Manual do Master, feito por escritório de esposa de Moraes, prometia transparência e anticorrupção

José Raimundo
4 Min Leitura

Por Juliet Manfrin (Gazeta do Povo)

Quando publicou seu Código de Ética e Conduta assinado pelo então controlador, Daniel Vorcaro, o Master afirmou estabelecer padrões rigorosos de integridade, transparência e conformidade para orientar a atuação de seus executivos e colaboradores, com forte apelo ao combate à corrupção. O documento foi elaborado pelo escritório de advocacia de Viviani Barci de Moraes, a esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, mais precisamente pela cunhada de Moraes, a advogada Ana Claudia Consani de Moraes.

Casada com Leonardo de Moraes, irmão do ministro, ela é consultora no escritório de Viviane Barci de Moraes. Diante do caso, o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) afirmou ter protocolado um requerimento para convocar a advogada a prestar esclarecimentos na CPMI do INSS e disse que também solicitou a convocação do próprio Alexandre de Moraes à comissão.

O documento, datado de 24 de março de 2025, com 34 páginas e que consta no site do banco, descreve práticas proibidas, define parâmetros de relacionamento com autoridades públicas e estabelece regras para prevenir corrupção, lavagem de dinheiro e conflitos de interesse. Logo na abertura, Vorcaro afirma que “a ética e a transparência são pilares fundamentais” da instituição.

Até o momento, as investigações levaram, entre outras medidas, à liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro de 2025, indicando uma série de condutas que, se confirmadas, colidem diretamente com princípios no próprio manual de ética do banco.

O caso ganhou repercussão com a operação Compliance Zero e as prisões de Daniel Vorcaro, somada à revelação de uma rede de operações financeiras que teria movimentado bilhões em fundos de investimento, estados, municípios e fundos de previdência de servidores públicos.

O Banco Master foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação desta reportagem. Entre as perguntas, o banco foi instado a esclarecer como avalia a compatibilidade entre as operações sob investigação e os princípios em suas diretrizes internas.

Também foi questionado sobre quais mecanismos de compliance foram adotados para prevenir conflitos de interesse no relacionamento institucional com autoridades públicas.

A reportagem solicitou ainda explicações sobre os critérios de governança utilizados na contratação de escritórios e serviços jurídicos, incluindo a forma como o banco garantia que os valores fossem alinhados às boas práticas de mercado e às regras de seu código de conduta. O espaço segue aberto às manifestações.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes se manifestou apenas por meio de uma nota publicada nesta semana. Nela, o escritório confirma que prestou serviços de consultoria jurídica ao Master de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, por meio de uma equipe de 15 advogados e com apoio de três escritórios especializados contratados para atuar sob sua coordenação.

Segundo o escritório, ao longo do período foram realizadas 94 reuniões de trabalho com representantes do banco, além da elaboração de 36 pareceres jurídicos e da revisão de políticas de compliance, governança e integridade, incluindo o Código de Ética e Conduta e normas relacionadas ao relacionamento com o poder público e prevenção à lavagem de dinheiro.

A banca disse ter atuado na análise de investigações e processos de natureza penal e administrativa envolvendo o banco e seus dirigentes, destacando, porém, que nunca conduziu qualquer causa do Master no STF.

 

 

 

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