Conversa entre Trump e Lula explicitará os limites insanáveis da química entre os presidentes

José Raimundo
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A conversa que diplomatas de Brasil e Estados Unidos costuram entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, prevista para os próximos dias, dificilmente repetirá a “excelente química” exibida no brevíssimo e informal encontro dos presidentes nos bastidores da ONU na última terça-feira (23).

Analistas ouvidos pela Gazeta do Povo avaliam que divergências ideológicas entre ambos seguirão profundas e irreconciliáveis. A expectativa, contudo, é de que o diálogo planejado deles busque apartar a pauta econômica dos confrontos políticos, graças à forte pressão de empresários e investidores.

A abertura dada por Trump em discurso na Assembleia Geral da ONU pode gerar oportunidades de avanços concretos nas áreas de comércio e investimentos, em pontos nos quais Washington e Brasília convergem. Inicia-se então a negociação para baixar tarifas de 50% a diferentes produtos brasileiros.

Para o analista financeiro VanDyck Silveira, o aceno de Trump não garante a melhora do status da relação bilateral, o pior da história, pois o real impasse está na oposição ideológica, sem margem para recuo. “Trump abriu-se à conversa com Lula, mas a pauta política e inegociável para ambos”, observa.

Julgamento de Bolsonaro continua a tensionar a relação dos presidentes

A dura pena aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ficar de fora da conversa, mesmo tendo sido o principal fundamento do tarifaço. Lula diz que não pode interferir no julgamento e Trump já deu mostras de que não vai suavizar críticas ao ativismo judicial no país.

Silveira explica que o presidente americano descarta enfrentar pressões das Big Techs (empresas de tecnologia donas das redes sociais) e favorecer Lula, mantendo então a condenação à “caça às bruxas” do STF contra cidadãos brasileiros e americanos, em nome da soberania dos EUA. “Prevalecerá o pragmatismo, focado em negócios insubstituíveis”, diz.

Nesse clima, Ismar Becker, conselheiro de exportadoras, vê como acertada a reação positiva dos setores financeiro e empresarial à abertura de Trump. “Mesmo que tudo pareça uma armadilha dele, disposto a repetir com Lula os constrangimentos já aplicados a outros líderes, os bônus virão”, avalia.

Becker não prevê ganhos pelo menos no período de um mês após as áreas técnicas ajustarem posições. “O diálogo é movido pela pressão de empresas americanas, do café e da carne caros e de raros fornecedores de perfil semelhante”, resume. “Baixar a tarifa para 20% já os ajudaria a lidarem com as insatisfações”, diz.

Por Sílvio Ribas (Gazeta do Povo)

 

 

 

 

 

 

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