BRASIL X ÍNDIA

José Raimundo
5 Min Leitura

O que Brasil e Índia têm em comum? Estamos acostumados a ver o pior lado da Índia. A imagem que nos chega é de pessoas à margem do Rio Ganges se banhando ou realizando cerimônias fúnebres. Vemos, igualmente, total falta de higiene no preparo dos alimentos, casamentos arranjados e vacas na rua, no meio dos carros. O que não vemos, por absoluta falta de cultura, é o lado “A” desse lindo país, com cultura milenar. Só para se ter uma ideia, a Índia tem a maior produção cinematográfica do mundo, denominada Bollywood, que a junção das palavras “Bombaim” (antigo nome de Mumbai) e “Hollywood. São filmes de todos os tipos. Aliás, aproveitando a ocasião, poucos sabem que a Nigéria é uma grande produtora de cinema. No google encontramos: “O cinema nigeriano, conhecido como Nollywood, é um dos maiores do mundo e surgiu nos anos 80 com a produção de vídeos caseiros devido à crise do cinema tradicional. Sua indústria é hoje a segunda maior geradora de empregos no país, focada em temas como romance, traição e críticas sociais, e valoriza a cultura nigeriana em suas narrativas e estética. A indústria se tornou autossuficiente, utilizando principalmente produções de baixo orçamento e distribuindo-as em formatos digitais e plataformas de streaming, como a Netflix”.

Conforme dito, muitos não sabem por falta de interesse, ou por falta de cultura mesmo. A Índia também tem um grande parque industrial químico, principalmente remédios e o “Vale do Silício Indiano” em Bangalore. Trata-se de um centro tecnológico global conhecido por sua alta concentração de empresas de tecnologia da informação, startups e um ecossistema de inovação vibrante.

Sim, é bem verdade que algumas coisas, para nós ocidentais, pode parecer estranha ou absurda, como por exemplo a diferença das pessoas em castas. Leis vêm mudando esse sistema, o problema é a aplicação na prática. Assim como no Brasil, sofrem com a violência urbana.

E no campo militar? Essa é a questão primordial deste texto. Para além da tecnologia em muitas áreas, esse país tão lindo é um grande produtor de equipamentos militares. No site “Forças militares e capacidades de defesa de da Índia”, encontramos:

“A Índia produz uma variedade de equipamentos militares, incluindo o caça Tejas, o míssil de cruzeiro BrahMos, o fuzil de assalto INSAS, o sistema de defesa aérea Akash e o helicóptero de ataque LCH Prachand. A indústria de defesa indiana tem um foco crescente em desenvolvimento próprio e exportação”

. Um país que produz caças e tem armas nucleares deve ser respeitado.  Produz, ainda, tanques, blindados leves, o jipe Mahindra, submarinos, da classe Scorpene, assim como o Brasil e encontra-se em desenvolvimento o submarino nuclear (também como o Brasil). Por fim, a “jóia da coroa”, dois porta-aviões em serviço: o INS Vikramaditya, um navio de classe Kiev (russo) modernizado e adquirido da Rússia, e o INS Vikrant (fabricado na Índia)”.

Cá prá nós, merece ou não nosso respeito?

E o Brasil? Como já dissemos em texto anterior, no campo militar procura se igualar às maiores potências do mundo ou pelo menos àquelas dos países em desenvolvimento, para ser mais específico, aos membros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Temos um grande parque industrial, montadoras de automóveis, veículos militares produzidos em solo brasileiro, como por exemplo submarinos e aviões de última geração e, conforme prometido pelo governo atual, teremos nosso porta aviões, construído por aqui, até dois mil e trinta. Já existem planos de aquisição de um usado até o ano que vem. Com essa belonave teremos a hegemonia no atlântico sul.

Mas, por que a comparação com a índia? Porque temos as mesmas mazelas, mesma distribuição de renda desigual. Entretanto, os dois países não se acomodaram e passo a passo saem de suas posições em direção a um novo mundo, um local onde seus habitantes tenham acesso à educação, saúde, transporte e tudo o mais. Um Estado do “bem comum”, assim como nos países mais evoluídos. Esses países já alcançaram um status onde esses avanços conquistados não retroagem. Tanto faz um governo de direita ou esquerda, pouca coisa muda. O que já foi obtido não tem a menor chance de ser deixado de lado. Qualquer governante que queira mudar isso será deposto imediatamente.

Prá frente Brasil!

Paulo Bandeira

Advogado, Filósofo e Historiador

 

 

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