*Por Túlio Ribeiro
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É recorrente o discurso de partidos, especialmente os que não possuem a estrutura do ‘Centrão’ e direita ou do PT, para divulgar seus programas e ideias para a população. O debate da Band deste domingo(9/8) demonstrou que alguns escolheram usar a mídia e programa eleitoral pago com recursos públicos, na época de eleição, apenas para dar visibilidade a candidatos que preparam para um futuro, sem qualquer preparo para disputa do governo ou cargos no executivo. Foi o que demonstrou o PSOL a título de exemplificação. O partido na Bahia e Rio de Janeiro escalou candidatos que estão passando uma ideia de estar utilizando a visibilidade da televisão para um uso futuro em candidaturas legislativas.
No Estado do Rio, o vereador William Siri, ao inserir o tema da segurança pública, algo grave devido a presença de facções que controlam território e economia, ele abordava problemas municipais como buracos na rua, e prometia aumentar salários em cada questão abordada. Como a saúde, segurança pública e educação (nenhum aluno é reprovado no ensino público fluminense), não necessitasse propostas reais e tudo circulasse numa questão de remuneração e pavimentação. O vereador parece pensar apenas em se reeleger na Câmara na próxima disputa municipal.
O ápice do despreparo se apresentou na questão de economia, Siri que não tem nenhum livro ou texto acadêmico de importância sobre o tema, se apresentou como economista, e apenas citou as áreas econômicas que já são atividades no Estado sem nenhuma teorização ou solução para crescer a renda e dividir. O fato foi especialmente notado pelo candidato do Novo que prontamente verbalizou: encontrar um economista em Siri é o mesmo de estudar astronomia e ser um ‘terraplanista’. André Marinho (Novo) é humorista, apresentador e filho do empresário e político Paulo Marinho, suplente de senador. Siri em nenhum momento apresentou como reativar a economia utilizando pilares como indústria naval, petrolífera, automobilística, transportes e agricultura, talvez seja um economista de bairro. O Psol que nasceu da ‘costela do PT’ como esperança de ser um esquerda ética e promissora para idealistas desta linha de pensamento, passa ideia de um partido parlamentar com interesse apenas no repasse do governo para as legendas, inclusive perdeu as cinco cidades que administrava, incluso Belém do Pará, por incapacidade administrativa. O Psol se abstém do poder e prejudica o campo de esquerda que é demasiadamente necessário para uma democracia saudável .
Na Bahia, o presidente do diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Ronaldo Mansur (PSOL) é candidato ao governo da Bahia nas eleições de 2026. A chapa reúne a professora Meire Reis (PSOL) como vice-governadora e Delliana Ricelli (PSOL) como pré-candidata ao Senado. Em todo o debate, Mansur fez uma aliança com o atual governador da Bahia que ele apoiou na última eleição no segundo turno, apenas atacava ACM Neto (União Brasil) e auxiliava o atual governador do PT, Jerônimo Rodrigues, que apesar de professor, nunca aprendeu a administrar a Bahia. O psolista não demonstrou conhecimento dos temas que golpeiam o Estado, que é o controle do Comando Vermelho gerando caos na segurança pública, a educação uma das piores do país seja em cadastramento de creche, nível de ensino. A Bahia é o primeiro Estado a superar um milhão de analfabetos e tem as 5 entre as dez mais perigosas cidades do país, de acordo com os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Outra questão que se apresenta é a fila em postos de saúde que debilitam a população, quando não deixam morrer na espera de uma oportunidade de tratamento. Algo sintomático é que Mansur se negava chamar o nome do candidato e ex-prefeito, para nominalizar por Antônio Carlos Magalhães , seu avô que dominou a política baiana como senador e governador.Nas críticas cabia ao carlismo e esquecer dos vinte anos que o PT administra a Bahia, a cada pergunta crucial sobre os problemas do estado, o psolista minimizava a qualidade do debate, falando da causa ambiental (sua especialidade) e aumentar salários dos servidores, uma promessa antiga e recorrente dentro de candidatos populistas. Mansur pulava vinte anos para ajudar seu sócio na gestão , já que apoiou Jerônimo no segundo turno da última eleição.
Mansur é de Alagoinhas, município da Bahia, tem formação técnica em meio ambiente e é estudante de Direito. É militante ativo do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e um dos fundadores do PSOL Bahia. O pré-candidato chegou à política aos 10 anos durante uma greve de operários da construção civil no Nordeste de Amaralina, em Salvador. Pouco depois, repetiu a experiência em uma greve de comerciários.
Sendo um dos fundadores do PSOL no estado, o pré-candidato já foi secretário-geral e tesoureiro do diretório estadual e está em seu segundo mandato como presidente do partido na Bahia. Também integra a executiva nacional do PSOL. Mansur conta com três candidaturas eleitorais. Já concorreu a vice-governador em 2014, na chapa de Marcos Mendes, e em 2022, na chapa de Kleber Rosa e, em 2018, disputou uma vaga de deputado federal. Nenhuma das três resultou em mandato.
Formalmente, o projeto que o pré-candidato relata buscar levar ao Palácio de Ondina é baseado em movimentos sociais, voltado a quem, segundo ele, sempre foi esquecido pelos governos que passaram, sejam eles carlistas ou petistas. Entretanto não pode vir algo, de alguém ou partido que não tem projeto, planejamento, nem experiência. O Psol é apenas um partido parlamentar com alguns bons nomes como, ex-prefeita Luíza Erundina, Heloísa Helena (fundadora,hoje na Rede e ex-senadora), Plínio de Arruda Sampaio (candidato presidencial em 2010, falecido), Marcelo Freixo (destaque na CPI das Milícias,hoje no PT), Luciana Genro (ex-deputada ) e Guilherme Boulos (liderança dos sem-teto,ministro do governo Lula),mas com maioria de amadores. A esperança para o campo de esquerda é que ambição pelo poder retorne e assim forme quadros com um mínimo de conhecimento, abandonado o clima de satélite do PT, inclusive nos debates.
Seja Siri ou Mansur assumem o papel de coadjuvantes ,pois apoiarão quem o lulismo indicar , caso haja segundo turno , mas perdem a dignidade de defender seus eleitores de forma autentica, esvaindo para uma vertente teatral ,visto a falta de condições propósito mirando a importância de governar. A discussão sobre o PSOL lançar candidatos considerados “satélites” ou atrelados ao PT, já envolve debates internos recorrentes sobre a independência da legenda. Críticos internos e externos frequentemente usam esse termo para apontar alianças em que o PSOL abre mão de candidaturas próprias majoritárias viáveis , para no segundo turno apoiar nomes petistas ou compor palanques amplos liderados pelo PT. Uma realidade que se aclara dentre os militantes que não aceitam uma política de subserviência a uma vocação secundária , e sim que partidos devem buscar o poder para transformar uma situação que golpeia a dignidade de sua população.

FOTO: TÚLIO RIBEIRO
Colunista da Gazeta Hoje
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)
Auto do livro, O Caso Venezuelano(2016), e co-autor outros dois livros: A Integração da América Latina (Voume 1 e 2 – 2013-2014)Graduação Economia UFBA
Pós graduação em contemporânea IUPERJ
Mestre em história PUC
Doutorado em geopolítica ( UBV Caracas)