O presidente da Federação de Centros Universitários (FCU) da Universidade Central da Venezuela (UCV), Miguelángel Suárez, exigiu que a presidente interina, Delcy Rodríguez, acelere a libertação dos presos políticos no país, com ênfase especial nos mais de 200 jovens e professores universitários detidos por motivos políticos.
A reivindicação surgiu durante a visita oficial de Rodríguez ao campus, quando Suárez e um grupo de estudantes interromperam a agenda da prefeita com demandas diretas. Em seu discurso, o líder estudantil apelou para a formação compartilhada que, em sua visão, os une: “Senhora Reitora, a senhora tem uma oportunidade para todo o país no que diz respeito à libertação de presos políticos. A senhora, como ex-aluna da UCV, assim como o Professor Jesús Armas”, afirmou Suárez, referindo-se a uma figura emblemática para a comunidade universitária.
Rodríguez respondeu com um apelo à responsabilidade de todos os atores políticos e mencionou que sua administração está trabalhando em um “programa de convivência democrática”, instando-os a manter a “responsabilidade” no exercício da política, e criticou algumas organizações não governamentais por “cobrarem das famílias dos detidos”, o que — afirmou — “deve acabar”.
Pressão acadêmica busca liberdade e clareza sobre a libertação de presos.
O tom do diálogo tornou-se mais tenso quando Suárez voltou a expressar preocupação com a situação das famílias que aguardam há semanas notícias de seus entes queridos do lado de fora das prisões. Seu apelo não se concentrou apenas na libertação dos estudantes, mas também na dos professores universitários que permanecem detidos, uma questão que tem sido destacada por diversas organizações e famílias devido à falta de transparência nas listas de soltura.
“Essas pessoas estão sofrendo. E nossos professores estão sofrendo. Estão sofrendo terrivelmente”, declarou Suárez, enquanto um grupo de estudantes que o acompanhava entoava slogans como: “O senhor é daqui professor. O senhor é daqui, é aluno da UCV como nós. O senhor deveria ter compaixão. Pela liberdade de todos os presos políticos.”
A reunião tornou-se mais conflituosa quando Rodríguez tentou retomar a fala e foi interrompido por Suárez. “Mas deixe-me falar, deixe-me falar. Eu ouvi você. O problema é que se você não escuta… chega de manipulação. Isso custou caro a este país. Ele sofreu agressão militar. Chega!”, retrucou o presidente interino, visivelmente irritado.
Ao concluir seu discurso, Suárez concentrou-se na comunidade docente venezuelana, denunciando que a perseguição política não se limita aos estudantes: “Há uma lista de professores”, e de “800 pessoas”, afirmou, referindo-se a professores universitários que também foram afetados por prisões e demissões arbitrárias no contexto da crise política e das tensões em torno do processo de libertação de presos.
O episódio destaca a crescente pressão dos estudantes universitários venezuelanos sobre as autoridades, num momento em que familiares e ativistas intensificaram as exigências pela libertação de presos políticos, enquanto as libertações continuam, as quais, segundo diferentes fontes, ainda geram discrepâncias entre os números oficiais e os das organizações da sociedade civil.
Por Túlio Ribeiro