Lula coloca ideologia em prioridade e dá as costas para Bolívia

José Raimundo
4 Min Leitura

Apesar da dependência do gás boliviano e do seu lítio, além de quase 700 mil vivendo no Brasil, Lula da Silva demonstrou sua posição partidária e amizade com Evo Morales está acima do republicanismo e das relações com vizinhos de forma amistosa. É factível que a ausência de Lula em posse na Bolívia seja um sinal negativo. Márcio Coimbra afirma que governo brasileiro “coloca alinhamento ideológico acima dos valores democráticos”

Sem sequer uma visita de poucas horas em La Paz, o presidente Lula (PT) preferiu participar da COP 30, em Belém, a comparecer à posse do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, no último sábado, 8. O Brasil foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, enquanto vizinhos como a Argentina, Uruguai e outros países enviaram seus chefes de Estado, até mesmo o presidente do Chile, Gabriel Boric, de esquerda, viajou pessoalmente a La Paz para a cerimônia, antes da COP 30.

“O Brasil virou as costas para a Bolívia”. O analista político e CEO da Casa Política, Márcio Coimbra, avaliou a ausência de Lula como um gesto negativo nas relações diplomáticas com a Bolívia. Os dois países mantêm relações comerciais, especialmente no setor energético. O Brasil é um dos principais importadores do gás natural boliviano.

“A alternância de poder é muito importante. A gente vê o Paraguai, o Uruguai, são democracias mais consolidadas, com alternância de poder. A gente vê especialmente na questão do Uruguai, a gente viu a troca, de novo, da direita pra esquerda, antes da esquerda pra direita. De forma harmônica. E o presidente de esquerda do Uruguai estava na posse do presidente da Bolívia. Agora, o presidente do Brasil não estava. Nós temos uma relação com a Bolívia muito mais profunda e muito mais próxima do que o Uruguai possui. Afinal de contas, nós temos uma fronteira com a Bolívia, nós temos trocas comerciais importantes com o país”, disse em participação no Papo Antagonista desta segunda, 1o.

Coimbra criticou o fato do Itamaraty colocar “alinhamento ideológico” acima dos valores democráticos.

“O país está passando por uma alternância de poder importantíssima que é a troca de mais de vinte anos de uma esquerda populista, que estava no poder, por um novo governo agora, democraticamente eleito, que não é um governo que dialoga diretamente com a esquerda brasileira. Mas é um governo legítimo de um país vizinho, ou seja, o Brasil virou às costas para a Bolívia mostrando, mais uma vez, que o governo e o nosso pseudo-chanceler, Celso Amorim, ele coloca o alinhamento ideológico acima dos valores democráticos, ou seja, se aquela democracia é de alguém que é simpática às ideias de Lula e esquerda, eles apoiam. Se não é, eles simplesmente se esquecem daquele país. Foi o que aconteceu na relação com os Estados Unidos”, afirmou.

Conclusivamente, onde cada vez mais o continente é tomado por governos conservadores, o próximo será o Chile e a Colômbia, sem citar a queda de Nicolás Maduro, a atitude de Lula é de extrema inabilidade para quem sonha ser o líder do sul global, algo que se tornou apenas utopia.

Por Túlio Ribeiro

 

 

Compartilhe este artigo