CASTIDADE x CELIBATO

José Raimundo
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Existe alguma diferença? Na internet encontramos: “Castidade é o controle dos impulsos sexuais, uma virtude que todos devem praticar, tanto em relacionamentos quanto na vida de solteiro. O celibato é um compromisso específico de abster-se do casamento e da sexualidade, geralmente por um chamado vocacional, como no caso de sacerdotes ou religiosos. Portanto, todos os que são celibatários também vivem a castidade, mas nem toda pessoa casta é celibatária”.

Temos, portanto, que a castidade se refere ao controle dos “impulsos sexuais” e qualquer pessoa pode ter essa visão de mundo, enquanto o celibato é praticado, por exemplo, pelos padres e freiras da Igreja Católica, que prestam compromisso solene de não ter uma vida de lascívia. Portanto, não se trata de uma escolha, é uma obrigação. Ser fiel dentro do casamento é manter a castidade. Teoricamente, o padre deve manter o celibato porque sua obrigação é se entregar de corpo e alma ao sacerdócio. Aqui encontramos uma contradição. Ora, se a questão é servir a Deus, significa dizer que um Pastor, por exemplo, não se dedica ao “criador de tudo”. Pastor se casa e cuida do seu “rebanho”

Há quem diga, e não podemos confirmar, que um padre deve ser casto porque, eventualmente este pode ter um filho durante seu sacerdócio e, em assim sendo, havendo uma ação alimentícia, poderá sofrer desconto em seu salário e os descontos poderão recair sobre a Igreja. Particularmente, em uma visão perfunctória, não acho que isso seja possível, pelo menos dentro do Direito.

Padres de rito oriental (também chamados de católicos orientais) podem ser casados, assim como padres anglicanos que entraram para a Igreja Católica e recebem uma permissão especial para serem ordenados casados. A bem da verdade, a maioria dos fiéis, principalmente os mais aguerridos, não aceitam que o seu Pároco tenha algum tipo de prazer carnal. Entretanto, temos que lembrar que se trata de um ser humano e, exatamente por isso, não parece crível que tenha que renunciar a algo tão comum ao indivíduo.

Por outro lado, e essa narrativa pode ser perigosa, no sentido de despertar paixões e discussões, encontramos o ateu, aquele que nega a existência de um Deus. Para esses, não existe a menor possibilidade, tampouco razão, para que um homem ou mulher deixe de fazer uma família. O pior é quando encontramos um sacerdote que deixou o ofício.

Afinal, após seus votos pode ter uma relação sexual formando uma família? Os votos não são para sempre? Os votos não são um compromisso religioso de abster-se do casamento e das relações íntimas para se dedicar totalmente ao sacerdócio? Não podemos deixar de lado que a ordenação é considerada permanente pela Igreja Católica. Um padre até pode ser dispensado de suas obrigações clericais, incluindo o celibato, por um processo chamado laicização, que é o ato de retirar o caráter religioso da influência religiosa. Porém, há quem diga que isso também é uma contradição. Se fez o compromisso, este deve valer até o final da vida. Deve ser uma questão no mínimo inusitada uma paroquiana casar com um ex padre da paróquia. A mulher passou a vida inteira rezando diante daquele padre e, repentinamente, passa ter atração sexual pelo mesmo. Como disse um conhecido, é de tirar o desejo de qualquer um. Aliás, existe uma situação mais grave: O padre ter um filho no exercício da função.

Por fim, e na mesma linha de pensamento, qual seja, situações inusitadas dentro de uma ordem religiosa, a Igreja Católica não admite que uma pessoa divorciada possa novamente casar em um templo religioso, forçando um fiel ase casar tão só em cartório, ao argumento que, perante Deus, só se faz os votos uma vez. Todavia, o Código Canônico (sim, existe até Tribunal Canônico) dispõe de um dispositivo que permite a anulação do casamento, como por exemplo quando o casamento não se consuma, ou seja, não há relação sexual. Uma vez anulado, pode se casar novamente na Igreja.

O assunto aqui discutido, para além de chegar a um desfecho, nos leva a refletir sobre o tema

Por Paulo Bandeira

Filósofo, Advogado e Historiador

 

 

 

 

 

 

 

 

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