Uma Cuba livre não é um sonho e sim uma questão de tempo

José Raimundo
14 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro

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A questão que se debruça os historiadores e especialistas é se  o comunismo vai finalmente cair em Cuba? Quando Trump vai tomar alguma atitude? ”
A conclusão que mais se apresenta é  que o regime cubano está em seus últimos suspiros. São fatos, são dados. E Donald Trump, com sua política de pressão máxima de fato implementada neste segundo mandato, pode muito bem ser o catalisador que finalmente derrubará o que a incompetência e a corrupção comunista já destruíram por dentro.
Três coisas fundamentais que nunca haviam coincidido com essa força
Primeiro : o colapso energético é irreparável dentro do modelo atual. Cuba opera atualmente com um déficit estrutural brutal de eletricidade. A demanda máxima chega a 3.000 megawatts, enquanto o sistema mal gera cerca de 1.200 ou 1.300, na melhor das hipóteses. Trata-se de um déficit de mais de 50% que não pode ser resolvido com medidas paliativas ou retórica vazia. As usinas termelétricas de Cuba são sucatas da era soviética, das décadas de 1970 e 80, que ninguém modernizou porque o Estado carece de capital e, sobretudo, porque o comunismo não permite investimento privado real ou concorrência. Em 2025 e até agora em 2026, vimos repetidos apagões em todo o país, de 18 a 36 horas ou mais em muitas províncias, hospitais cancelando cirurgias, escassez de água devido à falta de combustível para as bombas e lixo se acumulando nas ruas. Esta não é uma crise temporária. É um sistema morto que o regime mantém vivo por meio de aparelhos de suporte à vida, enquanto culpa o “bloqueio”.
Segundo : a Venezuela, a tábua de salvação histórica, acabou. Por mais de duas décadas, o petróleo venezuelano, primeiro sob Chávez e depois sob Maduro, foi o sustento da economia cubana. Até 2025, cerca de 26 mil barris por dia ainda chegavam. Mas em 2026, após a intervenção dos EUA que depôs Maduro do poder, esse fluxo foi completamente interrompido. Ninguém mais envia petróleo subsidiado para Havana. O México tentou preencher a lacuna, mas com Trump na Casa Branca, isso também tem prazo de validade. O regime ficou sem o apoio que o mantinha vivo. E isso, meu amigo, dói.
Terceiro : A geração que cresceu com a internet não tem medo, e o descontentamento é implacável. O 11 de julho de 2021 demonstrou que algo mudou para sempre no DNA da resistência cubana. Milhares foram às ruas em mais de 40 municípios gritando “Liberdade” e “Pátria e Vida”. O regime reprimiu, prendendo mais de 1.400 pessoas, e muitas permanecem presas até hoje. Mas a semente foi plantada. Em 2025, foram registrados mais de 11.000 protestos, denúncias e manifestações contra o regime. Em 2026, vimos protestos com panelas batendo em Havana, manifestações em diversas cidades e, em Morón, pessoas que chegaram ao ponto de atacar e vandalizar uma sede do Partido Comunista, fartas dos apagões e da fome. O medo não é mais o mesmo. E uma vez que se vai, jamais retorna da mesma forma.
Esses três fatores juntos — colapso energético irreversível, perda total do apoio venezuelano e um povo que perdeu o medo — nunca haviam ocorrido simultaneamente com essa intensidade. É por isso que hoje é diferente.
O otimismo ingênuo de acreditar que Trump enviará os fuzileiros navais e que em uma semana Cuba estará livre, e o pessimismo paralisante de dizer que os Estados Unidos nunca foram capazes de derrotar Cuba e nunca serão são abordagens recorrentes e opostas. A realidade está mais próxima do primeiro extremo do que muitos gostariam de admitir.
Trump já havia demonstrado em seu primeiro mandato que a política de pressão máxima funciona como uma ferramenta de estrangulamento econômico. Mas neste segundo mandato, que começou em janeiro de 2025, ele não ficou só na conversa. Ele assumiu o cargo com Marco Rubio como Secretário de Estado — filho de exilados cubanos e um dos políticos anticastristas mais ferrenhos que Washington já viu — e implementou uma verdadeira campanha de pressão: endureceu as sanções financeiras, reativou o Título III da Lei Helms-Burton, gerando processos contra empresas estrangeiras que negociam com bens roubados, reincluiu Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo e — o mais eficaz de tudo — impôs restrições reais ao fornecimento de combustível, que levaram o sistema elétrico cubano à beira do colapso total.
O regime pode continuar gritando “bloqueio” até ficar rouco. Mas a realidade é que seu modelo dependente e parasitário está ficando sem fôlego. Trump não precisa invadir nada. Ele só precisa continuar apertando onde dói: combustível, finanças, remessas para o Estado e pressão diplomática para impedir que alguém venha em socorro de Havana.
É de fácil conclusão  que as sanções por si só não derrubaram o regime. Mas as sanções não são uma varinha mágica: são uma ferramenta de pressão que funciona em conjunto com outros fatores. E o que mudou é que hoje, pela primeira vez na história, esses outros fatores estão todos alinhados contra o regime.
Consideremos a África do Sul. O apartheid não caiu apenas por causa das sanções internacionais, mas sem elas teria durado muito mais tempo. As sanções sufocaram a economia, aceleraram a crise interna e criaram as condições que deixaram o regime racista sem saída. Cuba não é a África do Sul, mas o princípio é o mesmo: as sanções por si só não bastam, mas sem elas, o processo demora o dobro do tempo.

