*Por Túlio Ribeiro
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O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou sua posição contra o governo cubano após publicar, nesta segunda-feira (20/7), um extenso relatório oficial que descreve a nação caribenha como uma “ameaça singular” à segurança nacional dos EUA.
O documento de 100 páginas, intitulado “Cuba: A Capital do Comunismo no Século XXI”, traça um percurso histórico desde a revolução de 1959 para justificar a intensificação da pressão diplomática e econômica com o objetivo de impor reformas estruturais na ilha.
O relatório, elaborado sob a liderança do Secretário de Estado Marco Rubio , argumenta que Havana mantém há 67 anos uma estratégia deliberada para “minar, degradar e desestabilizar os Estados Unidos” por meio de atividades de inteligência, treinamento de grupos radicais e infiltração nas esferas política, acadêmica e da sociedade civil.
Além disso, a diplomacia dos EUA denuncia que o território cubano abriga um número crescente de instalações militares e centros de inteligência pertencentes a potências estrangeiras como a Rússia e a China, além de servir de refúgio para fugitivos da justiça americana.

“O regime cubano treinou terroristas, deu refúgio a fugitivos e se infiltrou no governo dos Estados Unidos com um sucesso que seus fundadores dificilmente poderiam ter imaginado”, afirmou o relatório divulgado pelo Departamento de Estado americano.
A divulgação do dossiê ocorre dias depois de Marco Rubio ter liderado uma cúpula ministerial em Washington, focada no combate ao extremismo de extrema esquerda no continente, um fórum onde Havana foi apontada como um centro regional de desestabilização.
Essa ofensiva retórica é agravada pelo severo bloqueio energético imposto por Washington após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela, medida que agravou a crise econômica e os apagões na ilha, enquanto a Casa Branca mantém ameaças de ações mais drásticas caso não haja abertura para a democracia.
Por sua vez, o governo de Havana rejeitou enfaticamente as acusações de abrigar bases militares estrangeiras ou promover atos de desestabilização, afirmando que as alegações de Washington não têm qualquer fundamento.
As autoridades cubanas reiteraram que a soberania do país pertence exclusivamente aos seus cidadãos e denunciaram que a divulgação deste relatório busca construir uma narrativa de propaganda para justificar uma possível agressão militar direta ou uma paralisação total da sua economia.

FOTO: TÚLIO RIBEIRO
Colunista da Gazeta Hoje
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)
Auto do livro, O Caso Venezuelano(2016), e co-autor outros dois livros: A Integração da América Latina (Voume 1 e 2 – 2013-2014)