A energia solar fotovoltaica segue como uma das principais alternativas para a redução de custos com eletricidade e para a transição energética no Brasil. No entanto, o ano de 2026 marcou um ponto de inflexão importante para o setor, com a entrada em vigor de novas taxas, tributos e encargos que passaram a influenciar diretamente a viabilidade econômica dos sistemas solares.
Um dos fatores de maior impacto foi a evolução das regras previstas na Lei nº 14.300/2022, conhecida como o Marco Legal da Geração Distribuída. A partir de 2026, consumidores que geram sua própria energia passaram a arcar com 60% do chamado “Fio B”, componente da tarifa que remunera o uso da rede de distribuição. Na prática, isso reduziu o valor dos créditos de energia injetados na rede, diminuindo parte da economia antes obtida pelos sistemas fotovoltaicos.
Outro ponto relevante foi o aumento da carga tributária sobre equipamentos solares. Com o fim ou a redução de regimes especiais de importação, como os ex-tarifários, inversores e módulos fotovoltaicos passaram a sofrer incidência maior de imposto de importação. Em alguns casos, a carga tributária total sobre painéis solares pode chegar a patamares próximos de 30% a 35%, elevando o custo inicial dos projetos.
Além disso, o setor sentiu os reflexos do cenário macroeconômico, especialmente da manutenção de juros elevados. Taxas de financiamento mais altas encareceram o crédito para residências, comércios e indústrias interessadas em investir em geração própria, impactando diretamente o ritmo de novos projetos.
O ambiente internacional também exerceu influência. Mudanças em políticas de incentivo em grandes mercados globais afetaram a cadeia de suprimentos, pressionando preços e trazendo maior volatilidade ao mercado de equipamentos.
Apesar desses desafios, especialistas apontam que a energia solar continua sendo um investimento atrativo no médio e longo prazo. Mesmo com novas taxas, o aumento constante das tarifas de energia elétrica, aliado à evolução tecnológica e à maior eficiência dos sistemas, mantém a geração solar como uma solução economicamente viável e estratégica.
Em 2026, mais do que nunca, o sucesso de um projeto fotovoltaico passou a depender de planejamento, análise técnica e escolha correta do modelo de geração, seja ele individual, compartilhado ou associativo.
A energia solar segue firme, mas exige decisões cada vez mais conscientes.
Isaque Santos
CEO Soeco / Presidente APROCER