Paraguai atrai capital, empresários brasileiros e até assinatura do acordo com UE

José Raimundo
12 Min Leitura

Vislumbramos a situação que chegamos diante de uma carga tributária que no patamar de 37%, uma fiscalização implacável sobre empresários e um Estado inchado que beira o déficit de 84% do PIB Neste contexto o governo do Paraguai atua fortemente na geração de emprego e atrai os empresários do Brasil, não apenas para guardar ou aplicar dinheiro, mas  para uma ação mais importante que é industrializar o país vizinho que já tem um agronegócio crescente devida capital e tecnologia brasileira. O Brasil que já foi mais rico que a China e Coreia do Sul, era grande aposta de futuro no nosso continente , agora vê os empresários brasileiros montarem complexos produtivos no paaraguai pela segurança jurídica, ambiente de negócios e custos menores. Não é normal seguir o caminho do governo brasileiro que inchou o Estado, gasta sem controle e ainda trata os empresários como vilões.

Alguns dados são exemplos da razão de os brasileiros mudarem para o país vizinho. O salário mínimo no Brasil era de 1518 reais em 2025 enquanto no Paraguai era 2250 reais. Um apartamento de dois no centro de uma cidade de porte  gira em torno de 2500 reais enquanto no vizinho 1500 reais. No Brasil uma peça de picanha custa 120 reais, enquanto no vizinho custa 60 reais e vem da Argentina. No Brasil uma faculdade de medicina privada custa 10 mil reais e no Paraguai 1200 reais sem vestibular. Uma conta básica de energia que no nosso país chega a 300 reais na mesma KW é 80 reais. Um Iphone no Brasil ‘Pró Max’ de 250 gigas enquanto lá é 7500. Um Ipva no Brasil é 4% do valor aplicado num carro de 100 mil gera 4000 reais de pagamento enquanto vizinho o valor fixo de 350 reais. Uma moto elétrica de 1000 W custa 9 mil reais enquanto lá é 4000. Um plano de saúde no Brasil para adulto jovem é de 850 reais em média, enquanto no Paraguai chega a 350 reais.São dados sujeitos a alterações cambiais, mas importantes. São argumentos reais que atingem o cotidiano das pessoas e mostra como algo está errado na escalada taxação no Brasil.

O avanço do Paraguai chegou a política, o presidente vizinho se negou  inaugurar a segunda ponte em Foz do Iguaçu, simplesmente por a realidade mostrar que ela estava pronta há bastante tempo. Lula da Silva foi sozinho inaugurar catracas e sair mais cedo irritado com a queda de energia no evento.

A repercussão nas redes sociais paraguaias ganhou força após Assunção sediar a assinatura do maior acordo comercial já firmado pelo Mercosul, reacendendo disputas simbólicas, comparações econômicas e ironias direcionadas ao Brasil em meio ao novo equilíbrio político e comercial do bloco sul-americano.A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e a União Europeia, realizada no sábado, 17, em Assunção, desencadeou uma onda de reações nas redes sociais, especialmente no Paraguai, onde usuários passaram a provocar o Brasil e a interpretar o episódio como um gesto de protagonismo regional.

O contexto formal do ato é conhecido. A escolha do local seguiu o critério institucional do bloco: o Paraguai exerce atualmente a presidência rotativa do Mercosul, função transmitida em rodízio semestral entre os Estados-membros, seguindo a ordem alfabética.O Brasil ocupou o posto até o fim do ano passado, quando a presidência passou a Assunção, e o Uruguai será o próximo país a assumir. O que irritou Lula da silva, ele queria o protagonismo.

A realização da cerimônia em Assunção foi, do ponto de vista institucional, um procedimento esperado. Especialistas ouvidos pela CNN destacaram que o local não foi resultado de decisão estratégica isolada, mas consequência direta da presidência pro tempore paraguaia no Mercosul.Os países fundadores do bloco – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – revezam a chefia semestralmente desde a criação do mecanismo. Esse sistema define não apenas a coordenação política, mas também a sede de reuniões e atos formais de maior relevância.

Há, contudo, um elemento histórico frequentemente citado no debate. Assunção também foi a cidade onde, em março de 1992, os países-membros assinaram o Tratado que deu origem ao Mercosul.Analistas apontam que essa coincidência temporal e geográfica reforçou, simbolicamente, a percepção de centralidade do Paraguai no momento atual, ainda que não tenha influenciado a decisão oficial.

A ausência de Lula e a leitura política nas redes sociais: o principal fator de tensão identificado nas reações digitais foi a ausência do presidente brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, na cerimônia em Assunção. Em vez de comparecer ao ato, Lula manteve agenda no Rio de Janeiro, onde se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um encontro separado.

