*Por Túlio Ribeiro
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A crise dentro da campanha de do presidente Lula escala com a tensão entre pesquisas de rejeição e embates com os Estados Unidos. Desta vez, Lula comparou Flávio Bolsonaro ao traidor da Inconfidência, sugere punição a “traidores da pátria” e comete erro histórico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a elevar o tom contra a família Bolsonaro ao classificar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “vendilhões da pátria” e “traidores”. As declarações foram feitas durante eventos em Catalão (GO) e Osasco (SP), em meio à repercussão da recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros é uma decisão oficial da administração de Donald Trump decorrente de uma investigação técnica e comercial. Em sentido contrário, Flávio Bolsonaro pediu que o governo estadunidense não taxar empresas brasileiras. Mas a repercussão política em torno do senador ganhou força devido o discurso recorrente dos apoiadores de Lula.
Verbalizando em público , Lula atribuiu a pressão comercial dos Estados Unidos à atuação política da família Bolsonaro junto à administração do presidente Donald Trump. No entanto, o presidente não apresentou provas públicas que demonstrem uma ligação direta entre a recomendação das tarifas e as ações dos parlamentares brasileiros em Washington.
Pior, na intensão balizar sua narrativa , Lula utilizou de forma errada um dos episódios mais conhecidos da história nacional: a Inconfidência Mineira. O presidente citou a atuação de Joaquim Silvério dos Reis, responsável por delatar o movimento liderado por Tiradentes às autoridades portuguesas.
“Vocês sabem por que Tiradentes foi traído? Silvério dos Reis sabia que Tiradentes estava em um movimento para fazer a independência. Esse cara traiu Tiradentes. E por conta dessa traição, Tiradentes foi preso e enforcado”, afirmou Lula.Logo em seguida, o presidente questionou a plateia:“O que merecem os traidores da Pátria?”
Imediatamente seu discurso foi interpretado por aliados e opositores como uma tentativa de ligar Eduardo e Flávio Bolsonaro à figura do delator da Inconfidência Mineira. Ao citar o episódio e mencionar o enforcamento de Tiradentes antes de questionar o que merecem os “traidores da pátria”, Lula intensificou o ataque político aos adversários.
A verbalização presidencial, porém, foi marcada por um erro factual importante. Um erro que é histórico para campanha do presidente
Embora Tiradentes tenha sido preso, condenado e executado pela Coroa Portuguesa em 1792, Joaquim Silvério dos Reis jamais foi punido por sua delação. Pelo contrário: ele recebeu benefícios em troca da denúncia, incluindo o perdão de dívidas que possuía junto à Coroa.
Quem buscar nas fontes históricas, aprenderá que Silvério dos Reis não foi preso nem executado. Após colaborar com as autoridades portuguesas, viveu por décadas e morreu de causas naturais em 1819. Assim sendo , ao golpear a história como exemplo de punição a traidores, Lula acabou citando um episódio cujo desfecho foi exatamente o oposto. O delator foi recompensado, enquanto o líder do movimento, Tiradentes, acabou enforcado.
De pronto, o erro de conhecimento chamou atenção porque atinge diretamente a lógica do argumento apresentado pelo presidente.

Ao comparar seus adversários políticos a Joaquim Silvério dos Reis e perguntar o que merecem os “traidores da pátria”, Lula buscava construir uma narrativa de condenação moral. No entanto, a história mostra que o personagem usado como símbolo da traição não sofreu punição alguma.
Segundo opositores do governo, demonstra desconhecimento histórico e pode ser interpretada como uma insinuação de punição aos adversários políticos. Já apoiadores do presidente sustentam que a intenção era apenas destacar o simbolismo da traição à causa nacional.
O discurso se apresenta num contexto de crescente polarização política e de atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos. Erroneamente, Lula responsabiliza integrantes da oposição por supostos prejuízos à imagem do país no exterior, em muito provem da política exterior praticada por Lula se aliando inimigos dos Estados Unidos, como ditaduras do Irã, Cuba, e Venezuela. Um momento crescente de tensão política que mostra que o experiente político está numa posição desconfortável diante da possível derrota que repetiria o Chile, e provavelmente Peru e Colômbia para esquerda do continente. Lula não aceitaria terminar sua carreira política sendo preterido pelas urnas.
Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou nesta terça-feira, 2, que apresentará uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por declarações feitas durante um discurso em Goiás.
Segundo nota divulgada pela assessoria do parlamentar, Lula teria cometido os crimes de ameaça e incitação ao crime ao associar adversários políticos ao episódio histórico envolvendo Tiradentes.
“Flávio Bolsonaro irá denunciar ainda hoje ao Supremo Tribunal Federal crimes praticados por Lula. Em 02.06.26, Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento. De acordo com Flávio Bolsonaro, a fala do presidente configura crime de ameaça e de incitação ao crime”, diz a nota.

TÚLIO RIBEIRO
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)