Colômbia como Peru vira à direita e isola o Brasil com Lula

José Raimundo
7 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro

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Assim como o Peru com Keiko Fujimori, a  Colômbia se voltou para a direita com a eleição de Abelardo de la Espriella como seu novo presidente , um advogado milionário apoiado por Donald Trump, que põe fim ao primeiro governo de esquerda da história do país.
Formado em direito com apenas 47 anos, embora sem experiência política, derrotou por uma pequena margem o senador pró-governo Iván Cepeda no segundo turno das eleições. Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, buscava um acordo de paz com todos os grupos armados ligados ao narcotráfico em meio a uma onda de violência.
A contagem preliminar oficial lhe dá a vitória com 49,7% dos votos, à frente de Cepeda, que obteve 48,5%. O advogado, que se autodenomina Tigre, governará até 2030.
“Sinto-me muito feliz (…) Abelardo está nos dando, acima de tudo, uma sensação de segurança”, disse à AFP Daniela Oliveros, uma advogada de 30 anos, enquanto comemorava a vitória de seu candidato na cidade caribenha de Barranquilla.
Possuindo nacionalidade colombiana e  estadunidense, De la Espriella se estabeleceu como um fenômeno político com um discurso antissistema. O advogado disse  que buscará o apoio de Trump, que já reconheceu sua vitória, como Itália e Argentina, e de Israel para atacar os guerrilheiros com bombardeios e fumigação de plantações de drogas no maior produtor mundial de cocaína.
Ele também angariou votos como um “inimigo declarado” da esquerda, dada a falta de progresso nas negociações com as máfias e num contexto de relações tensas com Washington.
Cepeda afirmou que não aceitará a derrota antes da contagem final nem o conturbado presidente Petro, que levará vários dias, e que contestará 33.000 seções eleitorais.
“Assim que as verificações necessárias forem realizadas, reconheceremos o resultado oficial”, assegurou ele a centenas de apoiadores.
O presidente Petro foi impedido legalmente de concorrer à reeleição e escolheu como possível sucessor Cepeda, um defensor dos direitos humanos de 63 anos comprometido com o fortalecimento de programas sociais que beneficiassem populações pobres e marginalizadas em um dos países mais desiguais do mundo.
A tomada de posse de De la Espriella ficou determinada  para 7 de agosto, em uma cerimônia que será realizada em uma base militar.
Seu recorrente discurso  pró-Washington, seu apoio às forças policiais e aos interesses empresariais são semelhantes aos de outros líderes de direita na região, como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina.
Este resultado isola o Brasil ideologicamente com governo Lula da Silva, pois todos governos latinos do continente são de direita , com excessão do Uruguai que atua moderadamente.A Colômbia junta-se a uma aliança de países da região alinhados com o presidente dos EUA, Donald Trump, juntamente com o Chile e o Equador.
Petro, que não reconheceu os resultados do primeiro turno das eleições, no qual seu oponente também venceu, declarou no domingo que, para o segundo turno, respeitará apenas a contagem consolidada, que pode levar alguns dias.
“Ninguém pode ser proclamado presidente”, “a realidade nos apresenta um país dividido em dois “, escreveu ele em X, numa retórica golpistas que poucos apoiam.
Os Estados Unidos desempenharam um papel de liderança nas eleições com o apoio de Trump a De la Espriella, que prometeu aliar-se “como nunca antes” a Washington.
Neste contexto, se passou uma década após o acordo de paz com as FARC, a campanha foi marcada pela violência de grupos armados com bombas, drones explosivos e o assassinato de um candidato à presidência.
De la Espriella ameaça processar o presidente Petro nos Estados Unidos . A esquerda o rotula de autoritário.Não será fácil a vida do futuro ex-presidente, com seus discursos provocativos e com sinais de embriaguês, ou algo pior.
“Estou muito nervoso porque estou muito preocupado com o que Abelardo pode fazer (…) até onde sua sede de poder pode ir e até onde ele pode atropelar as pessoas (…) os direitos de todo o povo”, disse Santiago Galindo, um banqueiro de 40 anos em Bogotá, em meio a lágrimas.
Pela manhã, De la Espriella votou vestindo a camisa da seleção nacional de futebol, em meio a centenas de torcedores que usavam a mesma peça.
Contrário de um modelo moderado, la Espriella opõe-se à chamada “paz total” com a qual Petro esperava enterrar décadas de conflito armado. Essas organizações aproveitaram-se da situação para enriquecer e expandir-se.
Analistas destacam  que suas promessas de uma ofensiva militar podem gerar uma nova espiral de violência.Atrás de uma vitrine de vidro à prova de balas e com uma saudação
“Conecta-se com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções impactantes”, mas também incorpora um modelo “aspiracional” do “empreendedor que construiu sua fortuna”, afirma Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Ele defende o direito de portar armas, a construção de mega prisões, a exploração de petróleo por meio do fraturamento hidráulico, o corte de 40% nos gastos do Estado e afirmou que o “ideal” seria dolarizar a economia. Ele também prometeu uma revisão da permanência da Colômbia em organizações internacionais como a ONU e a OEA.

 

TÚLIO RIBEIRO
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)

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