Fontes da embaixada colombiana na Venezuela confirmaram à Rádio Caracol que as autoridades venezuelanas prenderam Alex Saab em uma operação realizada às 2h30 da manhã. A operação foi coordenada com o FBI (Departamento Federal de Investigação) e Saab está agora sob custódia do SEBIN (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), órgão responsável pela detenção do empresário.
As informações disponíveis até o momento indicam que a prisão ocorreu dentro da Venezuela e faz parte de uma operação incomum envolvendo agências americanas. O procedimento gerou reações imediatas devido ao perfil de Saab e seus laços estreitos com o ex-presidente Nicolás Maduro. As autoridades não divulgaram detalhes oficiais sobre as acusações ou as medidas legais subsequentes.
Em entrevista exclusiva ao El Espectador, Luigi Giuliano, advogado de Alex Saab e Camilla Fabri, desmentiu as notícias que circularam nas últimas horas, classificando-as como “notícias falsas”. “Estive com ele esta manhã; ele está tranquilo em Caracas e vou vê-lo novamente esta tarde”, afirmou. Segundo Giuliano, o ex-ministro está calmo e permanece em Caracas.
Giuliano também expressou sua confusão quanto à origem da informação que começou a circular na mídia venezuelana e foi divulgada inicialmente pela Rádio Caracol. No entanto, a Reuters apresenta uma versão diferente: a de que o empresário colombiano-venezuelano foi preso em uma operação conjunta entre autoridades venezuelanas e americanas.
Alex Saab nasceu em Barranquilla em 21 de dezembro de 1971 e é descendente de libaneses. Sua relação com o Estado venezuelano começou no início dos anos 2000 por meio de negócios ligados à construção civil e ao comércio exterior. Com o tempo, seu nome passou a ser associado a contratos de importação de alimentos e outros produtos.
Sua notoriedade cresceu devido à sua ligação com o programa Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), responsável pela distribuição de alimentos subsidiados na Venezuela. Diversas investigações internacionais o identificaram como figura-chave nessas operações comerciais, que envolviam fornecedores de vários países.
O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirmou repetidamente que Saab facilitou acordos com empresas no México, Turquia, Colômbia e outros países. Segundo a versão oficial, esses acordos garantiram o fornecimento de alimentos apesar das sanções internacionais. Em 2018, o governo de Nicolás Maduro o nomeou enviado especial da República Bolivariana da Venezuela.
Essa nomeação lhe concedeu status diplomático e gerou controvérsia internacional. O anúncio coincidiu com processos judiciais em andamento fora da Venezuela, que o descreviam como suposto testa de ferro do governo e operador financeiro em esquemas de importação superfaturada.

O caso de Alex Saab já havia ganhado notoriedade internacional em 2020, quando ele foi preso em Cabo Verde e posteriormente extraditado para os Estados Unidos. As autoridades americanas o acusaram de conspiração para lavagem de dinheiro e de fazer parte de uma rede de corrupção ligada ao programa CLAP.
Saab ficou preso nos Estados Unidos entre outubro de 2021 e dezembro de 2023. Sua libertação ocorreu após um indulto presidencial assinado pelo então presidente Joe Biden. Posteriormente, em março de 2024, os tribunais americanos rejeitaram definitivamente as acusações contra ele.
Documentos judiciais indicaram que o juiz federal Robert Scola aprovou o arquivamento de oito acusações. Estas incluíam acusações de conspiração para lavagem de dinheiro e participação em um esquema para gerar custos inflacionados na importação de alimentos subsidiados.
A decisão encerrou formalmente o processo criminal nos Estados Unidos. No entanto, a figura de Saab permaneceu ligada a controvérsias políticas. Sua subsequente nomeação como Ministro da Indústria e Produção Nacional em outubro de 2024 e sua saída do cargo semanas depois precederam o novo episódio que agora o coloca novamente sob custódia na Venezuela. A operação foi americana, com ajuda do governo de Delcy Rodriguez e que deve ser levado para os Estados Unidos.
Por Túlio Ribeiro