O PCC usou rede de motéis em SP para lavar dinheiro e movimentou R$ 450 milhões entre 2020 e 2024. Mais de 60 motéis foram identificados, a maioria em nome de “laranjas”. Postos de combustíveis e uma rede de hotéis e motéis com unidades em diversas cidades do Estado de São Paulo são usados para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo investigação do Ministério Público e da Receita Federal.
Os documentos, ao qual o Estadão teve acesso, ainda apontam que a facção opera com contadores próprios. Um dos investigados possui procuração de mais de 200 empresas do ramo de posto de combustível junto à Receita Federal. Ontem, quinta-feira, 25, uma nova operação do MP mira o esquema do PCC em exploração de jogos de azar e comércio de combustíveis adulterados. São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em 35 endereços.
O esquema ainda envolvia os restaurantes dos motéis, que tinham CNPJs próprios. Um dos envolvidos distribuiu R$ 1,7 milhão em lucros após registrar receita de R$ 6,8 milhões entre 2022 e 2023. Um dos investigados possui procuração de mais de 200 empresas do ramo de posto de combustível junto à Receita Federal.
Conforme a decisão judicial, Flávio Silvério foi identificado como responsável pelo esquema de lavagem de dinheiro, que começou a ser investigado após a apreensão das máquinas de cartão de crédito obtidas em casas de jogo de azar, por possuir controle dos valores movimentados nas contas bancárias dos postos de combustíveis. A defesa não foi localizada. “A partir da análise fiscal da empresa BK Bank, a Receita Federal identificou que seus principais clientes são empresas que abrangem toda a cadeia produtiva de combustíveis e distinguiu seis núcleos, com relacionamentos entre si, sendo que o Núcleo São Paulo seria comandado por Flávio Silvério Siqueira”, consta no documento. A defesa não foi localizada.
A operação alcançou alguém que pode abalar o poder. Chegando em personagem chave Operação Spare, esquema de de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), o contador João Muniz Leite já cuidou da contabilidade das empresas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Apreensão em sua casa e em seu escritório, que fica no mesmo prédio onde atuavam empresas de Lulinha, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. O filho do presidente teria rompido com o contador no ano passado, depois que ele foi alvo da Operação Fim da Linha, que investiga a infiltração do PCC nas empresas de ônibus que operam na capital.
No que versa o MPSP, Leite é investigado por fazer as declarações de imposto de renda de Flávio Silvério Siqueira, o Flavinho, apontado como principal responsável por coordenar uma rede de “laranjas”, envolvendo postos de combustíveis, casas de jogos de azar, mercado imobiliário e motéis. Amigo e ex-contador de Lulinha, segundo a investigação do MPSP, teria atuação ativa nas estratégias para ocultar um aumento patrimonial suspeito dos investigados, “não deixando dúvidas da participação ativa de João Muniz nas estratégias de lavagem de dinheiro da organização criminosa”.
É importante lembrar que em 28 de agosto, o MP e a polícia realizaram a maior operação já deflagrada contra a infiltração do crime organizado na economia formal do País. A ação teve como alvo empresas, corretoras e fundos de investimentos situados na Avenida Faria Lima, principal centro financeiro do País.De acordo com as autoridades, a principal instituição de pagamentos investigada, a BK Bank, registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. Em nota, na época, o BK Bank informou que foi surpreendido com a operação e que “conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance”. Naquela operação se envolveu o Banco Genial, próximo ao governo, e um escritório de advocacia que defende empresas ligadas ao PCC que tinha o filho do ministro da justiça como advogado. Enrique Abreu Lewandowski consta em ações na Justiça como defensor da empresa Terra Nova Trading. A empresa, segundo investigação da Polícia, é ligada ao PCC.
Por Tulio Ribeiro