O cristianismo embora esteja alcançado liderança no mundo, especialmente no Ocidente, está acostumado a perseguições. Era de se esperar do Oriente, mas ele ocorre no Brasil, em especial entre agnósticos e de matrizes africanas ,mesmo não contando em sua maioria dos seus membros. Um exemplo vem da capital baiana.
Na cidade de Salvador, a Câmara Municipal oficializou na quarta-feira (24) a lei de combate à cristofobia na capital baiana. O projeto — de autoria do vereador Cezar Leite (PL) — foi iniciado em fevereiro de 2025, muito pela polêmica envolvendo a cantora baiana Claudia Leitte, que trocou em uma de suas músicas o nome Iemanjá por Yeshua, termo hebraico que se refere a Jesus. Segundo o parlamentar, o projeto obteve 35 votos favoráveis e apenas quatro contrários, sendo dois de vereadores do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), um do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e um do Partido dos Trabalhadores (PT). O texto segue agora para a prefeitura de Salvador e deve ser assinado pelo prefeito Bruno Soares Reis (União), em outubro. “Fica terminantemente proibido ataques, de forma direta e indireta, implícito ou explícito, de forma verbal, escrita ou física aos símbolos religiosos cristãos”
Dentre novas normas segundo a lei que contará de campanhas educativas e ações de conscientização que promovam o respeito à fé cristã. Muito usado pelo oportunismo artístico, fica proibido o uso de fantasias no carnaval que hostilizam a imagem de Jesus Cristo ou satirizem emblemas cristãos.“Fica permanentemente proibido ataques, de forma direta e indireta, implícito ou explícito, de forma verbal, escrita ou física aos símbolos religiosos cristãos”, estabelece o texto, que prevê ainda criação de canais de denúncia para casos de discriminação e a aplicação de multa para atos comprovados de cristofobia.“E artistas que fizerem isso não serão contratados em eventos promovidos pela prefeitura, pois defendemos a fé cristã”, afirma o autor do projeto, que incentiva todos os cristãos, sejam evangélicos, católicos e espíritas a se mobilizarem para que o prefeito Bruno Reis sancione o texto.
O projeto de lei se fez presente a partir da cantora Claudia Leitte se tornar alvo de denúncias sobre intolerância religiosa e racismo na cidade. A cantora baiana alterou a letra da música “Caranguejo” durante um show em dezembro de 2024, e denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra ela. Naquele momento,o MP-BA instaurou inquérito para apurar possíveis danos morais à honra e à dignidade das religiões de matriz africana, e uma audiência pública foi realizada para tratar do tema.
No relato do vereador, uma das únicas pessoas que conseguiu discursar a favor da liberdade religiosa na audiência promovida pelo MP foi a advogada Alzemeri Martins, conhecida como Zizi Martins, do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR). Ela foi vaiada pelo público e teve a voz abafada pelos manifestantes que começaram a cantar para Yemanjá. Segundo o vereador, a situação evidenciou “cristofobia e silenciamento de vozes que defendem princípios e tradições”. Por isso, ele decidiu protocolar o projeto de lei aprovado na quarta-feira (24).”Cláudia Leitte estava simplesmente exercendo um direito fundamental que está ligado à liberdade de crença e consciência”
De acordo com a advogada Alzemeri Martins, que representou o IBDR na audiência pública sobre o caso, em fevereiro deste ano, a mudança de palavras na música “Caranguejo” não pode ser considerada intolerância religiosa, racismo ou qualquer outro crime. “Cláudia Leitte estava simplesmente exercendo um direito fundamental que está ligado à liberdade de crença e consciência”, afirmou a especialista. Como verbaliza a defensora do Direito, à liberdade de crença e de consciência garantida no artigo 5º da Constituição é um “direito inviolável” e reiterado em diversos Tratados Internacionais, “a pessoa tem direito a ter religião e a mudar de religião”, pontua a advogada, ao ressaltar ainda que os cristãos são monoteístas, então Claudia Leitte não poderia cantar para outros deuses.
Por Tulio Ribeiro