PGR exige provas e PF espera rapidez em nova proposta de delação de Vorcaro

José Raimundo
5 Min Leitura

Por Juliet Manfrin (Gazeta do Povo)

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O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, decidiu antecipar o que seria um esboço da nova proposta de colaboração premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República após enfrentar mudanças em suas condições de custódia. Segundo fontes ligadas à investigação, a movimentação ocorreu depois que a primeira versão do acordo foi rejeitada pelos investigadores.

Após a negativa da PF, Vorcaro chegou a ser transferido da sala de Estado-Maior onde estava detido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal. Nesse ambiente, as restrições para contato com advogados são maiores e o espaço é compartilhado com outros presos. Dias depois, porém, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou seu retorno à sala especial, onde dispõe de banheiro individual e pode receber integrantes de sua defesa em horários determinados.

Além da questão relacionada ao local de custódia, a estratégia da defesa busca um objetivo mais amplo: obter a homologação da delação premiada e, posteriormente, pleitear a conversão da prisão para o regime domiciliar.

Os indicativos da nova proposta entregues aos investigadores na última semana são considerados mais detalhados do que a anterior. De acordo com integrantes da Polícia Federal, o documento reúne mais nomes, datas, documentos e informações complementares, além de anexos que não constavam na primeira versão.

A proposta anterior havia sido rejeitada sob o entendimento de que informações relevantes teriam sido omitidas, inclusive sobre pessoas já identificadas pelos investigadores a partir da análise de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação.

Apesar da avaliação inicial positiva, a defesa ainda apresentou complementações ao material logo após a entrega, o que levou a Polícia Federal a examinar o conteúdo com mais cautela e adiar discussões previstas sobre o caso, o que deve ocorrer ao longo da semana.

Investigadores afirmam que a nova versão faz referências a agentes políticos e autoridades ligadas aos Três Poderes. Agora, PF e PGR analisam se as informações apresentadas são inéditas e relevantes o suficiente para justificar a abertura da fase formal de negociação da colaboração premiada. Caso os órgãos entendam que há elementos consistentes, Vorcaro deverá prestar novos depoimentos e as informações fornecidas passarão por um processo de verificação. Somente após essa etapa poderá ser firmado um acordo de delação, que ainda dependerá da aprovação do relator André Mendonça, e da posterior homologação pelo STF.

Vorcaro estava omitindo fatos e protegendo autoridades

Investigadores vinham solicitando que o escopo da delação fosse articulado com rapidez e com prazo pré-definido pelo ministro André Mendonça. O motivo seria evitar que a defesa postergasse a entrega, como ocorreu na primeira manifestação. Ela foi rejeitada por falta de elementos comprobatórios, apesar de ter levado dois meses para ser elaborada.

Assim como a PF, integrantes da cúpula da PGR haviam avaliado que os anexos entregues pelo dono do Banco Master mês passado eram insuficientes para justificar os benefícios jurídicos previstos em acordo de delação, como diminuição de pena em uma eventual condenação ou ainda relaxamento de prisão.

Além de novas provas, procuradores e investigadores analisam detalhes, conexões e informações consistentes sobre o esquema investigado. Isso porque Vorcaro teria agido para poupar ou proteger nomes, desde autoridades influentes nos Três Poderes da República até familiares.

Uma série de reuniões com a PF e com a PGR foi realizada desde a semana passada. Na pauta estava a formatação desta nova proposta de colaboração, agora sob o comando do advogado Sérgio Leonardo, após a saída do criminalista José de Oliveira Lima, o Juca.

Entre as perguntas ainda sem respostas estaria a ligação de Vorcaro com políticos que não haviam sido mencionados ou tratados superficialmente por ele na primeira versão, mas que as investigações identificaram envolvimento e sustentação ao suposto esquema fraudulento do Master.

 

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