Os irmãos bilionários Wesley e Joesley Batista, de nacionalidade brasileira, apostam em diversificar entrando no mercado petrolífero venezuelano após demonstrarem interesse em um projeto de um bilhão de barris que poderia se beneficiar da reativação do setor energético do país sul-americano.
Diversas fontes revelaram à Bloomberg que a família Batista está discretamente localizada nos arredores do setor petrolífero venezuelano, graças à participação que um de seus sócios possui no Projeto Petrolífero de Roraima.
Além disso, soube-se que um representante comercial da família Batista obteve uma participação em um grupo de campos de petróleo, anteriormente operados pela ConocoPhillips, no início de janeiro, após a prisão de Nicolás Maduro.
A Fluxus, uma empresa petrolífera pertencente à família Batista, poderá juntar-se a esse ou a outros projetos petrolíferos no país assim que o panorama do setor se tornar mais claro, de acordo com fontes que pediram para não serem identificadas.
A J&F SA, holding dos irmãos brasileiros, informou à Bloomberg que não possui nenhum ativo na Venezuela e que está acompanhando de perto os desdobramentos da situação.
“Assim que um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica for estabelecido, estaremos prontos para avaliar os investimentos”, afirmou a J&F em um e-mail.
Desde a prisão de Maduro, Joesley Batista, de 53 anos, tornou-se uma figura chave na transição pós-Maduro. Na semana passada, ele viajou de Washington para Caracas para se encontrar com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Ela retornou com um relatório otimista para as autoridades americanas: estava aberta a investimentos estrangeiros, especialmente no setor de petróleo e gás natural, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu para não ser identificada.
A Bloomberg informou que, em dezembro, ele viajou ao país para instar Maduro a renunciar em uma transição pacífica.
Ligações com o governo Maduro
Os laços dos irmãos com a Venezuela remontam a mais de uma década.
A joia da coroa da fortuna da família, a JBS, assinou um acordo de US$ 2,1 bilhões anos atrás com o governo Maduro para fornecer carne e frango em um momento em que o país sofria com grave escassez de alimentos e hiperinflação.
Esse contrato foi facilitado por Diosdado Cabello.
Em 2024, o Ministério do Petróleo da Venezuela concedeu direitos de exploração e produção por 25 anos no antigo projeto da ConocoPhillips, Petrolera Roraima, à A&B Investments, liderada por Jorge Silva Cardona, sócio da família Batista.
Após a entrada da A&B no projeto, a produção diária aumentou para 32.000 barris entre junho e outubro, mas desde então despencou, uma vez que o governo Trump começou a bloquear as exportações de petróleo do país, de acordo com uma das fontes.
A empresa petrolífera estatal PDVSA detém uma participação maioritária de 51% no projeto, enquanto a A&B detém 49%.
“Segundo uma das fontes, a família Batista também está explorando oportunidades no setor de mineração e na infraestrutura elétrica da Venezuela na era pós-Maduro”, disse a Bloomberg.
Por Túlio Ribeiro