Israel foi o primeiro país a chamar o Brasil de anão diplomático. O que era um insulto cada vez mais se mostra uma realidade. A prisão de Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos no dia 3 de janeiro em uma operação em Caracas abriu um novo capítulo na crise venezuelana e expôs os limites da diplomacia brasileira no cenário internacional. Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha sinalizado disposição para acompanhar os desdobramentos e defender uma solução baseada no direito internacional, especialistas avaliam que o Brasil não possui credibilidade, neutralidade nem peso político para atuar como mediador ou articulador de uma transição na Venezuela.
Abordagem de especialistas apontam que a posição brasileira é resultado de décadas de uma política externa ambígua, marcada por omissões, alinhamentos ideológicos e tentativas frustradas de protagonismo internacional, que agora cobram seu preço em um dos episódios mais sensíveis da geopolítica regional, na América do Sul.

Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Questionado se esse histórico pode levar os Estados Unidos a ignorarem definitivamente o Brasil como interlocutor no caso venezuelano, o doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo (USP), o doutor em direito e comentarista político Luiz Augusto Módolo é direto: “melhor ignorarem mesmo”. Para ele, Washington sabe que o chavismo, e o governo ditatorial de Maduro, cresceu “sob as barbas” do Brasil, sobretudo nos governos de Lula, e que a diplomacia brasileira ajudou a alimentar o problema que agora exige uma intervenção externa.
Procurados, a Presidência da República e o Itamaraty disseram que a “posição do Brasil em relação à operação militar levada a cabo no último dia 3 de janeiro foi expressa com clareza em diversas ocasiões” e reforçaram suas notas protocolares.
Nelas, o governo afirma que os “ataques militares em solo venezuelano” e a captura do “chefe de Estado” são classificados pelo governo brasileiro como “violações graves da soberania e do direito internacional”, capazes de abrir um precedente perigoso para a ordem global e a estabilidade regional.
“O Brasil condena o uso unilateral da força, reafirma a defesa do multilateralismo, do diálogo e da solução pacífica de controvérsias, alerta para o risco de desestabilização da América Latina como zona de paz e defende uma resposta firme da comunidade internacional, especialmente no âmbito das Nações Unidas, para conter a escalada de tensões”.
A operação estadunidense foi planejada e executada sem considerar o Brasil como parceiro estratégico, refletindo uma perda de relevância regional que contrasta com o discurso oficial de protagonismo sul-americano. Esta prisão, não apenas redefine o cenário político da Venezuela, como também expõe fragilidades profundas da política externa brasileira sob Lula. Conclusivamente, este fato pode marcar um divisor de águas na forma como o Brasil é percebido por potências globais e por seus próprios vizinhos.
Por Túlio Ribeiro