Nas redes sociais paraguaias, especialmente no X, essa decisão foi interpretada de diferentes formas, mas a maioria viu o ato do presidente do Brasil como desrespeito.Usuários afirmaram que o Brasil teria demonstrado desconforto com o fato de a assinatura ocorrer sob a presidência paraguaia do Mercosul, atribuindo à ausência presidencial um gesto de desdém ou rivalidade regional.

Algumas postagens sugeriram que o governo brasileiro preferiria que o acordo fosse formalizado durante o período em que Lula presidiu o bloco, leitura que passou a circular como narrativa recorrente entre perfis políticos e nacionalistas.“Isso foi um desrespeito ao Paraguai. Eles queriam que o acordo fosse assinado durante a presidência temporária de Lula, e agora demonstram incômodo porque a assinatura ocorreu sob nossa liderança“, destacou outro comentário no X.

Parte significativa dos comentários analisados resgatou episódios históricos sensíveis na relação entre Brasil e Paraguai, em especial a Guerra da Tríplice Aliança.Embora o conflito do século XIX não tenha relação direta com o acordo comercial contemporâneo, ele foi evocado em mensagens que reforçam a ideia de superação histórica e afirmação soberana do Paraguai no cenário regional.”agora somos potência global”, ironizavam o Brasil nas redes paraguaias.Em alguns textos, usuários afirmaram que o país deixou de ocupar um papel secundário na América do Sul e passou a exercer protagonismo diplomático.Outros associaram a assinatura do acordo a uma espécie de reparação simbólica, destacando a liderança paraguaia no momento como motivo de orgulho nacional.

Esse tipo de discurso, embora restrito ao ambiente digital, contribuiu para ampliar o alcance emocional do evento, deslocando o foco do conteúdo técnico do acordo para interpretações identitárias e políticas.

“Sabemos que incomoda o fato de o Paraguai está assumindo um papel de liderança e ser uma potência global. Eles nos prejudicaram na Guerra da Tríplice Aliança, mas nunca conseguiram destruir este país. A história tem uma dívida com o Paraguai, e ela será paga mais cedo ou mais tarde,” disse um usuário.

Entre os comentários mais compartilhados, a decisão de Lula de se encontrar com Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro, às vésperas da assinatura oficial em Assunção, foi descrita como um “desplante” diplomático.Usuários afirmaram que o gesto indicaria tentativa de centralizar o protagonismo brasileiro em um momento que, formalmente, caberia ao Paraguai.

Essa percepção foi reforçada pelo contraste entre as agendas. Enquanto Assunção recebia presidentes e representantes de países do Mercosul, além de autoridades europeias, o Brasil promovia um encontro paralelo de alto nível, sem participação dos demais chefes de Estado do bloco.

Do ponto de vista diplomático, especialistas ressaltam que encontros bilaterais paralelos não são incomuns em negociações multilaterais. No entanto, o momento escolhido acabou sendo interpretado politicamente nas redes, alimentando leituras de exclusão ou competição.

No plano oficial, o tom foi distinto do observado nas redes. O presidente do Paraguai, Santiago Pena, comentou publicamente a ausência de Lula de forma irônica, afirmando que o líder brasileiro provavelmente acompanhava a assinatura do acordo pela televisão.A declaração foi vista como um recado diplomático calculado, sem romper com a formalidade institucional, mas evidenciando o desconforto com a não participação brasileira no evento central da presidência paraguaia do Mercosul.

Apesar disso, não houve registro de protestos formais ou questionamentos oficiais por parte do governo paraguaio sobre a condução do Brasil, indicando que a controvérsia permaneceu, até o momento, concentrada no campo simbólico e comunicacional.

Enquanto as discussões se intensificaram nas redes, o conteúdo do acordo em si ficou em segundo plano no debate público imediato. O tratado é resultado de mais de duas décadas de negociações e envolve temas sensíveis como acesso a mercados, tarifas, regras ambientais e compromissos regulatórios.A assinatura representa um marco para o Mercosul, independentemente do local ou da presença de determinados líderes. Analistas destacam que o impacto econômico e político do acordo tende a se desdobrar ao longo dos próximos anos, superando disputas pontuais de protagonismo.

Nesse sentido, o episódio evidencia como eventos diplomáticos formais podem ganhar camadas adicionais de significado quando atravessados por disputas narrativas nas redes sociais.

A médio e longo prazo, a tendência é que a controvérsia perca força à medida que a implementação do acordo avance e novas agendas regionais ocupem o debate público. Ainda assim, o episódio deixa um registro relevante sobre como símbolos, ausências e escolhas de agenda podem ser amplificados em contextos de alta polarização digital. Para além das provocações e leituras emocionais, o evento reforça a centralidade do Mercosul como espaço de coordenação política e econômica, no qual regras institucionais seguem determinando decisões formais, mesmo quando interpretações paralelas ganham destaque nas redes sociais. O Brasil, com o governo Lula, perdeu nesta seara também.

Por Túlio Ribeiro

 

 

 

 

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