*Por Túlio Ribeiro
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva deve ter discutir a cooperação no combate ao crime organizado e as tarifas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse o ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, nesta quarta-feira, um dia antes do encontro agendado entre os presidentes.
“O objetivo é proteger a população do Brasil, priorizar o país e manter um diálogo construtivo”, disse Durigan à emissora estatal EBC. “As expectativas para a viagem são muito positivas.”
O encontro na Casa Branca ocorre após uma crise nas relações bilaterais no ano passado, depois que o governo Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e condicionou a medida ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por seu envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado.
Lula defendeu veementemente a soberania do Brasil e, posteriormente, Trump afrouxou as tarifas sobre o Brasil como parte de seu esforço para reduzir os custos para os consumidores estadunidenses.
Trump e Lula começaram a restabelecer as relações na Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro, o que foi seguido por seu primeiro encontro privado na Malásia em outubro e conversas telefônicas subsequentes.
A forma como o governo brasileiro lidou com a tarifa de 50% provavelmente aumentou a influência do país junto ao governo Trump, afirmou Ana Garcia, professora de relações internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
“O governo Trump provavelmente vê o Brasil como um parceiro que deve ser levado a sério, mas continuará pressionando-o para que faça concessões”, disse García.
Um ponto de discórdia constante entre os dois governos é a suposta consideração, por parte da administração Trump, de designar as maiores facções criminosas do Brasil — o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — como organizações terroristas estrangeiras.
As designações dariam aos EUA mais poder “para atuar como ator político ou econômico no Brasil”, disse Leonardo Paz Neves, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas, um centro de estudos e universidade. “É uma questão defensiva para o Brasil que não serve em nada aos seus interesses.”
Um funcionário do governo brasileiro, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a discutir o assunto publicamente, disse que ambos os lados pareciam estar comprometidos em aprofundar a cooperação no combate ao crime organizado, em vez de optar por ações unilaterais.
Outro ponto crucial que provavelmente estará na pauta da reunião é o acesso aos depósitos de terras raras do Brasil. O país sul-americano possui a segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras, utilizados em uma ampla gama de produtos, incluindo smartphones, veículos elétricos, painéis solares e motores a jato.
Durigan reiterou na quarta-feira a posição do Brasil de que o país não quer ser apenas um exportador de matéria-prima.
“Os países do hemisfério norte… estão sedentos por essa matéria-prima”, disse Durigan. Mas “embora o investimento estrangeiro seja bem-vindo, queremos desenvolvimento industrial dentro do Brasil: criando empregos em parceria com nossas universidades”.
A viagem aos EUA ocorre em um cenário interno difícil para Lula, que na semana passada sofreu dois reveses no Congresso. A Câmara dos Deputados derrubou seu veto a uma lei que buscava reduzir a pena de prisão de Bolsonaro, enquanto o Senado rejeitou sua indicação para o Supremo Tribunal Federal — algo inédito em mais de 100 anos.
O presidente de 80 anos buscará um quarto mandato não consecutivo nas eleições de outubro. As pesquisas mostram atualmente um empate técnico entre ele e o filho de Bolsonaro, com vantagem numérica para o senador Flávio.
