*Por Túlio Ribeiro
Siga: @gazetahoje
A China lançou um programa de conexão entre seus mercados de títulos e o Brasil, informaram veículos de imprensa chineses nesta semana, marcando a primeira ligação desse tipo entre mercados emergentes.
Esquemas como este, frequentemente chamados de “conexões” entre os mercados de títulos ou ações chineses e seus equivalentes offshore, normalmente permitem que os investidores ignorem autorizações especiais ou controles de fluxo de capital ao negociar nas bolsas de valores de ambos os lados.
A China mantém atualmente pelo menos cinco esquemas de “conexão” de mercado de capitais offshore em três continentes.
Hong Kong: a porta de entrada global
A bolsa de valores de Hong Kong estabeleceu o esquema de conexão mais conhecido da China com as bolsas de Xangai e Shenzhen em 2014, seguida por uma conexão transfronteiriça de títulos em 2017.
Como principal canal de entrada de capital internacional na China continental, Hong Kong é o principal intermediário financeiro do país com os mercados de capitais globais.
No ano passado, o volume médio diário de negócios do programa Connect que chegou aos mercados de ações da China continental foi de 212,4 bilhões de yuans (US$ 31 bilhões), enquanto HK$ 121,1 bilhões (US$ 15,5 bilhões) fluíram na direção oposta – o dobro do valor de 2024.
No mercado de títulos, em março, o volume médio diário de transações com a China continental atingiu um recorde de 55,6 bilhões de yuans. Transações no sentido inverso, no mês passado, totalizaram 820,8 bilhões de yuans. As cotas ainda se aplicam às transações com a China continental.
Singapura: A Ponte do Sudeste Asiático
As bolsas de valores de Xangai e Singapura lançaram o programa de conectividade de ETFs (fundos negociados em bolsa) Xangai-Singapura em 2023 e, até o ano passado, cinco produtos específicos haviam sido listados nas duas bolsas.
A parceria permite que gestores de ativos autorizados façam dupla listagem no programa – uma medida que visa facilitar o investimento chinês no bloco de 11 países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Reino Unido: O pioneiro europeu
A Conexão Acionária Xangai-Londres, estabelecida em 2019, permite que empresas chinesas e britânicas listem suas ações nas bolsas de valores uma da outra. As ações de um país listadas no outro são cotadas como recibos de depósito – certificados emitidos por bancos que representam as ações da empresa.
Segundo um relatório de pesquisa do BNP Paribas, esse esquema ajudou investidores estrangeiros a acessar ações chinesas por meio da Bolsa de Valores de Londres.
Quatro grandes ofertas públicas iniciais (IPOs) chinesas, incluindo a Huatai Securities e a China Pacific Insurance, impulsionaram grande parte do volume de transações do programa, que ultrapassou US$ 5,8 bilhões em seu primeiro ano.
Suíça: O Centro de Listagem Especializada
Em 2022, a SIX Swiss Exchange, bolsa de valores da Suíça, lançou o programa China-Switzerland Stock Connect, em parceria com as bolsas de Xangai e Shenzhen.
Naquele ano, quatro empresas chinesas – GEM, Gotion High-tech, Keda Industrial Group e Ningbo Shanshan – listaram recibos de depósito globais na bolsa suíça.
Brasil: A mais nova fronteira emergente
O banco central da China nomeou recentemente o Banco de Comunicações de Xangai como instituição piloto para os Serviços de Interoperabilidade do Mercado de Títulos China-Brasil, informou a agência Xinhua nesta quinta-feira.
Investidores chineses podem investir em títulos brasileiros de forma “eficiente e segura” por meio dos serviços de custódia de ativos e compensação de fundos do banco comercial, enquanto investidores no Brasil podem acessar o mercado de títulos da China por meio da subsidiária brasileira do banco, informou a agência Xinhua.
Este esquema de conexão reflete um aprofundamento da “cooperação do Sul Global”, disse a agência Xinhua, referindo-se aos laços entre economias em desenvolvimento. A China considera a enorme nação sul-americana uma fonte estratégica de alimentos e energia, bem como um mercado crescente para veículos elétricos.
