Defesa da Soberania brasileira em governos de direita e de esquerda

José Raimundo
8 Min Leitura

Alguém duvida que um país de dimensões continentais precisa de Forças Armadas preparadas e bem armadas? É obvio que não. A natural liderança do Brasil na América do Sul obriga que tenha tropas em condições de “pronto emprego”. Assim, não se discute se o Brasil necessite de uma força, seja em terra, no ar ou no mar pronta para defender sua soberania. O Brasil tem esse poder?

Paradoxal o fato de que um governo de esquerda tenha demonstrado mais atenção em equipar as forças, do que um governo de direita. O que talvez muita gente não se recorde, ou não saiba, o Brasil sempre teve essa preocupação. Recordando, em 1969 surgia a Embraer, por via de consequência, o desenvolvimento do primeiro avião comercial brasileiro, o Bandeirante, sonho do Comandante Osires Silva, formado no incipiente ITA – Instituto de Tecnologia Aeronáutica, na década de 50. Dita empresa evoluiu e, nos dias atuais, mantém em seu portfólio uma gama de produtos, seja material comercial, seja equipamento militar. Só para se ter uma ideia, o Brasil ingressou no seleto clube de países que fabrica avião cargueiro, no caso o KC 390, sucesso de vendas no exterior, principalmente para países membros da OTAN.

No início dos anos dois mil, no governo Lula, a pedido da Força Aérea, surge a ideia de construir o avião KC-390, atendendo um pedido da Força Aérea. Trata-se de um avião versátil, podendo descer em pista de terra, atender catástrofes, reabastecimento no ar e tantas outras coisas. Ponto para a Embraer. Seguindo essa linha, em outro seleto clube, nesse caso o de caças, temos o Embraer EMB-314 “Super Tucano, que teve seu “batismo de fogo” em 2007, quando atacou uma base das FARCS – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O Brasil mostrando sua força.

Por fim, ainda na Aeronáutica, encontramos o caça de última geração Gripen. Após longa negociação, foi assinado o contrato em 2014 que previa a aquisição de 36 aeronaves. Trata-se um equipamento de ponta, monomotor, que deixa para trás diversos aviões ao redor do mundo. Os Estados Unidos, como sempre, tentaram “empurrar” para o Brasil o F-16, sem a transferência de tecnologia. Como o Brasil precisa de capacidade de construção em solo brasileiro, a Suécia ofereceu essa possibilidade. Mais um ponto para a Embraer e a indústria nacional. A forma de aquisição foi muito inteligente já que permite a montagem do avião aqui no Brasil, o que já vem sendo feito. Olha aí a defesa da soberania

Na Marinha, igualmente, o país vem desenvolvendo vários projetos que objetivam garantir a soberania no mar, a “Amazônia Azul”. Temos o Programa Fragatas Classe “Tamandaré”. O projeto não foi concebido no Governo que ficou à frente do Planalto a partir de 2020. A ideia surgiu bem antes. Duas Fragatas já foram entregues e o governo atual continua incrementando o projeto.

Outro governo adquiriu no final da década o navio Porta-Helicópteros, o maior navio da América do Sul. No governo atual, foi adquirido um navio multipropósito, que serve para ajuda humanitária, pouso de aeronaves e outras funcionalidades. Para completar essa parte do assunto, é desejo do atual ocupante do Planalto desenvolver, ou comprar, um Porta Aviões, indicação máxima de soberania no mar. Poucos países têm em sua marinha tal equipamento.

Joia da coroa é o PROSUB – Programa de Desenvolvimento de Submarinos, implementado em 2008. O Brasil pretende, por muito tempo, estar à frente dos outros países da América do Sul. Para se ter uma ideia, no momento atual a Argentina não tem nenhum submarino, enquanto o Brasil possui cinco em operação, dois em fase de término de construção e aquele que, de fato, fará com que o Brasil ingresse em outro grupo especial, nesse caso, o mais seleto de todos, o submarino nuclear Álvaro Alberto (SN10), que recebeu essa denominação por conta do Almirante que deu início do desenvolvimento da ciência nuclear no Brasil. Mais uma vez o país se destacará na América do Sul. Tal equipamento permite que o submarino permaneça submerso por meses. Tudo isso construído aqui por essas terras. Mais um ponto para o Brasil.

Por derradeiro, e não menos importante, os equipamentos da força terrestre. O Exército vem desenvolvendo diversos veículos para suas operações. Para além dos tanques da Engesa dos anos 70 e 80, Urutu e Cascavel, o Tamoyo (este último fabricado pela Bernardini), o país tem a expertise de construção de veículos de combate. No momento atual, são fabricados em terras brasileiras os VBTP-MR Guarani, um veículo blindado médio sobre rodas, e os leves Guaicurus (LMV). Não podemos nos esquecer do Jipe Marruá, fabricado pela Agrale, indústria genuinamente brasileira, que foi adquirido pelo exército em 2005 e é o veículo oficial de transporte da força terrestre.

Em 2009 o Exército adquiriu 220 carros de combate Leopard 1A5, que vem sendo atualizado em terras brasileiras até os presentes dias. Tal veículo de combate, alemão, é utilizado pelas forças armadas mais importantes do mundo. Os tanques são testados em Santa Maria, “cidade dos tanques”, local criado em 2015.

Entre 2008 e 2010, surgiu o fuzil IA 2, desenvolvido pela IMBEL – Industria de material bélico – outra empresa genuinamente brasileira. Tal arma substituiu os ultrapassados FAL.

Mas, por que tanta preocupação com forças atualizadas? Simples, para “pronta operação” caso necessite. Um exemplo vem ocorrendo neste momento, onde o país vem promovendo um deslocamento de tropas para a Amazônia, deslocando-se tropas do sul do Brasil, do Centro Oeste e outros Estados, tudo por conta da questão Venezuela x Guiana. O Brasil já deixou claro que não pretende assistir a um conflito armado em suas fronteiras. Para tanto, tem que mostrar força, capacidade de deslocamento e de suprir suas tropas. Isso o país tem de sobra, sem contar as “Forças de Prontidão Operacional” como os Fuzileiros Navais, Brigada Paraquedista, Batalhão de Forças Especiais, Brigada Cerrado, Brigada Caatinga e Brigada de Infantaria Leve de Montanha (criada em 2013) que estão prontas caso sejam convocadas.

Não ganha uma guerra quem tem mais equipamento, mas sim a força que tem mais capacidade de suprir a tropa. Isso o Brasil tem de sobra.

Enfim, ninguém pretende tecer loas ao governo atual, trata-se de uma constatação. A ideia não é defender esse ou aquele governo, mas, e tão só, demonstrar o paradoxo entre um governo de esquerda que se preocupa com a defesa da soberania e um de direita que nada fez nesse campo.

 

Por Paulo Bandeira

 

 

 

 

 

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