Texto: Gazeta do Povo por Cristiano Carlos, Juliet Manfrin e Ana Carolina Curvello
Mensagens de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, trocadas com a lobista Roberta Luchsinger e vazadas na segunda-feira (17) apontam fortes indícios de crime de tráfico de influência. As evidências envolvem não só o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também membros de diferentes escalões no governo federal. Essas mensagens devem favorecer o candidato Flávio Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral, segundo analistas ouvidos pela reportagem.
O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium Consultoria, projeta que a exploração política do episódio pela oposição tende a durar ao menos até o pleito.
“Eu entendo que essa questão do filho do presidente estará presente ao longo da campanha. Não é algo que vai se encerrar automaticamente. Esses vazamentos, inclusive, devem continuar ao longo da campanha. Evidente que isso tende a desgastar Lula diante do eleitorado mais moderado e entre aqueles que ainda não definiram o voto”, avalia.

Mansão onde Roberta e Lulinha ficavam
As comunicações de Lulinha foram realizadas por Whatsapp e interceptadas pela Polícia Federal. Elas constam em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, especialmente sob a relatoria do ministro André Mendonça.
As evidências mostram que Lulinha e Roberta discutiram sobre possíveis ações de lobby junto ao núcleo do governo de Lula ao menos entre 2023 e 2024. Elas apontam supostos contatos deles com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, vulgo Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Em uma das apurações, Lulinha é investigado por usar seu prestígio para favorecer empresas em negociações com o Ministério da Saúde para conseguir autorizações para a comercialização de produtos de cannabis medicinal. Embora as mensagens tenham vazado, o STF não concluiu o processo e as comunicações seguem em processo de investigação.
Roberta já vinha sendo investigada por receber repasses de R$ 1,5 milhão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, envolvido em desvios bilionários do órgão. Em mensagens apreendidas pela Polícia Federal, Antunes teria mencionado a necessidade de creditar “mais uma parcela” de R$ 300 mil em uma determinada operação e, ao ser questionado sobre o destinatário, respondeu: “o filho do rapaz” – em provável referência a Lulinha.
Em diálogo de março de 2024, Roberta afirmou a Lulinha que o grupo atuava em “nível diferenciado” e que o “futuro é a Suíça”.
Advogados do filho de Lula vinham dizendo que sua relação com Roberta era apenas de amizade. A defesa dele divulgou nota na segunda-feira afirmando que as mensagens são “um recorte seletivo” e que sua divulgação “parcial” revela “um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis”.