Lula desfila para arquibancadas vazias e juízes recorrem do golpe contra Lava Jato

vazioA principal data do país deu lugar a um vexame ao vivo para o governo Lula. Mesmo convocando partidários, o presidente Luiz Inácio e Janja tiveram de acenar para arquibancadas vazias, talvez buscando o 'homem invisível'. Parecia jogo de futebol que o time mandante é penalizado pela justiça por algo e obrigado jogar sem torcida. A primeira desculpa foi devolver o caráter institucional ao desfile, mas foi muito silêncio que ecoou pelo Brasil num dia demasiadamente representativo. Logo os apoiadores de Lula que verbalizaram que as participações recordes de 2021 e 2022 aconteceram não por Jair Bolsonaro e sim pelo simbolismo da data. Seguindo esta lógica, o que ocorreu em 2023? Até a assessora de Lula, Amanda Klein, diante do óbvio admitiu quando comentava em entrevista à Jovem Pan TV. " A gente tem de constatar pelas imagens que não tem povo, vemos pelas grades que nos outros anos anteriores tinha mais gente, nós sentimos falta dos civis". A uma certa altura pode-se ver os militares distribuindo cachorro-quente para militantes com a camisa do MST.

Mas Lula sofre de uma dependência tão grande do Centrão que não foi somente esta vergonha. Ele, que já tinha trocado a ministra do turismo por pressão parlamentar, teve de   'sacar fora Ana Moser' do Ministério do Esporte, e até chamou o vice Geraldo Alckmin para relatar que teria de retirar ou ele ou Márcio França do ministério, devido cota do PSB, para cumprir seus acordos nada republicanos. Quem pode, indiferente do nome, demitir um vice-presidente eleito de uma pasta que ele foi convidado? Não deu outra, o ex-governador de São Paulo e ex-prefeito de São Vicente-SP teve de aceitar um ministério a ser criado formalmente e perdeu o importante que era o de portos e aeroportos. A questão é se a nova pasta será micro ou pequena. Uma ironia repetida nos corredores por se chamar oficialmente Ministério da Micro e Pequena Empresa.

Marcio França de pronto devolveu a ingratidão ao 'comemorar a chegada do novo partido na base do governo', em post na rede social. Ele disse que: “Saúdo Lula por trazer para o governo Tarcísio e seu partido para nos apoiar. O Brasil voltou”. Uma jogada do presidente Lula (PT) para acomodar Silvio Costa Filho (Republicanos) e agradar ao Centrão.  A publicação foi feita com uma foto entre Lula e Tarcísio de Freitas (Republicanos) se cumprimentando e sorrindo.

O descaso maior foi com Ana Moser, grande desportista, pois nem citou ela na comunicação do novo titular. O médico e deputado federal André Fufuca (PP-MA), filho do prefeito de Alto Alegre do Pindaré, assumiu a pasta.  Ana Moser, desabafou e disse sentir “tristeza e consternação” após a sua demissão. 'É o abandono do esporte', lamentou afirmando que não aceitaria novo convite do governo Lula. Com as mudanças o Governo Federal espera contar com o Republicanos e o Progressista como base aliada nas próximas votações no Congresso Nacional. Não logrará êxito, pode ter uma parte já inserida nos acordos das emendas. Os novos nomes são bem piores dos anteriores, é quando se aclara que as pastas serão usadas para beneficiar poucos, e a maioria perder. Nesta lógica lulista errada por apoio, qualquer reforma ministerial deve ser insuficiente visando aumentar a governabilidade no Congresso, é uma inércia de demandas que tende aumentar.

No desgovernado Brasil, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) deverá recorrer, no início da semana que vem, da decisão do ministro Dias Toffoli que anulou as provas da Odebrecht na Lava Jato. A tendência é que a entidade não irá contestar todos os pontos da decisão. O foco do recurso é principalmente a ordem de investigação sobre magistrados, o que poderia, em tese, atingir não apenas o ex-juiz Sérgio Moro, mas também Gabriela Hardt, que o auxiliava na 13ª Vara Federal de Curitiba, desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

Na mesma linha, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que representa os membros do Ministério Público Federal, também deve recorrer da decisão, para proteger integrantes do órgão que trabalhavam nas negociações do acordo de leniência. Foi divulgada uma nota rebatendo as acusações do ministro, incluindo a de que teria ocorrido “tortura psicológica” para extrair confissões de “inocentes”. A ANPR sustenta que a Constituição garante aos procuradores investigações isentas, conduzidas pelos próprios órgãos de controle, e não pela Advocacia-Geral da União (AGU) e Tribunal de Contas da União (TCU), vinculadas ao Executivo e ao Congresso, respectivamente. Atestaram principalmente cópias dos sistemas que geriam e registraram pagamentos de propinas para políticos, doleiros e lobistas que facilitavam os negócios da empresa com o poder público.

AGU é atualmente chefiada por Jorge Messias, cotado pelo presidente Lula da Silva para a próxima vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Homem de confiança do petista, ele ficou conhecido em 2016, quando foi mencionado pela então presidente Dilma Rousseff numa conversa telefônica com Lula. É quando a história dá uma volta, o errado vira o certo, e o correto passa a ser culpado. Afinal os subornos ocorreram, ou foi miragem?

Por Tulio Ribeiro

 

 

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