RIO CAPITAL NOVAMENTE?

José Raimundo
5 Min Leitura

O Rio de Janeiro continua lindo, já cantava em verso e prosa Gilberto Gil na música “Aquele Abraço”.  Gil fazia alusão aos soldados que o trataram bem na cadeia de um quartel em Realengo, bairro no subúrbio do Rio, demostrando que a censura era burra e não entendia o que um compositor escrevia. A música também faz referência a tudo o que o Rio tem de bom.

Para entender um pouco o porquê de tanta ode ao berço do samba, vale a pena dar um passeio pela história dessa cidade. Em 21 de abril de 1960 Brasília era inaugurada, assumindo o posto de capital do Brasil. À época muito se criticou, seja porque, principalmente muitos servidores públicos tinham que se deslocar para o Centro-Oeste, seja porque as pessoas iriam deixar de lado a vibrante cidade, berço da Bossa Nova e da pujante noite carioca. Outros criticaram porque o gasto para construção foi de alta monta e, por fim, muito se falou de uma conspiração para que os políticos praticassem suas falcatruas longe dos olhos de todos.

De qualquer forma, o fato é que a cidade do Rio de Janeiro perdeu seu posto e o carioca seu orgulho de morar na   cidade mais importante do país. Juscelino Kubitschek, o Presidente “Bossa Nova”, em um arranjo político, permitiu que se criasse o estado da Guanabara, naquele momento o menor Estado da federação. A Guanabara correspondia a atual cidade do Rio de Janeiro, que virou uma “Cidade Estado”, sem prefeito e administrada por um Governador. O carioca não admitia a fusão com o interior, formando um só estado. Assim, surgiu a Guanabara e o Estado do Rio de Janeiro, tendo à frente Niterói como capital.

Em 1975, durante a Ditadura Militar, houve a fusão dos dois Estados, surgindo o Estado do Rio de Janeiro, em sua formação atual. Ainda que, legalmente, surgisse um novo Estado, na prática sempre houve uma diferença entre os habitantes das duas unidades da federação. Quem nasce no Rio, cidade, é carioca e quem nasce no interior é fluminense.

A cidade do Rio sempre foi uma sombra sobre o interior. Entretanto, essa parte do estado vem se desenvolvendo a olhos vistos. Temos a Usina Nuclear, que se encontra localizada em Angra dos Reis, o Complexo de Energias Boaventura unidade de processamento de gás, que vai receber o insumo do pré-sal por meio do gasoduto, temos ainda Campos, no norte fluminense, com a extração de petróleo e, por fim, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) (agora conhecida como Usina Presidente Vargas – UPV), localizada em Volta Redonda, no sul do estado. Ao que parece, o interior tem capacidade de gerar mais empregos que a capital.

Assim, depois dessa disputa histórica entre dois estados, que deveria ser um só desde o início, eis que a cidade do Rio de Janeiro chama para si o posto de Capital Cultural do Brasil, ainda que a UNESCO dê alguns títulos à cidade, ainda que, informalmente, se reconheça títulos na área musical, nas artes e em diversos setores, agora, de fato e de direito, pretende mostrar para o mundo e para outras cidades do país, que o Rio tem o título de forma legal.

Existem vários projetos paralelos que visam criar a nova cidade.  O Reviver Cultural, Semana de Arte e Cultura, Rio Capital Mundial do Livro, Patrimônio Mundial da UNESCO, Cultura Carioca e tantos outros.

A verdade é que o carioca continua se manifestando, buscando atenção para sua cidade. A Prefeitura, por sua vez, vê uma oportunidade de arrecadação, além do que arrecada nos seus grandes eventos. Não podemos esquecer do Aeroporto Internacional Tom Jobim, que se encontra ocioso. O título pode trazer mais passageiros.

Ao final e ao cabo, resta saber se os outros estados aceitam essa iniciativa dos moradores da cidade Rio e do governo carioca, até porque, olhando para o nordeste, por exemplo, encontramos lindas capitais com riquíssima cultura.

Será que Recife e Salvador, por exemplo, perdem para o Rio? Duvidou muito.

Por Paulo Bandeira

 

Compartilhe este artigo