E há um fator que o regime cubano nunca enfrentou com essa força: a emigração massiva e imparável. Desde 2021 e 2022, mais de um milhão de cubanos deixaram a ilha, muitos para os Estados Unidos, outros para outros países. Isso representa quase dez por cento da população votando com os pés. Quando as pessoas emigram em números tão expressivos, o que elas estão dizendo é que não acreditam mais que as coisas vão melhorar. Esse é o indicador mais honesto do estado de um regime: pessoas decidindo partir sabendo que provavelmente nunca mais verão suas famílias.
O modelo comunista cubano não tem solução dentro de suas próprias regras. Não se trata de precisar de uma reforma aqui ou um ajuste ali. Ele foi concebido desde a sua base para concentrar todo o poder em uma elite parasitária e bloquear qualquer mecanismo que permita a prosperidade individual.
O que Cuba teria que funcionaria se fosse libertada? Terras férteis, uma localização geográfica privilegiada, uma população instruída e fica a 145 quilômetros do maior mercado do mundo. O que lhe falta? Exatamente o que o comunismo destrói: liberdade econômica, propriedade privada, estado de direito, acesso real ao capital e um sistema judiciário independente.
O Índice de Liberdade Econômica de 2026 da Heritage Foundation classifica Cuba com 25,2 pontos em 100, colocando-a em 175º lugar entre os 176 países avaliados, em pé de igualdade com a Venezuela e quase tão bem quanto a Coreia do Norte. Isso não é uma opinião. É uma medição baseada em uma metodologia publicada e verificá
Enquanto o comunismo persistir, não importa quanta ajuda externa receba ou quantos turistas acabam se queimando de sol em Varadero: a economia não funcionará. A liberdade econômica não é um capricho ideológico da direita. É a condição mínima para uma sociedade prosperar. Sempre foi.
Os Estados Unidos sabem disso. É por isso que a pressão de Washington não se limita a sanções econômicas. Ela também representa o modelo alternativo, a demonstração concreta a 145 quilômetros de distância, do que uma sociedade que defende a liberdade individual, o mercado e o Estado de Direito pode alcançar. Miami, com sua economia dinâmica e próspera comunidade cubana, é o argumento mais poderoso contra o castrismo que existe. Não precisa de discursos. Basta existir.
Infelizmente ainda não se tem uma data. Qualquer um que diga que o regime cairá em seis meses ou dois anos está simplesmente perdido em devaneios. Regimes totalitários têm uma capacidade de resiliência que desafia as previsões porque estão dispostos a fazer o que nenhum governo democrático consegue: atirar em seu próprio povo, prender seus melhores cidadãos e sacrificar o bem-estar de toda uma nação para se manterem no poder.
Mas a lógica nos diz algo muito importante: um regime que não consegue fornecer eletricidade, que não consegue alimentar seu povo, que está perdendo população a um ritmo histórico, que perdeu seu principal patrocinador regional e que enfrenta a pressão mais sustentada e eficaz de Washington em décadas, esse regime está operando em tempo emprestado.
Assim não há dúvida se o regime vai cair. A questão é quando e como. E isso depende de variáveis que ainda estão em constante mudança: por quanto tempo o regime conseguirá se manter sem o petróleo venezuelano, quão resoluto Trump permanecerá, se a China ou a Rússia decidirão investir pesadamente em Cuba ou simplesmente continuarão fazendo negócios lucrativos sem assumir compromissos reais e, acima de tudo, quando o povo cubano decidir que já chega.
O 11 de setembro mostrou-nos que um momento como esse pode chegar de repente, sem aviso prévio, como aconteceu na Europa Oriental em 1989. Ninguém previu que o Muro de Berlim cairia em novembro daquele ano. Ele caiu porque as condições estavam propícias e tudo o que faltava era a faísca.
Em Cuba, as condições estão mais propícias do que nunca. E com Trump na Casa Branca exercendo pressão real, e Rubio no Departamento de Estado com o histórico cubano gravado em sua alma, a faísca tem mais probabilidade de se acender do que em qualquer outro momento nos últimos 30 anos.
Todo momento onde se previa o fim do regime, este encontrava uma maneira de sobreviver por mais algum tempo, agarrando-se ao poder e usando a repressão como sua única ferramenta. Entretanto desta vez há algo diferente no ar. Não é uma visão ilusória disfarçada de análise. É a sensação de que os pilares que sustentavam esse sistema estão desmoronando de uma só vez: energia, economia, patrocínio estrangeiro, coesão social e medo.
O comunismo cubano não entrou em colapso com a morte de Fidel. Nem com o 11 de julho. Mas cada um desses golpes o deixou mais fraco, mais isolado, mais desacreditado aos olhos do seu próprio povo e mais exposto à sua miséria deliberada.
Trump não vai libertar Cuba com uma ordem executiva. Mas isso pode ser um peso adicional — e muito grande — sobre uma estrutura já fragilizada até os alicerces. E em algum momento, como acontece com qualquer prédio que desaba, não é preciso um terremoto. Basta o empurrão certo na hora certa.Esse momento está se aproximando. E desta vez, existem mais razões do que nunca para acreditar nisso.

TÚLIO RIBEIRO
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)

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