Pacote de estímulos não gera efeito nas pesquisas e Lula ativa “modo desespero”

José Raimundo
4 Min Leitura

Gazeta do Povo ( Rose Amantéa)

Siga: @gazetahoje.com

A aposta do governo Lula em colher dividendos eleitorais com um “pacote de bondades” implementado nos últimos meses não trouxe até o momento os ganhos esperados à popularidade do petista neste ano eleitoral.

Após investir na expansão do crédito, no reforço de programas sociais e em estímulos fiscais – principalmente na isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – como forma de sustentar o consumo e garantir respaldo nas urnas, a estratégia não projetou Lula à frente nas pesquisas.

 

Em pesquisa do AtlasIntel divulgada em 25 de março, o petista lidera os cenários em primeiro turno, mas perderia no segundo turno para Flávio Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Michelle Bolsonaro (PL).

Já um levantamento mais recente, do Paraná Pesquisas, divulgado em 30 de março, mostra Lula e Flávio empatados no primeiro turno, dentro da margem de erro. Na simulação de segundo turno, novamente o filho de Jair Bolsonaro venceria o atual presidente.

A alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, a inflação resistente, o endividamento elevado das famílias e o desgaste político interno com os escândalos do INSS e do Banco Master formam uma combinação de fatores que pode comprometer os planos de Lula a poucos meses da eleição.

Em reação, o governo articulou uma nova rodada de apostas na área econômica, como ações sobre crédito rotativo, regulamentação do trabalho por aplicativos, fim da escala 6×1 e até mesmo um estudo para dar fim ao imposto cobrado sobre produtos importados em sites como Shein, Shopee e AliExpress – a chamada “taxa das blusinhas”, imposta pela atual gestão em 2024.

Especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, apontam que há um descompasso, e os efeitos reais talvez não cheguem a tempo. Além disso, as medidas tendem a trazer efeitos colaterais à economia, o que pode colocar em xeque os ganhos eleitorais esperados.

Em paralelo, a polarização persistente e o cenário político conturbado prometem contaminar o debate eleitoral para além da economia. “Nada indica que Lula terá vida fácil até outubro”, avalia João Mário de França, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV).

Inflação em alta e “efeito Biden”

Pressionado pelas pesquisas, Lula tem procurado se descolar da ameaça inflacionária, que tem potencial de alterar ainda mais o humor do eleitor.

O mandatário endureceu o discurso contra distribuidoras e postos de gasolina, sinalizando que não aceitará aumentos considerados “injustificados” nos preços. E incumbiu seu novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, da tarefa de impedir que a alta do petróleo chegue ao bolso do consumidor.

A movimentação ocorre em meio a um temor que já entrou no radar de marqueteiros e aliados: o chamado “efeito Biden”, apontado pela Bloomberg em artigo de opinião publicado na última quinta-feira (26).

No texto, o colunista Juan Pablo Spinetto afirma que o presidente brasileiro corre o risco de repetir o erro político do ex-presidente norte-americano Joe Biden em 2024, ao insistir na reeleição em meio a desgaste crescente. Analistas ressaltam que a economia também foi fator decisivo para a derrota do democrata.

Compartilhe este artigo