Desdolarização: BRICS iniciam testes em novas plataformas pagamento que entram vigor em 2027-2028

José Raimundo
7 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro

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Em futuro que  fica cada vez mais real e próximo, os integrantes do BRICS estão conduzindo projetos-piloto bilaterais para testar plataformas de pagamento, afirmou o vice-ministro das Finanças da Rússia, Ivan Chebeskov, ao jornal Izvestia. Isso inclui iniciativas russas como o BRICS Bridge e o BRICS Clear — um sistema de pagamento comum e uma infraestrutura de liquidação e compensação. Essas iniciativas permitirão investimentos seguros nas economias dos países membros do BRICS. O grupo está discutindo o aumento do investimento em infraestrutura conjunta e a possibilidade de envolver o setor privado nesses mecanismos, declarou o vice-ministro das Finanças dos Emirados Árabes Unidos, Younis Haji Al Khouri, ao Izvestia. No entanto, especialistas acreditam que as tensões internas do BRICS, bem como a ameaça de sanções ocidentais, podem atrasar a implementação desses planos.

Neste contexto, plataformas estão sendo desenvolvidas pelos países do BRICS. Assim países do BRICS iniciaram testes-piloto bilaterais de novas plataformas de pagamento, disse o vice-ministro das Finanças da Rússia, Ivan Chebeskov, ao jornal Izvestia.

“A discussão continua sobre todas as iniciativas que propusemos para 2024. Embora ainda não tenham sido criadas plataformas específicas, já existem resultados iniciais — especificamente, alguns projetos-piloto bilaterais de algumas dessas iniciativas. E, em segundo lugar, uma discussão mais ativa sobre a necessidade geral de criar infraestrutura alternativa”, observou Chebeskov.

Quando administrou a gestão  do BRICS em 2024, a Rússia propôs que seus parceiros criassem uma plataforma de liquidação, a BRICS Bridge, que permitiria pagamentos internacionais sem a infraestrutura bancária dos EUA e de outros países ocidentais. A BRICS Bridge pretende ser uma alternativa ao sistema SWIFT. Além disso, a Rússia iniciou os trabalhos para a criação de um sistema de custódia do BRICS — o BRICS Clear. Trata-se de um sistema para a circulação de títulos dentro dos países do BRICS, semelhante aos existentes no Ocidente, mas cujo uso é restrito à Rússia e a alguns outros países.

Assim sendo, o período incluiu entre 2022 e 2024, isso parecia algo novo proposto pela Federação Russa, [porque] a Rússia estava enfrentando dificuldades. Agora, foi adotado como base pela maioria dos países, e há uma necessidade disso. Tais sistemas devem existir no futuro”, disse Ivan Chebeskov.

Ele destacou em sua verbalização  que “muitos parceiros ainda hesitam em discutir publicamente soluções de plataforma importantes devido a preocupações com as consequências geopolíticas”. Ao mesmo tempo, estão preparados para trabalhar bilateralmente, realizar discussões e testes-piloto. Vale lembrar que, no início do ano passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou os países do BRICS com tarifas de 100% caso tentassem substituir o dólar.

Nesta situação atual , Washington está de fato pressionando membros individuais do BRICS, principalmente a Índia e a China, por meio de tarifas comerciais. Além disso, uma das principais exigências de Donald Trump é aumentar as importações de bens e serviços dos Estados Unidos . A maioria dos especialistas, no entanto, aponta que essa pressão explícita apenas incentiva os países do BRICS a acelerar a criação de instrumentos de pagamento independentes.

Ambos os projetos — BRICS Bridge e BRICS Clear — estão em fase conceitual, e um prazo realista para seu lançamento parcial é 2027-2028, sujeito à vontade política dos principais participantes, disse Alisa Kazelko, membro da Associação Russa de Controle de Exportações e especialista da Valdai, ao jornal Izvestia.

“A lógica estratégica é clara: hoje, as transações entre a Índia e o Brasil, a Rússia e a África do Sul ainda passam pela infraestrutura do dólar, criando riscos de sanções para toda a cadeia. Se as plataformas estiverem operacionais, elas eliminarão essa vulnerabilidade e se tornarão uma apólice de seguro de longo prazo para todo o Sul Global — especialmente à medida que o BRICS se expande para incluir novos membros da África e da América Latina”, observou o especialista.

Entretanto, a implementação dessas iniciativas não está ocorrendo sem problemas. A ameaça de sanções ocidentais é um fator, já que os EUA e a UE continuam sendo importantes parceiros comerciais para muitos países do BRICS. Conflitos internos também precisam ser resolvidos. O BRICS não é a UE: não existem mecanismos supranacionais que forcem a integração, e cada país integrará novas plataformas em seu próprio ritmo.

Tomando como exemplificação, a Índia vê as iniciativas financeiras dos BRICS como um “projeto chinês em um pacote internacional” e está procedendo com extrema cautela. O Brasil declara-se aberto à desdolarização, mas seu setor financeiro está profundamente integrado à infraestrutura ocidental.

Deste modo, uma situação realista para um horizonte de dez anos é a formação de um sistema monetário paralelo dentro do BRICS, mantendo o dólar nas transações externas. O ritmo desse processo será determinado não pelas cúpulas, mas pela dinâmica das sanções americanas como principal incentivo estrutural para a desdolarização, concluiu Kazelko.

As nações  do BRICS passam a negociar em suas moedas nacionais.No entanto, a maioria das transações dentro da associação já é realizada em moedas nacionais, e essa participação aumentará, enfatizou Ivan Chebeskov. Na primavera de 2025, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, confirmou que 67% do comércio bilateral é liquidado em moedas dos BRICS, enquanto a participação do dólar caiu para 33%.

Na prática de forma conclusiva, existem oportunidades para aumentar o investimento em infraestrutura, bem como para envolver o setor privado no uso e nos benefícios de parcerias público-privadas em diversas áreas, incluindo serviços como saúde, educação e, eventualmente, infraestrutura.

TÚLIO RIBEIRO
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)

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