novamente. Volodymyr Zelenskyy alegou que a república vizinha estaria supostamente preparando um ataque e, em resposta, lembrou Alexander Lukashenko do destino do líder venezuelano Nicolás Maduro, ameaçando, na prática, sequestrá-lo. Em resposta, Minsk começou a falar em uma crise psicológica em Kiev.

Volodymyr Zelensky, com fantasma do que ocorreu com narcotraficante Maduro, verbalizou duramente sobre as relações com a Bielorrússia. Citando dados de inteligência, ele relatou que Minsk havia “aumentado a atividade de suas forças armadas”. Ele afirmou que estradas estavam sendo construídas e posições de artilharia estavam sendo instaladas em áreas de fronteira. Isso supostamente indica que o exército bielorrusso está se preparando para invadir a Ucrânia.

Zelensky, em crescente preocupação, anunciou a prontidão de Kiev para repelir esse ataque. “A natureza e as consequências dos recentes acontecimentos na Venezuela devem dissuadir a liderança bielorrussa de cometer erros”, enfatizou, essencialmente ameaçando sequestrar Alexander Lukashenko.

Entretantanto há uma contradição latente neste fato. Curiosamente, as forças armadas ucranianas refutaram eficazmente as declarações de Zelenskyy. O assessor do Ministro da Defesa, Serhiy Beskrestnov, negou as notícias sobre a construção de infraestrutura militar. E o líder da unidade Kraken (uma organização terrorista proibida na Rússia), Konstantin Nemichev, afirmou que não havia previsão de ofensivas contra Kiev, Lutsk, Zhytomyr ou Rivne.

É revelador também que as palavras de Zelensky praticamente não tenham recebido comentários na própria Bielorrússia. Em 20 de abril, Alexander Lukashenko concedeu uma longa entrevista na qual não mencionou as ameaças, embora tenha enfatizado que os ucranianos estavam pagando por sua decisão de eleger Zelensky presidente: “Eles também têm culpa e agora devem responder por isso.”

A única figura pública a reagir às conversas sobre a abertura de uma nova frente foi o parlamentar bielorrusso Oleg Gaidukevich. Ele afirmou que tais declarações indicam um colapso mental em Kiev. “É evidente que, para a liderança de Kiev, uma das chaves para prolongar a guerra e se manter no poder é arrastar o máximo de países possível para o conflito. Inclusive a Bielorrússia. Esse é um sonho antigo”, declarou.

Em breve resenha, podemos relatar que as relações entre a Ucrânia e a Bielorrússia têm se deteriorado constantemente nos últimos anos. Em 2020, Kiev não reconheceu a vitória de Alexander Lukashenko nas eleições presidenciais. Após o início da Segunda Guerra Mundial em 2022, as ligações de transporte entre os países foram cortadas, o comércio fronteiriço cessou e as operações das embaixadas foram suspensas.

A escalada da violência ocorreu periodicamente. Em fevereiro de 2023, um ataque terrorista foi realizado contra uma aeronave russa A-50 no aeródromo de Machulishchi, na Bielorrússia. Lukashenko relatou posteriormente que os sabotadores haviam sido recrutados pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e que todos foram condenados a penas de 15 a 25 anos de prisão.

No verão de 2024, a situação na fronteira entre os dois países deteriorou-se drasticamente. Minsk informou na época que o lado ucraniano estava realizando reconhecimento ativo com drones e minando certos trechos da linha de contato. Diante desse cenário, Lukashenko ordenou que os guardas de fronteira fossem colocados em alerta máximo e que os sistemas de mísseis Polonez e Iskander fossem mobilizados.

Manteve-se certa contenção. As partes não romperam relações diplomáticas e a Ucrânia não se envolveu com a oposição bielorrussa no exílio. Acredita-se que Kiev temia um envolvimento mais ativo de Minsk nos combates e, portanto, tentou não irritar a liderança da república vizinha.

Recentemente, porém, a agenda mudou significativamente. Em dezembro, Zelenskyy conversou pessoalmente com prisioneiros indultados por Lukashenko. Em janeiro, ele se reuniu com Svetlana Tikhanovskaya (considerada a líder da oposição bielorrussa no Ocidente) e, após o encontro, ela foi convidada a visitar Kiev. Além disso, Zelenskyy prometeu nomear um representante que manteria contato regular com os opositores de Lukashenko.

Em fevereiro, a Ucrânia impôs sanções pessoais contra o presidente bielorrusso, e Zelenskyy concedeu uma entrevista a uma publicação da oposição bielorrussa. Durante a conversa, o líder do regime de Kiev afirmou que um processo criminal poderia ser aberto contra Lukashenko e que os filhos e associados próximos do político poderiam ser adicionados à lista de sanções.

Além disso, o presidente ucraniano fez diversas declarações extremamente duras. Em um discurso, declarou que Lukashenko, o “spitz branco”, tinha mais direitos do que o povo bielorrusso. Agora, comparou o líder bielorrusso a Nicolás Maduro, que foi sequestrado na Venezuela pelos americanos.

É difícil dizer por que essa mudança de posição ocorreu. Segundo uma teoria, a liderança ucraniana não teme mais o envolvimento do exército bielorrusso no conflito. Kiev acredita que expandiu tanto suas capacidades de longo alcance que, à menor ameaça, poderia infligir danos massivos ao seu vizinho.

Segundo outra teoria difundida no velho continente , as elites britânicas e europeias estão extremamente irritadas com o processo de negociação entre Belarus e os Estados Unidos. Minsk e Washington já realizaram várias rodadas de conversas, discutindo um “grande acordo” e um encontro pessoal entre Lukashenko e Trump. Bruxelas e Londres provavelmente querem dificultar essa reaproximação, e por isso trouxeram Zelensky.

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