*Por Túlio Ribeiro
Desde que os ataques em larga escala dos EUA e de Israel contra o Irã começaram no fim de semana, Pequim tem limitado sua resposta a declarações diplomáticas. A China e o Irã podem ser parceiros estratégicos, mas, assim como ocorreu com a operação especial americana na Venezuela em janeiro, a China não ofereceu nenhum apoio de segurança ao Irã em relação aos ataques dos EUA e de Israel.

Segundo analistas, a decisão foi baseada na consideração dos próprios interesses de Pequim, de seus laços com os EUA e outros países, e na minimização dos riscos militares e financeiros para a China.
Desde que os ataques em larga escala contra o Irã começaram no fim de semana, Pequim limitou sua resposta a declarações diplomáticas, denunciando os ataques e o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã há muitos anos, como “inaceitáveis”, ao mesmo tempo em que pediu moderação e diálogo.
A resposta de Pequim reflete sua posição em crises anteriores envolvendo um Estado parceiro estratégico, incluindo sua condenação à captura do ex-líder venezuelano Nicolás Maduro por Washington. Assim como a Venezuela, o Irã é um importante fornecedor de petróleo para a China.
Em ambos os casos, Pequim manifestou forte oposição ao que descreveu como o uso indiscriminado da força por parte dos Estados Unidos, mas não chegou a fornecer apoio material.
Hu Bo, diretor da Iniciativa de Sondagem da Situação Estratégica do Mar do Sul da China, um especialista com sede em Pequim, afirmou que os laços militares entre a China e o Irã estão “muito aquém do que o mundo exterior presume”.
A decapitação dos líderes iranianos pelos EUA destaca a superioridade militar americana e contradiz a visão popular na China de que os Estados Unidos estão em declínio, segundo especialistas em relações internacionais.
A operação realizada no fim de semana, em conjunto com Israel, resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de dezenas de altos comandantes das forças armadas do país, apenas algumas semanas depois de uma equipe das Forças Especiais dos EUA ter sequestrado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Esses dois incidentes – que Pequim condenou como violações da soberania – mostraram não apenas que a força militar de Washington permanece “superior”, mas também que seus “métodos de guerra evoluíram ainda mais”, de acordo com Shi Yinhong, professor de relações internacionais da Universidade Renmin, em Pequim.
Outra análise que corrobora com esta distância da China sobre conflito é que o ocorrido no Oriente Médio mostra que os EUA estão bem à frente na questão de tecnologia bélica, para bancar um enfrentamento. A China precisa acelerar as aplicações militares da IA e aprofundar a fusão civil-militar para reduzir sua diferença estratégica em relação aos Estados Unidos, afirmou um importante cientista político chinês e assessor de Pequim.
A queda de Khamenei expõe o atraso da China em inteligência artificial militar em comparação com os EUA, alerta o assessor de Pequim.
Zheng Yongnian cita ataques de precisão contra o Irã e uma incursão anterior na Venezuela para alertar sobre os riscos representados pela profunda integração da IA nas forças armadas dos EUA.
Neste contexto,citando os ataques de precisão EUA-Israel que eliminaram o líder supremo do Irã, Zheng Yongnian alertou que a China corre o risco de repetir erros históricos se limitar a inteligência artificial (IA) principalmente a usos civis ou de entretenimento e não converter tecnologias de ponta em poder militar decisivo.
O assassinato do aiatolá Ali Khamenei, do Irã, demonstrou o quão profundamente a inteligência artificial se tornou parte integrante das operações militares dos EUA, argumentou Zheng em entrevista à Greater Bay Area Review, uma conta de mídia social afiliada à Universidade Chinesa de Hong Kong, Shenzhen, onde ele atua como reitor da faculdade de políticas públicas. Assim, com todo avanço chinês ainda falta levar a utilização bélica num estágio avançado que estão os Estados Unidos e que se mostram a cada intervenção na geopolítica via militar planejada por Donald Trump. A China está um passo atrás nesta questão.
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