Por Túlio Ribeiro*
Na Venezuela, o poder não emana do povo, mas se limita à sua soberania, conforme previsto na Constituição. Em sua história recente, o território venezuelano tem sido uma plataforma para o tráfico massivo de drogas nos Estados Unidos e na Europa, atividades desestabilizadoras nas Américas, terrorismo, lavagem de dinheiro e tráfico de armas, ouro, coltan, diamantes e terras raras, sempre com o apoio de organizações criminosas e da guerrilha colombiana. Este artigo especial analisa a situação crítica do país sob a perspectiva de vários escritores, especialistas em suas respectivas áreas.
Diante da gravidade em torno das ações do governo dos Estados Unidos para declarar guerra ao narcotráfico e, em particular, ao regime tirânico de Nicolás Maduro, que identificamos como uma Organização Criminosa Transnacional, mantivemos conversas interessantes com diversas pessoas com conhecimento no assunto. Uma das mais interessantes e importantes foi com um oficial das Forças Armadas da Venezuela, um Major-General, cujo conceito de “soberania” está enraizado em sua carreira, graças à clareza de conceitos que nenhum venezuelano, civil ou militar, deve esquecer.
Assim, na Venezuela opera um regime de fato que ocupa ilegalmente o território, pratica terrorismo e apoia alianças com grupos paramilitares, a guerrilha colombiana — que controla mais de um terço do território nacional — e organizações estrangeiras como o Hezbollah. Também recebe assessoria da Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica, de contingentes cubanos e até de militares russos que, trajando uniformes venezuelanos, foram denunciados na mídia internacional.
Diante da fraude de Julho passado contra o embaixador González Urrutia, vencedor de fato com 70% dos votos, um golpe de Estado contínuo foi tramado com a posse de fato de Nicolás Maduro. Em um país sem garantias cívicas, com ingovernabilidade generalizada e falta de atenção às necessidades básicas da população, pode-se afirmar com certeza que a Venezuela não é uma república democrática capaz de relações internacionais legítimas. Durante anos, o território venezuelano tem sido uma plataforma para o tráfico massivo de drogas nos Estados Unidos e na Europa, atividades desestabilizadoras nas Américas, terrorismo, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, ouro, coltan, diamantes e terras raras, sempre com o apoio de organizações criminosas e da guerrilha colombiana. Isso transformou o país em uma ameaça para todo o continente americano.
Inspetora-Geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou neste agosto, que o governo Donald Trump havia dobrado a recompensa pela captura de Nicolás Maduro para US$ 50 milhões. Incluindo o “Cartel dos Sóis” na lista de organizações terroristas, juntamente com o grupo criminoso transnacional conhecido como Trem de Aragua. Essas ações levam a uma conclusão óbvia: a Venezuela perdeu sua soberania. Hoje, a Venezuela está ocupada por uma aliança de forças ilegítimas; o país deixou de ser uma república democrática e se tornou a base de operações de uma organização criminosa transnacional. O poder na Venezuela não emana do povo.
No Brasil, entre todas as organizações criminosas brasileiras, o PCC, além de ser a maior, é a mais profissionalizada. Altamente hierarquizada, funciona como um relógio e é a que mais está infiltrada na política, seguindo o caminho das máfias italianas. Parecia ser apenas problema de periferia em 15 de maio de 2006, quando saí de um restaurante da Faria Lima, onde havia almoçado com colegas de trabalho, e me deparei com a avenida em polvorosa. A história de sucesso do PCC é a história do fracasso de um país. Assim como as facções adversárias, ele foi impulsionado pela ausência, pela incompetência e pela cumplicidade do Estado brasileiro, nas suas diferentes instâncias — cumplicidade ideológica, inclusive, porque a esquerda, que se mantém à frente do governo Federal. Lula que trava o discurso da soberania, esqueceu de garantir a nossa segurança e soberania interna. Governo Lula coleciona suspeitas de articulação com o crime organizado.
No dia 26 de junho deste ano, Lula e uma comitiva do governo visitaram a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, onde o presidente anunciou medidas habitacionais. No entanto, quem intermediou a ida do presidente ao local foi uma ONG ligada ao PCC.A Associação de Moradores da Comunidade do Moinho é liderada pela irmã de “Léo do Moinho”, que é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como líder do tráfico na região. Flávio Dino – hoje ministro do STF nomeado por Lula – entrou no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, para participar de um evento de uma ONG sem nenhuma obstrução e sem a realização de operação policial. O acesso do então ministro de Lula ao local seria impossível. Não tem nenhum cidadão no mundo que entre na Maré com dois carros grandes, com insulfilm, sem a anuência e a concordância do narcotráfico. Tanto que para a PM ou qualquer outra força policial entrar é só com blindados, com uma operação grande, com helicópteros. No primeiro ano da nova gestão Lula, Luciane Barbosa Farias, conhecida como a “dama do tráfico amazonense”, integrante do Comando Vermelho, foi recebida duas vezes por assessores do então ministro Flávio Dino, no prédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.
Diante disso, indica uma confluência de interesses entre os faccionados e essas autoridades, mesmo que essa relação tenha se estabelecido de forma tácita. Ou seja, os traficantes permitem eventos em áreas que controlam porque acreditam que o daquele político será mais benéfico para suas atividades. Maduro e Lula perderam a soberania de seus países internamente. No Brasil, com 72 facções, o PCC e CV são forças na economia, política, financeira e dominam um país dentro da nação. A diferença entre os dois é que o venezuelano é chefe do Cartel do Soles que remete drogas para os EUA, e Lula legítimo, apenas um presidente perdido a cada território que sucumbe para as multinacionais do crime. O país caribenho e o gigante do continente, já são guiadas efetivamente por organizações mafiosas de formas distintas.
*Túlio Ribeiro é economista, mestre em história e doutor em política estratégica.