Lula admite,” nunca fui esquerdista e já fui chamado de anticomunista”

José Raimundo
3 Min Leitura

*Por Túlio Ribeiro

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O presidente Lula da Silva, sem perceber que estava sendo gravado, aclarou a verdade sobre sua posição ideológica, o que em muito pode decepcionar seus eleitores que nos últimos 40 anos pensavam outra visão do brasileiro sobre seu alinhamento político. Em meio a uma conversa na reunião do G7, Lula disse ao chanceler alemão, Friedrich Merz, e à diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, que nunca foi esquerdista e que na década de 80 chegou a ser rotulado como anticomunista. O comentário apareceu durante uma conversa em que Kristalina afirma que a expectativa do mundo em 2002, era que Lula fosse um esquerdista o que, segundo ela, não se confirmou.

Lula se colocava a verbalizar sua conclusão sobre tema que os governos de direita, como republicanos nos EUA e conservadores na Europa, tiveram mais tempo no poder que os governos de esquerda e, por isso, o mundo seria do “caminho do meio” e que não de esquerda. O vídeo foi revelado pelo Metrópoles.

O presidente ainda fez questão de destacar que chegou a ser tratado como anticomunista na década de 1980 quando recusou um convite para participar de um congresso da União Soviética e fez uma viagem à Europa para pedir solidariedade. Ele declarou “Em 1980, tinha um congresso na Rússia para o qual fui convidado. Eu não fui porque havia sido condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade. E aí passei a ser tratado como anticomunista”.

Explicando com mais detalhes, pode-se observar que Georgieva comentou que, quando Lula foi eleito pela primeira vez, todos esperavam que ele fosse um esquerdista, mas ele não foi. Lula então disse que tinha uma boa relação com sindicatos, mas nunca foi de esquerda.

— O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade. Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical, que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT da Espanha — disse o presidente.

Logo em seguida, Lula detalhou um episódio do início de sua trajetória política. Segundo ele, em 1980 foi convidado para participar de um congresso na então União Soviética, mas não viajou ao país. A partir daí, passou a ser tratado como “anticomunista”.

— Eu nunca fui. Em 1980 tinha um congresso na Rússia que eu fui convidado, eu não fui à Rússia porque fui condenado pela Lei de Segurança Nacional. Eu fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e aí passei a ser tratado como anticomunista — afirmou.

TÚLIO RIBEIRO
Economista
Pós-graduação em História Contemporânea
Mestre em História Social
Doutor em Política para Desenvolvimento Estratégico (Geopolítica)

 

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