O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou na sexta-feira que a Venezuela precisa de reformas significativas e de uma transição para um governo representativo antes que a multinacional considere investir no setor petrolífero debilitado do país.
Em entrevista à CNBC, Woods explicou que já havia comunicado ao presidente dos EUA, Donald Trump, em 9 de janeiro, que a Venezuela é “inviável para investimentos em seu estado atual”.
Na entrevista, o executivo defende essa posição e enfatiza que Caracas deve “implementar reformas profundas” para que a petrolífera possa avaliar seu retorno.
“As prioridades começam com a estabilização do país. Em segundo lugar, é preciso impulsionar a economia e tentar recuperar parte dos danos causados durante décadas de abusos e, finalmente, fazer a transição para um governo representativo”, diz Woods na entrevista.
A ExxonMobil deixou o país em 2007.
Trump busca um investimento de pelo menos US$ 100 bilhões de empresas petrolíferas venezuelanas para revitalizar a indústria do país após a prisão de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Atualmente, os Estados Unidos estão trabalhando com a presidente interina Delcy Rodríguez.

A ExxonMobil deixou a Venezuela em 2007, após a nacionalização de seus ativos pelo presidente Hugo Chávez , e mantém pendências judiciais multimilionárias contra Caracas.
Na entrevista, Woods afirma que a empresa defende “a inviolabilidade dos contratos” e que “não se pode trabalhar com governos que confiscam investimentos passados”. Trump declarou na época que as perdas das empresas decorrentes da nacionalização não seriam revistas, considerando isso responsabilidade da administração anterior.
A Venezuela, membro fundador da OPEP, possui as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, mas sua produção está muito abaixo do seu potencial devido à deterioração de sua infraestrutura energética. Os preços do petróleo fecharam 2025 com a maior queda anual desde 2020, devido a uma superoferta global, o que complica ainda mais o investimento necessário para revitalizar sua indústria.
A ExxonMobil, que hoje divulgou resultados trimestrais melhores do que as estimativas dos analistas de Wall Street, atingiu sua maior produção anual em mais de 40 anos em 2025, com 4,7 milhões de barris por dia.
Por Túlio Ribeiro