Por Luisa Purchio (Gazeta do Povo)
Siga@gazetahoje
Alexandre Bettamio, considerado número dois na lista de executivos globais do Bank of America (BofA), é cotado a “posto Ipiranga” de um eventual mandato à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL). A apuração foi feita pela Gazeta do Povo junto a pessoas próximas ao candidato.
De acordo com as pessoas ouvidas, caso Flávio vença a eleição, seria necessário aguardar trâmites internos do banco norte-americano para confirmar Bettamio à frente do Ministério da Fazenda. Ele ocupa o cargo de co-chairman de global corporate & investment banking.
Próximo de Paulo Guedes, o executivo também teria sido convidado a assumir o Banco do Brasil após a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, segundo apuração do Estadão à época. O Estadão também reportou que pessoas próximas a Bettamio teriam negado que o convite houvesse sido feito.
Mais do que um economista de mesa de mercado financeiro, Bettamio é visto como um gestor “liberal pragmático” com habilidade para construir pontes, fundamental para a cadeira na Fazenda. Um banqueiro ouvido pela reportagem afirmou que Bettamio é considerado um brasileiro de grande sucesso no mercado financeiro internacional. Ele superaria até mesmo Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda que ocupou o cargo de presidente mundial do Bank of Boston
A Gazeta do Povo procurou o Bank of America e a campanha de Flávio, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço se mantém aberto para manifestação.
De acordo com a apuração da Gazeta do Povo, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também teria sido convidado a assumir o cargo de “Posto Ipiranga” num eventual mandato federal de Flávio Bolsonaro. Como vice-presidente do conselho de administração e chefe global de políticas públicas do Nubank, Campos Neto teria de deixar para trás muitos ativos que possui do banco, o que não seria interessante do ponto de vista financeiro.
Mais recentemente, o fato de Campos Neto ter sido citado no caso do Banco Master teria tornado a entrada dele na equipe menos interessante para a campanha de Flávio Bolsonaro. A reportagem procurou o Nubank e Roberto Campos Neto, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço está aberto para manifestação.
Outro motivo para a não divulgação do nome de Bettamio ou de outro sondado para um eventual Ministério da Fazenda de Flávio Bolsonaro é que o tema não está entre as prioridades estratégicas da campanha neste momento. A 16 dias do primeiro turno das eleições, Flávio está focado em viajar pelo país para fazer um “corpo a corpo” com o eleitorado e reiterar o discurso de que o governo Lula é responsável pela alta no custo de vida do brasileiro.
Além disso, a campanha de Flávio vive momento diferente da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, quando o anúncio de Paulo Guedes como “posto Ipiranga” foi considerada como fundamental para conquistar a confiança de investidores, do empresariado e do mercado financeiro.
A campanha de Flávio tem porta-vozes fazendo a interlocução com o empresariado. A principal delas é Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro e outro nome ventilado como possível ministra da Fazenda em um eventual mandato, caso Flávia vença a eleição.
Kayath diz que ocupar o cargo depende de condições políticas para implementar uma agenda consistente
Marcelo Kayath, ex-diretor do banco de investimentos do Credit Suisse, também foi cotado recentemente como possível nome a assumir o cargo. Ele teria promovido um jantar há três semanas, para empresários e investidores, em um aceno para assumir a cadeira.
Kayath, porém, é avaliado como tendo um perfil menos gestor e mais ligado a trading e mesa de operações, sendo considerado mais próximo a um possível cargo de secretário do Tesouro. Em resposta à Gazeta do Povo, Kayath afirmou que a informação sobre ser mais ligado a trading e mesa de operações está incompleta e que essa “era apenas uma das muitas áreas que eu tinha sob gestão”.
“Eu era gestor do banco de investimentos como um todo, além de ser chefe de toda a América Latina nas áreas de renda fixa e renda variável”, disse ele. Kayath também respondeu sobre a possibilidade de vir a ocupar a cadeira de ministro, num eventual governo de Flávio Bolsonaro.
“Fico honrado com a confiança e com as pessoas que têm mencionado meu nome, mas para mim a questão é participar de uma discussão muito maior, que é sobre o futuro econômico do Brasil”, disse ele.
“Um cargo como esse só faz sentido se houver condições políticas para implementar uma agenda consistente. O mais importante, para mim, é ajudar o Brasil a voltar a crescer com responsabilidade fiscal, investimento e oportunidade para as pessoas”, complementou.